Confirmado! Brasil enfrenta EUA e os Pumas no Estádio do Pacaembú pela Americas Rugby Cup, com transmissão pelos canais ESPN

Rouget Maia, blogueiro do ESPN.com.br

A Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) confirmou três partidas da Seleção Brasileira de Rugby no tradicional Estádio do Pacaembú conforme adiantou na terça-feira (08) Diego Garcia.

A primeira partida será um test match contra Alemanha no dia 05/12, depois o Brasil faz mais duas partidas pelo novíssimo Americas Rugby Cup em 2016. Enfrenta os Eagles no dia 27 de fevereiro e a Argentina no dia 05 de março. Vai ser muito especial para mim, estar nas arquibancadas do velho Paulo Machado de Carvalho, principalmente para ver os Pumas contra os Tupis, num torneio oficial entre os melhores do continente.

O campeonato foi costurado rapidamente e lançado oficialmente no último dia 11, está garantido nos próximos 5 anos e terá os mesmos moldes do Six Nations. Somente um turno, todos contra todos, cada seleção joga cinco vezes, alternando os mandos nos anos seguintes. Por exemplo, se nessa edição o Brasil faz 3 partidas em casa [joga também contra o Uruguai no dia 13/02/2016, no Rio Grande do Sul], na próxima edição só jogará duas vezes em solo da pátria amada brasileira.

Outro aspecto que lembra muito o Six Nation europeu, é que a Americas Rugby Cup terá todos os jogos trasmistidos com exclusividade pelos canais ESPN.

2016 será ainda mais histórico.

Veja abaixo a tabela de jogos do Brasil na Americas Cup

6 de fevereiro de 2016
Chile x Brasil - Chile
13 de fevereiro de 2016
Brasil x Uruguai - Rio Grande do Sul 
20 de fevereiro de 2016
Canadá x Brasil - Canadá
27 de fevereiro de 2015
Brasil x EUA - São Paulo
5 de março  de 2016
Brasil x Argentina - São Paulo


 

O XV dos 'esquecidos' da Copa do Mundo de Rugby

Rouget Maia, blogueiro do ESPN.com.br
Divulgação
Uma seleção com jogadores que não vão participar desse mundial
Uma seleção com jogadores que não vão participar desse mundial

A Copa do Mundo de Rugby começa em Twickenham (Londres), na próxima sexta-feira, às 20h do horário londrino, com english team recebendo Fiji para primeira dança . Faltam só 7 dias para o momento maior do rugby, o terceiro maior evento esportivo do planeta.

E como em outras edições, os cortes por lesão na reta final da preparação são verdadeiros dramas nacionais. Rhys Webb e Leigh Halfpenny, que se machucaram no final de semana passado no amistoso entre País de Gales e Itália são o exemplo mais recente. Numa só tacada os galeses perderam os titulares de duas posições chave, médio-scrum e abertura.

Infelizmente, não foram só as lesões que ceifaram alguns dos melhores jogadores de rugby do mundo do mundial. Questões políticas entre federações e jogadores, indisciplinas e comportamentos anti-socais também causaram baixas em algumas seleções.

O jornal The Telegraph fez uma espécie seleção dos excluídos, com os melhores jogadores em cada posição que não iremos ver nesse mundial.

Pilar aberto, Alex Corbisiero - Stuart Lancaster Não bancou a volta do pilar que este com os Lions dois anos atrás. Uma sequencia de lesões acabou com a chance do primeira linha mais combativo no scrum fixo da Inglaterra.

Hooker, Dylan Hartley - O rei das cabeçadas, deve estar com a "cabeça gorda" no sofá da sala. Pegou um mês de suspensão por dar uma cabeçada em Jamie Goerge do Sarracens, foi cortado da seleção pela enésima atitude mais do que anti-desportiva - e ainda viu Georgie ser convocado em seu lugar.

Pilar fechado, Census Johnston - O gigante de Samoa trocou a Copa do Mundo pela grana ao assinar um contrato com o Toulouse que o obrigou a se aposentar da seleção nacional do seu país.

Segunda-linha, Rodrigo Ortega - O melhor jogador uruguaio está fora da Copa do Mundo, é outro que tem entraves contratuais com seu clube, Castres, (França).

Segunda linha, James Horwill - Desde que Michael Cheika assumiu o comando técnico da Austrália, o capitão dos Wallabies em 2011 não viu mais a cor amarela da camisa da sua seleção. Uma aposta que pode custar caro para Cheika, Horwill foi mal como capitão, mas é jogador indispensável na casa de máquinas de qualquer equipe.

