Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Rival do Grêmio, Lanús é forte em campo. Fora, tenta consertar o mundo. Pelo menos um pouco. E consegue

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

por Joza Novalis*

Para muitos, a presença do Lanús na final da Copa Libertadores é surpresa; para poucos outros, não. Isto porque estamos falando de um clube que leva planejamento a sério como nenhum outro na América Latina. Planos para um ou dois anos; para cinco, 10, 20, 30 anos. Mudam as gestões e ninguém ousa mexer naquilo que foi estabelecido. No clube, não se vê a relação promíscua entre dirigentes e barras bravas, tão comum aos demais clubes do país. Não se apresentam dirigentes despreparados aos microfones etc.

O suporte ao técnico Jorge Amirón é de chamar a atenção. Há uma equipe gigantesca de profissionais, responsável até pela previsão de problemas como o da greve dos jogadores, no início de 2017. No clube, os dirigentes não esperam resultados para o anúncio de suas intenções. Foram a público e disseram: “Vamos priorizar a Libertadores e jogaremos o campeonato local com reservas”.

E assim foi feito. O Lanús parece ter domado a demagogia que toma conta da maioria dos clubes da América do Sul. Contudo, nem sempre foi assim. Por isso, antes de falarmos sobre como joga o rival do Grêmio, vamos entender um pouco de onde vem a grandeza do Granate.

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Clube modelo para o continente, mas qual a origem da seriedade do Lanús?

Não há nenhum clube da América Latina que se doe tanto à sua comunidade quanto ao Lanús. As ações são tão numerosas que não caberiam neste texto. Vamos, porém, a alguns exemplos.

Se há um hospital no município que necessite de aparelhagem, o clube resolve. Porém, o mais interessante é a convicção de que a ajuda não pode ficar apenas na compra de um aparelho. Ela tem de abarcar o aperfeiçoamento de todos os serviços prestados à comunidade pelo hospital.

Ou seja, se o clube resolve ajudar uma instituição, ela precisa ser outra, completamente renovada, após a intervenção do Granate. Objetivo final desta e de todas as outras campanhas consiste em melhorar o padrão de vida das pessoas. No início, isto se voltava exclusivamente para o bairro. Mas, nos dias atuais, também para toda a grande extensão do município de Lanús. Há o “Dia da Criança no Grana”, no qual a garotada participa de atividades de recreação e cada uma leva uma sacola com presentes para casa.

Esta campanha é um seguimento de outra, que leva e apresenta o clube aos pequenos torcedores. Em vista, o aumento da torcida, no futuro. Jogadores visitam escolas, levam presentes e doam material escolar para os necessitados. Além disso, em conjunto com as escolas, cria campanha de premiação por aproveitamento escolar. Jogadores também vão a hospitais infantis visitar vítimas de doenças graves, como câncer. Mas não fica somente nisso.

O Lanús tem recuperado várias instituições de bairros, algumas falidas ou já fechadas, como clubes e associações de amigos. O clube recupera suas instalações, aumenta o número de quadras, constrói campos de futebol, vestiários, lanchonetes, enfim, cria espaços de recreação para que as pessoas tenham opções de lazer. Alguns desses clubes recuperados são para todos; outros, passam a ser exclusivamente para mulheres ou para crianças.

O Granate tem o propósito de que nenhuma criança do município fique nas ruas sem ter o que fazer. No inverno, o clube promove a campanha “Frio zero”, que consiste em doar comida e roupas para os moradores de rua e outros necessitados. A partir do sucesso desta campanha o clube criou outra, a “Ação pelos sem tetos”, que acontece regularmente e que distribui comida a cerca de 300 pessoas no município, duas vezes por semana. 

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Fachada de La Fortaleza, estádio do Lanús, paco da decisão do dia 29
Fachada de La Fortaleza, estádio do Lanús, paco da decisão do dia 29

Em geral, um bom número de profissionais se junta, oferecendo serviços como consulta oftalmológica, distribuição de material de higiene, entrega de roupas e até ações mais simples, como o corte de cabelo, são executadas.

Enfim, são inúmeras campanhas e elas exigem muito dinheiro. De onde ele vem? Quase nada do clube, mas das empresas, de doações particulares. E quanto à mão-de-obra, de pessoas que atendem ao chamado do clube e espontaneamente se apresentam para ajudar.

Mas por que todo mundo confia no Lanús? Quem garante que se eu doar uma soma em dinheiro ela não vai parar na conta de algum dirigente? Quase impossível de acontecer. Credibilidade do Granate está prestes a fazer aniversário de 40 anos.

