Mauricio Barros

Mauricio Barros

Renato está certo

Maurício Barros, blogueiro do ESPN.com.br
Veja a resposta de Renato Gaúcho sobre o uso de drone espião: 'O mundo é dos espertos'

Esperto foi Nilton Santos, que, na Copa de 1962, no Chile, derrubou o espanhol Enrique Collar e, malandramente, deu dois passos para fora da área, induzindo o árbitro Sergio Bustamante a marcar falta, e não pênalti, quando a Espanha já vencia por 1 x 0. O Brasil viraria o jogo, avançaria às quartas e terminaria bicampeão do mundo. O truque virou símbolo da genialidade da Enciclopédia.

Esperto também foi Rivaldo, na Copa de 2002, que levou uma bolada na coxa do turco Unsal e desmoronou simulando dores no rosto. O juiz coreano, que já havia dado para o Brasil um pênalti mandrake sobre Luizão (foi falta fora da área), embarcou no teatro e expulsou o turco. Ficou mais fácil para os futuros pentacampeões segurar aquele 2 x 1 da estreia.

Esperto foi Maradona, que fez um gol com a mão nas quartas de final da Copa de 1986, contra a Inglaterra, partida que acabaria em 2 x 1 para os hermanos. Esperto foi seu compatriota Miguel Di Lorenzo, massagista da Argentina na Copa de 1990, que, como Diego confessaria anos depois, deu água com sonífero para o lateral Branco, da Seleção Brasileira, que passaria mal em campo na sequência. O Brasil perdeu de 1 x 0, gol de Caniggia, e foi eliminado nas oitavas-de-final. Esperto também foi Thierry Henry, que ajeitou com a mão e cruzou para Gallas fazer o gol de empate contra a Irlanda que classificou a França para a Copa de 2010.

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Esperto foi Luis Suárez, que defendeu, também com a mão, um gol certo de Gana, trocando sua expulsão por um pênalti que Gyan acabaria perdendo. A partida foi para a decisão nos penais e o Uruguai avançou à semifinal.

Há muita gente esperta, e não só no futebol. Lance Armstrong construiu uma carreira vitoriosa no ciclismo à base de estimulantes. Dirigentes, atletas e treinadores russos também montaram há poucos anos um sofisticado esquema de doping para colecionar vitórias no atletismo.

Esperta foi a nadadora francesa Aurelie Muller, que, na Olimpíada do Rio, chegou cabeça-a-cabeça no final da Maratona Aquática e, para ganhar a prata, segurou a italiana Rachele Bruni antes da batida final de mão. Nesses últimos três casos, veja você, acabou dando ruim para Lance, os russos e a francesa. Coisa rara...

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Esperto é Ricardo Teixeira, que curte uma aposentadoria nababesca apesar de tanto escândalo de corrupção, exatamente como fez seu ex-sogro João Havelange. Esperto é José Maria Marin, que cumpre sentença em um apartamento de luxo em Nova York. Esperto é Carlos Arthur Nuzman, que está soltinho, aproveitando sua mansão no Rio, apesar de tantas suspeitas de enriquecimento ilícito.

Esperto é o Viana, que vendeu seu apartamento e acertou com o Palhares, o comprador, que fariam constar na escritura um valor menor que o real. Esperto é o Dirceu, que topou sediar formalmente sua empresa em um banheiro no interior, onde o contador tem um esquema bacana. Esperto é o doutor Maluf, que sonegou só na última declaração de IR uns 2 milhõezinhos, dinheiro de pinga. Esperta é a Lúcia, que pagou 3 mil reais ao Renê, o despachante, para sumirem umas multas no Detran que lhe renderiam a cassação da carteira.

“O mundo é dos espertos". Como discordar do Renatão? Aliás, te pergunto: e os otários, quem são?