Asa, Marcell Coetzee - Esteve em todas as convocações da seleção da África do Sul nos últimos anos, mas foi cortado pelo técnico Heineken Meyer depois de sofrer uma lesão no joelho durante o Rugby Championship desse ano. Especula-se que Coetzee estaria recuperado antes do inicio do mundial, e que ele teria sido cortado para satisfazer cotas raciais dentro dos boks.

Asa, Steffon Armitage - A política de não aceitar jogadores que estejam federados fora da Inglaterra acabou com os sonhos desse inglês que seria um ótimo asset para equilibrar o plantel inglês.

Oitavo, Nick Easter - O oitavo inglês já deu sua contribuição à seleção inglesa, mas é fominha e esteve nos planos de Lancaster até o último corte.


Scrum-half, Rhys Webb - Foi dramática a retirada de campo de Webb na partida entre Gales e Itália. No entanto, a dor pela grave lesão no pé não deve ter sido pior que saber de imediato que a Copa do Mundo dava adeus.

Abertura, Aaron Cruden - O jogador neozelandês não conseguiu se recuperar em tempo de uma cirurgia para reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho. Azarado, ficou de fora da final de 2011 também por conta de lesão.

Ponta, Israel Dagg - Em baixa durante 2014 e 2015 esse fullback neozelandês entrou nessa seleção como ponta. Os quatro anos desde a final de 2011 não foram bons para Dagg.

Primeiro Centro, François Steyn - Versátil e forte, foi cortado por opção de Heineken Meyer. Outra dispensa controversa no esquadrão sul africano.

Segundo Centro, Manu Tuilagi - O enorme centro é a perda mais notória da Inglaterra. Mas convenhamos, com ficha extensa de indisciplinas fora de campo, inclusive durante o mundial de 2011, e o ultimo "incidente" em maio quando agrediu uma policial, Lancaster não tinha outra opção. Bater um mulher, nem com flor...

Ponta, Cornal Hendricks - Outro sul africano que poderia estar no mundial. Foi cortado mesmo tendo feito 5 tries em 12 jogos.

Fullback, Leigh Halfpenny - O outro dama galês, Halfpenny teve uma seria lesão no joelho semana passada e vai assistir o mundial pela TV. Perde muito Gales.

 

O favoritismo dos All Blacks, sua relação com a haka e as Top 5 "haka response"

Rouget Maia, blogueiro do ESPN.com.br
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A haka maori e os All Blacks
A haka maori e os All Blacks

A Nova Zelândia com sua seleção de rugby, "the Almighty All Blacks", entra, mais uma vez, como franca favorita na Copa do Mundo de Rugby. Não é para menos, além de estarem no topo do ranking da World Rugby, é só olhar as tabelas abaixo que mostram a comparação dos resultados de jogos dos All Blacks contra Austrália, África do Sul, Argentina, Fiji, Inglaterra, Irlanda, França, Escócia, País de Gales e Itália - os nove países melhores posicionados no ranking da Word Rugby mais a Itália - para entender o gigantismo desse favoritismo.

Tomando como base os quatro últimos anos, a Nova Zelândia jogou contra essas seleções 53 partidas, entre Test Matches e jogos oficiais. Incluso nessa conta, a Copa do Mundo de 2011 e as edições do Rugby Championship. Perdeu 5 partidas e empatou 2, um índice de vitórias de 86,8% contra os melhores do mundo.

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Resultados dos últimos 4 anos
Resultados dos últimos 4 anos

Se aumentarmos a base e contarmos todos os jogos já disputados oficialmente pelos All Blacks, sendo a primeira partida disputada em 1903 contra Austrália e a última partida oficial - Bledisloe Cup, em agosto desse ano, com vitória sobre a Australia e o 12º título consecutivo - a Nova Zelândia disputou 465 jogos, perdeu 99, empatou 16, um incrível índice de vitória de 73,3% em um intervalo de mais de 100 anos jogando contra os Top 10!

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Resultados desde 1903
Resultados desde 1903

Esse gigantismo de vitórias sobre seus principais adversários, num período de tempo tão longo formaram o core do signo de invencibilidade/poder/competência da Nova Zelândia.

Talvez por isso, para os seus torcedores, os All Blacks ainda têm uma "dívida" quando o assunto é Copa do Mundo de Rugby. Os dois títulos mundiais foram conquistados nos torneios sediados em casa, 1987 e 2011, e nas duas vezes enfrentou e venceu a França - em 2011 quase perderam, os 20 minutos finais da partida foram desesperadores e fizeram a cidade de Auckland tremer de medo da França de Thierry Dusautoir e seus companheiros.