O que dirigentes podem fazer para afundar um clube. E o contrário 

Em 1977, o Lanús fez uma campanha terrível na primeira divisão e foi para uma partida desempate contra o Platense. Em jogo, a permanência na elite argentina. Uma torrente de água caia sobre o Viejo Gasómetro, local da partida. O duelo terminou empatado e foi para os pênaltis. Foram 20 cobranças sem que nenhum levasse vantagem. 

Então, o goleirão do Lanús foi para a cobrança e perdeu. Pela regra, era o momento de o goleiro do Platense cobrar. No lugar dele, bateu um atacante, que guardou a pelota no arco e saiu para o abraço. O Calamar seguia na elite e o Lanús caia para a segunda divisão.

Dirigentes reclamaram com o árbitro, mas de nada adiantou. Dias depois, recorreram à AFA. Copa do Mundo estava prestes a acontecer e a entidade não queria problema. Ofereceu ao Granate a possibilidade de retornar e jogar na elite ou uma boa soma em dinheiro aos seus dirigentes para que o clube seguisse na segundona e eles se calassem. E os dirigentes granates o que fizeram? Ficaram com a grana, que, aliás, não foi revestida ao clube.

No ano seguinte, a equipe caiu para a terceira divisão. O Lanús devia o equivalente aos dias atuais cerca de 80 milhões de dólares – uma catástrofe para um clube pequeno - e sofria com mais de 200 processos judiciais. Torcedores, revoltados, não iam aos jogos, sócios eram 2 mil e diminuíam a cada dia, um caos.

Foi então que em meados de 1978, uma ala de jovens dirigentes transforma os velhacos em “rainhas da Inglaterra” e toma o poder de fato no clube. Entre eles, estava Néstor Díaz Pérez, que hoje empresta seu nome a um dos maiores estádio da Argentina, mas que então não passava de um amontoado de tábuas. Os novos dirigentes reaproximam o clube dos torcedores, e se comprometem a tornar público o destino de cada centavo que a partir de então entraria na instituição.

Muitos desses dirigentes vão diretamente às residências dos hinchas; mostram as intenções, as propostas, os projetos. O primeiro deles, falava em voltar à segunda divisão em dois anos; à elite, em dez. Depois disso, o objetivo seria o de não ser rebaixado nos cinco anos subsequentes. 

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Nicolas Russo é o presidente do Lanús: emergente no futebol argentino
Nicolas Russo é o presidente do Lanús: emergente no futebol argentino

Institucionalmente, um dos projetos falava em reconstruir o estádio e torna-lo moderno e motivo de orgulho em dez anos. Além disso, tornar a dívida administrável e reduzi-la a cada ano. Para termos uma ideia do que representava a iniciativa, é instaurada imediatamente uma comissão de estudo, revisão e redução da dívida e de apontamento de sua responsabilidade.

Esta comissão passa a ocupar o lugar de presidente do Lanús, inicialmente por tempo indeterminado, mas, depois, ficando no comando até dezembro do mesmo ano. A resposta foi a melhor possível e os torcedores voltam a apoiar a equipe nas arquibancadas. O que aconteceu, na prática, foi a refundação do Lanús. Com ela, nasce um novo clube que abomina e combate a corrupção justamente em tempos de ditadura, nos quais acobertar roubalheira é prática comum, no caso, em todos os clubes de futebol.

Resultados não demoram a aparecer. O clube torna-se campeão da terceira divisão, dois anos depois, já somando dez mil sócios. Desses tempos para cá, o Lanús deixou de ser uma piada ao Sul da Grande Buenos Aires para se tornar um clube modelo a ser seguido.

Realidade à frente das paixões

Em 2015, os irmãos Schelotto deixaram o comando do Lanús, após três anos e meio de glórias, coroados com a conquista da Sul-Americana de 2013. Eles haviam ficado famosos e caros e já eram disputados pelos grandes do futebol argentino. O Granate tinha condição de pagá-los em novo contrato, mas a decisão de não renovar era porque se a realidade do clube não é a mesma de Boca e River, então jamais vão pagar a um técnico um salário semelhante a um dos gigantes locais. E tem sido assim desde a chamada “refundação” do clube, em 1978.  

A chegada dos irmãos Schelotto representara uma mudança de postura em vigor. Então, o clube tinha “cantera” para dirigentes, o que ainda existe, e para treinadores. Esses cartolas podem até levar jogadores do Lanús, mas não recebem ajuda financeira. Se eles conseguem salvar o pequeno clube da falência, então são aproveitados em La Fortaleza; do contrário, não. Com esta prática, o Lanús já evitou que 13 pequenos clubes do país deixassem do de existir.

Da mesma forma, em 2010, foi criada a “cantera” para técnicos que consistia em fazer com que um profissional treinasse os times menores até chegar à equipe principal. O projeto termina, menos de três anos depois, com a saída de Gabriel Schurrer e a chegada dos irmãos Barros Schelotto. Ocorre que a prática da “cantera” de técnico era só um efeito de outra pretensão: a de perpetuar no Lanus uma identidade de jogo voltado às teorias futebolísticas que têm nos técnico argentinos alguns dos principais teóricos no mundo do futebol.