E apesar dos dois títulos mundiais, não é só para seus torcedores, mas na percepção do mundo do rugby em geral, os neozelandeses cultivam mais fiascos do que conquistas. Talvez os dois momentos negativos mais marcantes para os kiwis tenham sido a campanha de 2007, quando perdeu para França nas quartas de final, e 1995 quando perderam a final para África do Sul.

Também é preciso considerar nessa longa tradição e história de vitórias envolvendo os All Blacks, o símbolo mais marcante extra campo da formação do signo de poder dos All Blacks, a haka maori - que não tem relação direta com o jogo de rugby, mas ao que parece influencia os adversários.

É uma discussão antiga que de tempos em tempos acaba ganhando algum destaque, principalmente quando o adversário se contrapõe de forma incisiva a haka - que para os neozelandeses sempre beira ao desrespeito e é encarado como provocação. 

Essa postura não deixa de ser uma vantagem esportiva. Os All Blacks já começam na frente a partida pela presença, união e aura divina levantada pela haka. Afinal, não é uma simples dança folclórica, é quase um grito de guerra maori que foi absorvido pela seleção de rugby e transformado, com todos os elementos religiosos e sociais envolvidos, numa sensação de irmandade e união entre os jogadores, e propalado ao adversário, que em geral é obrigado a ficar observando com atenção.

Não observar a haka é um desrespeito, avançar e contestar o desafio é um desrespeito, quase tudo que o adversário fizer diferente de ficar parado prestando atenção no bando de gigantes cantando, dançando e fazendo caretas (parte da cultura maori), "Ka mate, ka mate (eu posso morrer, eu posso morrer) Ka ora' Ka ora' (eu posso viver, eu posso viver)" é desrespeito. E acho que deve ser quase impossível não ficar de alguma forma tocado pela cena, seja se imbuindo de raiva para vencer, seja sentindo o baque.

Imagine então a sensação dos adversários vendo a outra haka, chamada Kapa o Pango que termina com um claro sinal de morte, com todos os jogadores fazendo um sinal inconteste de que vão cortar o pescoço do adversário.

Uma forma empírica de medir a influencia da Haka é ver os resultados das partidas dos All Blacks quando são "contestados" pelos adversários durante a haka, seja ficando em silencio e imóvel por mais de 2 minutos depois do término da haka, como fez a seleção galesa em 2008, seja enfrentando a haka como fez o capitão da Irlanda, Willie Anderson, em 1989.

Veja abaixo uma seleção das Top 5 Contestações da Haka, e no final do post confira o índice de vitória dos Kiwis quando são, segundo eles, desrespeitados.

Irlanda x Nova Zelândia (1989)
Há 16 anos Willie Anderson ousou enfrentar a haka comandada pelo grande Buck Shelford e enlouqueceu mais de 50 mil irlandeses presentes no antigo Lansdowne Road Stadium. Anderson praticamente puxou a equipe toda à frente e ainda conclamou seus torcedores no final.

Inglaterra x Nova Zelândia (1997)
Old Trafford lotado para assistir a Inglaterra receber os All Blacks. Durante a haka a seleção inglesa andou em direção dos All Blacks. Enquanto isso, Richard Cockerill, hoje o emblemático Diretor de Rugby do Leicester Tigers, em sua primeira partida como titular na primeira linha da seleção inglesa, decidiu continuar em frente sozinho até ficar de rosto colado com Norm Hewitt. "What the f*** have you done?" foi a reação do capitão inglês Martin Johnson, enquanto tirava Cockerill do "chamego"entre os hookers.

Nova Zelândia x Tonga (2003)
Na Copa do Mundo de 2003, na Austrália, Tonga aceitou e contestou o desafio da haka neozelandesa fazendo sua Sipi Tau (Fiji, Tonga e Samoa, tem cantos de guerras próprios na mesma linha da haka maori) ao mesmo tempo, quando o esperado seria cada seleção fazer sua performance com o adversário "quieto". Bonito de ver, mas desastroso para Tonga que foi massacrada em campo.

Nova Zelândia x Itália (2007)

Na primeira partida de ambas as seleções durante a Copa do Mundo de 2007, os italianos resolveram fazer uma roda de jogadores e nem deram bola para a haka na outra metade do campo. Uma provocação catastrófica para os italianos que foram literalmente massacrados nessa partida.

País de Gales x Nova Zelândia (2008)
O fenomenal time de Gales de 2008, campeão do Six Nations com direito a Grand Slam, queria acabar com um tabu que datava de 1953. O plano incluía 2 minutos com todos os jogadores galeses imóveis depois que a haka acabou. Foi um momento dramático, mas não valeu de muito já que Gales não chegou nem perto da vitória.

Nova Zelândia x França (2011)
Na final da última Copa do Mundo de 2011, os All Blacks foram desafiados pelo time francês. Os Bleus já entraram em campo com uma formação em V e pararam na linha que demarcava o meio campo, claramente contestando o desafio. A atmosfera no estádio era inebriante, mas apesar de terem sido contra-desafiados, dessa vez os All Blacks sofreram um bocado para vencer e quase mataram do coração os torcedores kiwis mais desavisados, na final de Copa do Mundo mais apertada da história.


Resultados das partidas listadas:
Irlanda 6-23 Nova Zelândia (1989)
Inglaterra 8-25 Nova Zelândia (1997)
Nova Zelândia 91-7 Tonga (2003)
Nova Zelândia 76-14 Itália (2007)
Nova Zelândia 8-7 França (2011)

Ao que parece desafiar a haka não é bom negócio, índice de vitória de 100%. Dá uma sensação mais ou menos na linha, "Se ficar o bicho pega, se correr o bicho morde".

Contudo, como eu imagino que os torcedores dos Wallabies vão lembrar da semifinal da Copa do Mundo de 1991, David Campese um conhecido provocador e catimbeiro, ficou batendo bola atrás dos postes enquanto a seleção australiana ficava perfilada observando a haka. O gesto foi notado pelos All Blacks que trataram Campese com todo rigor permitido nas regras do jogo e um pouquinho mais, mesmo assim Campese ainda marcou um try e foi um dos jogadores chaves nessa vitória que colocou os Wallabies na final daquele mundial que eles acabaram vencendo. 

Prova que a invencibilidade é só simbólica e o catimbeiro Campese acabou desconcentrando um pouquinho os neozelandeses nessa semifinal de mundial.

A Copa do Mundo de 2015 se aproxima, quem vai ter coragem de relembrar a pressão que os All Blacks se auto-infligem e usar isso contra os grande favoritos?

Springboks liberados

Rouget Maia, blogueiro do ESPN.com.br

A ação na justiça da África do Sul que visava impedir a participação dos jogadores convocados pelo técnico Heineke Meyer na Copa do Mundo de Rugby, retendo os passaportes de atletas e comissão técnica, foi indeferida pelo juiz Ntendeya Mavundla.

O caso foi levado à corte por um obscuro partido político chamado Agency for New Agenda (ANA) que acusou o Ministério dos Esportes e a Associação de Rugby da África do Sul (SARU) de "inconsistência com a constituição sul africana" ao convocar poucos jogadores negros para o mundial.

Mayundla indeferiu o pedido, mas salientou que concorda com a ANA quando se fala na velocidade de transformação e inserção da raça negra no rugby.

O que Mayundla não falou, é que 20 anos é muito pouco tempo para se transformar o rugby de um país inteiro. Mayundla também não disse se existe uma falta de vontade política e social da SARU para aumentar a participação da raça negra no rugby. Um trabalho na base mais focado, já teria melhores resultados, e talvez a hoje a África do Sul, estivesse mais forte ainda.

A discussão sobre o racismo no rugby sul africano ainda vai longe. Personagens como Peter de Viilliers parecem mais se aproveitar da confusão do que realmente discutir o caso.

A verdade é que, desde 2007 quando os Springboks também foram ameaçados de terem os passaportes retidos pelo próprio Ministro do Esporte da África do Sul da época, o número de jogadores negros convocados no período de preparação para Copa do Mundo, ou nos anos que antecedem o quadriênio da preparação dos boks, praticamente não se alterou. Vale lembrar que técnicos brancos e negros comandaram os Springboks desde então.

A política de baixo calão que permeia esse assunto tão pesado e sério, é terrível para o esporte. Os bons jogadores de rugby negros vão surgir se houver um trabalho de base bem feito, principalmente nas províncias sul africanas onde o rugby é mais forte.

Para fechar, dois aspectos que foram levantados pelo fã de rugby e fã dos Springboks, Luiz Silveira, de Vila Velha.

1. Será que já não existe uma enorme pressão por uma espécie de cota negra nos boks? Porque Heineken Meyer deixaria jogadores mais experientes e que dariam um balanço melhor para o plantel como Cobus Reinach e Marcell Coetzee (brancos) fora da Copa do Mundo, e convoca jogadores com pouca ou nenhum experiencia internacional como Rudy Paige e Siya Kolisi (negros)?

2. Onde estão as cotas de transformação racial na seleção de futebol da África do Sul? Os Bafana Bafana são majoritariamente negros.