Com a presença dos “mellizos” (gêmeos) Schelotto, o que os dirigentes fizeram foi a troca da ideia da “cantera” pela da adoção de técnicos diferentes, mas que adotem a mesma proposta. A contratação de Jorge Almirón foi precedida de dois tipos de consultas. Uma delas, a cada um dos jogadores, perguntando sobre que tinha seu trabalho de semelhante ao de Barros Schelotto. A maioria deles apontou o nome do então técnico do Godoy Cruz. A outra consulta foi a especialistas. Também estes concluíram que Almirón era quem apresentava uma proposta parecida e até mais evoluída futebolisticamente do que a do “mellizos”.

Então ele chegou, ao mesmo tempo em que alguns dos principais atletas saíram, rendendo uma boa grana ao Lanús. Jogadores baratos ou da base foram colocados nos seus lugares. Proposta continuou a mesma e enquanto a maioria dos clubes argentinos aprofundava dividas, o clube do Sul da Grande Buenos Aires lucrava como poucas vezes na sua história.

Em junho de 2017, o contrato de Almirón foi renovado por apenas mais seis meses. Parece estranho, porém isto é somente mais um exemplo de que a realidade se sobrepõe às paixões, entre os dirigentes granates. O fato é que ocorre com ele o mesmo que se passou com os irmãos Schelotto: ficou importante, prestigiado e caro. O Lanús conta com a saída do técnico em 2018 e já estuda perfis para substituí-lo, quando acontecer.  

Como joga o Lanús

Muitos já falaram como o Granate costuma jogar. Vamos resumir rapidamente para focarmos em outros pontos.

A saída de jogo é conhecida como “Lavolpiana”, pois remete ao argentino Ricardo La Volpe, atual comandante do América do México. Ela consiste na construção do jogo desde a fase defensiva e através da qual o número de criadores de jogo se multiplica. Bem desenvolvida e seguida do mesmo sucesso na construção do jogo, na segunda e terceira fases, a proposta implica que a responsabilidade do antigo camisa 10, em criar as principais jogadas da equipe, fica dividida entre vários outros atletas. Contudo, isto não reduz a importância de se possuir um jogador diferenciado no meio-campo. Se ele dispõe de mais tempo para pensar o jogo sem a bola naturalmente que terá as melhores ideias do que fazer com ela, quando a tiver nos seus pés.

Esse criador no Lanús sequer é um camisa 10, é Román Martínez, um 8. Na saída lavolpiana, o primeiro volante se posiciona entre os dois zagueiros, que automaticamente se lateralizam, enquanto os laterais se posicionam praticamente como volantes abertos, rente a linha do meio-campo. No caso, o primeiro volante passa a ser o principal responsável pela saída de bola da equipe. A proposta é muito arrojada, mas perigosa na mesma medida. O que define o seu sucesso ou fracasso é o nível dos jogadores envolvidos e a qualidade dos treinamentos a que foram submetidos. Vejamo-la, no Lanús.

Ivan Marcone, um dos segredos do Lanús

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Ivan Marcone, meio-campista do Lanus
Ivan Marcone, meio-campista do Lanus

Chega a impressionar o quanto Iván Marcone é subestimado. Trata-se de um dos melhores volantes atuando no futebol sul-americano. O jogador tem o padrão de desarme de um Gabriel, campeão brasileiro pelo Corinthians. Mas tem um toque refinado pouco visto em camisas 5 no futebol brasileiro. Cabe a Marcone a
responsabilidade da saída de bola do Granate, assim como cabe ao ótimo goleiro Esteban Andrada. Porém, a função do volante é ainda mais importante, pois é ele quem dita completamente os rumos que o goleiro dará ao primeiro toque na bola.

Se há um perigo na saída lavolpiana ela está na percepção equivocada do volante sobre qual é o momento preciso de fazer o recuou e buscar a pelota junto ao guardametas. No caso, Marcone precisa avaliar o perigo da pressão que os atacantes rivais estão fazendo sobre ele e da possibilidade de perder a disputa. Se isto acontecer, esses atacantes vão parar na frente do goleiro Andrada.

Sendo assim, através de seu deslocamento, o volante indica ao goleiro para quem deve tocar a bola; se para ele, Marcone, se para um dos zagueiros, se para um dos laterais, mais à frente, ou, em último caso, se para um dos ponteiros, no ataque. O cabeça-de-área não é infalível no que faz, mas executa sua tarefa com alto nível de acerto. Portanto, é o grau de treinamento e de entrosamento que determina o sucesso da saída lavolpiana. No Lanús, de fato ela parece muito qualificada.