Para mim, a questão racial deve ser trabalhada no dia a dia da sociedade sul africana, e não somente com o mundial se aproximando do pontapé inicial. Meyer sabe de antemão que além de equilíbrio e balanço técnico, sua seleção precisa agradar também fora do lado esportivo. Sem apoio ele não passaria um ano no comando.

Para ler o comentário completo do Luiz Silveira, clique aqui e vá até a secao de comentarios.

 

Copa do Mundo de Rugby sem os Springboks? O racismo ainda cobra seus prejuízos à África do Sul

Rouget Maia, blogueiro do ESPN.com.br

A Copa do Mundo de Rugby está tão próxima de seu pontapé inicial que já da para sentir o cheiro de grama pisada. A expectativa nos países com chance de chegar ao título é enorme. Não é diferente na África do Sul, bi-campeã mundial e um dos principais países do rugby hoje.

Desde que foi anunciado o plantel de 31 jogadores que irão para Londres, um drama de proporções cada vez maiores toma conta do noticiário sul-africano. E a discussão maior não é se o técnico Heineke Meyer selecionou os melhores jogadores. A discussão é sobre racismo no rugby da África do Sul e a falta de representatividade (negra) que Springboks tem em relação ao país.

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Bryan Habana e Percy Montgomery, fullback e ponta, campeões do mundo.
Bryan Habana e Percy Montgomery, fullback e ponta, campeões do mundo.

O rugby sul-africano, assim como toda África do Sul, sofreu muito por conta do sistema de apartheid que existia no país. A emblemática campanha de 1995 uniu a África do Sul em torno de um ideal de convivência entre brancos e negros. Chester Williams que esteve no Brasil ano passado, foi o grande embaixador da "Rainbow Nation" incentivada por Nelson Mandela, mas ao que parece, essa parte da história do rugby sul africano não é contada com todas as cores.

Os resquícios e desdobramentos de anos de apartheid ainda são sentidos (ou combatidos) até hoje. E talvez, estejam gerando discrepâncias que hoje atrapalham o rugby da África do Sul. Racismo é um tema muito delicado para ser discutido em poucas linhas de um blog. Por isso, não vou, nem de perto, entrar no mérito atual da questão que movimenta hoje os bastidores do rugby no país de Mandela: se existe ou não um forte grau de racismo no rugby Springbok.

Existe hoje tanta discussão em torno da convocação dos boks e o racismo, que a Copa do Mundo de Rugby de 2015 será estranha para os sul-africanos. Eles devem apoiar o time que tem chances de ganhar o mundial? Ignorá-los? Ou se opor?

Grupos ativistas produziram um manifesto para o fim do racismo no rugby. Esse documento teve o mesmo destaque na imprensa que a convocação dos Springboks. Peter De Villiers, técnico que comandou os boks no ultimo mundial, foi duro em suas críticas ao time que foi convocado "O rugby da África do Sul está na sarjeta. É uma vergonha nacional e um insulto a inteligência negra. Não era assim na minha época, Heineken Meyer deve ser colocado contra parede".

Os nervos estão aflorados.

Fato é, existe uma política oficial de governo na África do Sul que busca a readequação da participação social da raça negra, e vários setores da sociedade vem cobrando a falta de "transformação" racial no rugby que está prevista na constituição do país.

Outro fato, um desses grupos que produziram o manifesto, impetrou uma ação na justiça, em Pretória, contra o Ministro dos Esportes e contra o presidente da Associação Sul-Africana de Rugby (SARU). Além disso, pediu o confisco de passaportes dos jogadores e da comissão técnica para que não possam embarcar para Londres nos próximos dias.

Para dar uma ideia da dimensão do imbroglio politico/social que a SARU está metida, a mesma coisa aconteceu em 2007, quando o então Ministro dos Esportes, Butana Komphela, ameaçou a SARU do confisco dos passaportes dos jogadores antes do Mundial disputado na França, caso não houvessem "sinais transformações tangíveis".

O sinal de transformação que Komphela queria era um plantel com pelo menos seis jogadores negros indo para a Copa do Mundo de Rugby de 2007.Foi atendido. 

Naquele ano seis jogadores negros formaram o plantel Springbok: Rick Januarie, Akona Ndungane, Wayne Julies, JP Pietersen e Bryan Habana.

Já imaginaram? A Copa do Mundo sem os Springboks? Pois é, tem sul-africano que imaginou e ainda deseja isso.

Se eles estão certos ou não, é algo que só os próprios sul-africanos, e só eles, podem dizer.

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