Ampliação de criadores de jogo na fase de transição

A saída do Lanús exige não apenas jogadores técnicos, mas também corajosos e capazes de dar o passe, mesmo sob forte pressão do ataque rival. Se a pressão for intensa, os dois zagueiros-laterais se aproximam do volante ou do goleiro, como alternativa para o encurtamento do passe. Porém, os dois laterais de origem voltam menos, pois sua função é outra, a da recepção e aceleração do jogo na fase de transição. E esta é a principal armadilha que a saída do Granate pode apresentar para o Grêmio.

Ocorre que se o Tricolor exercer a pressão alta, pode, ao mesmo tempo, oferecer para a equipe argentina boas situações de contragolpe. Em La Fortaleza, a proposta do Lanús é a de propor mais o jogo no campo de ataque. Contudo, fora de seus domínios, tende a especular um pouco mais, esperando o rival. Na proposta como anfitrião, o jogo da equipe prioriza mais o toque estudado e paciente para a construção das jogadas. Como visitante, é o contrário. No caso, o toque rápido e a chegada veloz ao arco rival se tornam o principal objetivo.

Isto não significa que o Grêmio deva abortar a ideia de pressionar a saída dos argentinos, pelo contrário. Porém, precisa fazê-lo de forma inteligente. Em entrevista recente, Renato Portaluppi disse que estudou o Lanús. Correto, mas o que talvez Renato não saiba é que o técnico do rival tem conhecimento de que ele fez sua lição de casa. River e San Lorenzo também sabiam da saída de bola do Lanús, mas isto não impediu que fossem superados pela equipe granate.

Grêmio precisa de atacantes atentos à recomposição defensiva

 Se não for assim, o passo inicial para que os brasileiros caiam na armadilha granate já estará dado. Esclarecendo: se o Grêmio pressionar com três atacantes, mas não conseguir tomar a bola, ela pode ser lançada para um dos laterais já na fase de aceleração. Nesta proposta de chegar rapidamente à área de Grohe, o Granate poderia deixar para trás três potenciais marcadores brasileiros, os três atacantes que apertavam a saída de bola argentina.

E para complicar a situação, os laterais do Lanús tendem a penetrar no campo de ataque por dentro, ampliando o número de jogadores com capacidade para a criação de jogadas. Além disso, chegam ao interior da área rival ampliando o número de receptores da bola. De um lado, há o excelente José Luis Gómez, que tanto se transforma em meio-campista centralizado como atacante: e o faz bem.

Do outro, o veterano Velázquez, que em função da idade avançada, às vezes troca de posição com Nico Pasquini, se transformando em volante, enquanto o jovem “canterano” se desloca para o centro do campo, mais à frente e também penetra na área, assim como Gomez. Logo, em tal situação, não se trata somente de uma vantagem numérica do Lanús, mas ainda de uma vantagem tática: os defensores rivais tendem a se confundir na marcação e, portanto, no corte do contragolpe.

Lautaro Acosta, outro segredo do Lanús

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Lautaro Acosta comemora gol pelo Lanus na Copa Libertadores
Lautaro Acosta comemora gol pelo Lanus na Copa Libertadores

Acosta se diz beneficiado pelo Lanús, quando jovem. É torcedor da equipe e já recusou propostas até da China para deixar La Fortaleza. Segundo ele, o dinheiro que ganharia não compraria a felicidade que vive no clube do coração. Problema para o Grêmio é que além de ser fiel ao Lanús, “Laucha” Acosta é o melhor e mais perigoso jogador do rival argentino.

Acosta atua como extremo pelo lado esquerdo. Mas isto em teoria. Na prática, não tem posição fixa e se desloca por todos os setores do meio-campo para frente. Seu entrosamento com Sand tem rendido gols e grande parte do sucesso da equipe. Laucha é veloz, driblador e possui uma visão periférica primorosa. Não há muito o que fazer para detê-lo, exceto marca-lo bem e com muita atenção.

Mas se há um momento em que esta atenção precisa ser redobrada é justamente quando o Lanús está muito pressionado. Em tais situações, Acosta se coloca bem próximo do lateral Maxi Velázquez. Se a bola do contragolpe é passada para ele, a dificuldade da defesa em retomá-la se agiganta na mesma medida com que ele procura fazê-la chegar ao interior da grande área.

Destacamos que a análise aqui foi feita na perspectiva gremista. Nela, logicamente que não é o Grêmio que se vê, mas o Lanús. A final é dificílima para o Tricolor, mas, da mesma forma, também será para a equipe argentina. Que vença o melhor.

 * repórter do site Futebol Portenho é um dos maiores conhecedores de futebol latino-americano do Brasil 


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