Mauro Cezar Pereira

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Entrevista: Renato ‘Gaúcho’ Portaluppi diz que estuda o Lanús e garante Grêmio pronto para a final

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
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Renato e os jogadores com o torcedor William, que tem câncer: homenagem surpresa
Renato e os jogadores com o torcedor William, que tem câncer: homenagem surpresa

William, 22 anos, tem câncer na pleura, com metástase nos ossos e na pele. Ele descobriu a doença jogando futebol, caiu machucou o ombro e foi internado. Não o diagnosticaram num primeiro momento, sentiu falta de ar, voltou ao hospital e o mal foi detectado. Deram-lhe seis meses de vida e já luta há três anos.

 Mas sua situação é gravíssima. Fez um último pedido ao pai: conhecer um jogador do Grêmio, fosse reserva, titular, não importava. A história chegou a Renato ‘Gaúcho’ Portaluppi, e o rapaz foi levado ao Centro de Treinamentos por orientação do técnico. William sentia fortes dores e teve que tomar morfina para suportá-las. Ele não sabia quem iria conhecer.

Foi ao CT do Grêmio numa cadeira de rodas que arrumaram na hora. Renato mandou todos os jogadores assinarem uma camisa tricolor e os reuniu no auditório. O rapaz foi levado de surpresa ao local e se deparou com todo o grupo de atletas à sua espera. "Entra, Wiliam", ordenou o treinador. O jovem foi saudado com aplausos do elenco. Ganhou a camisa, fez fotos, foi cumprimentado e recebeu agradecimentos de todos, um por um.

O pai do rapaz mandou fazer uma faixa de três metros em agradecimento aos jogadores e ao Grêmio. A história ocorrida há dias da primeira partida decisiva da Copa Libertadores integrou ainda mais os gremistas em torno do objetivo comum. Renato conversou com o blog, falou sobre esse episódio, de que maneira ele mexe com os atletas, assim como a aventura dos que foram de ônibus ao Equador — clique aqui e leia. Ele analisou o adversário e deixou claro: está estudando o Lanús.

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O jovem William, ao chegar à sala de entrevista do Centro de Treinamentos do Grêmio
O jovem William, ao chegar à sala de entrevista do Centro de Treinamentos do Grêmio

Renato, sua experiência em Libertadores, jogando e treinando o Fluminense na final em 2008, o está ajudando em que desta vez?

Ajuda bastante porque disputei várias Libertadores como jogador e treinador, e é importante passar essa minha experiência dentro e fora do campo, porque é uma competição muito disputada e de muita malandragem também, especialmente pelos times argentinos. Então é importante ter alguém no grupo que possa passar essa experiência toda aos jogadores para que fiquem mais tranquilos.

Como você imagina que vá se comportar o Lanús em Porto Alegre?

Deve vir com seus cuidados, uma coisa normal, para sair daqui vivos, para buscar um bom resultado, tentar achar um gol, apesar de que é um time que gosta de jogar também. Mas sabem que não podem se atirar para cima do Grêmio, é um jogo de 180 minutos, eles terão muitos cuidados, como tiveram contra o River Plate no primeiro jogo da semifinal.

O time está pronto ou falta algum ajuste importante para quarta-feira?

Está pronto, tudo que poderíamos fazer a gente fez, em todos os sentidos, em termos de descansar o time, não perder o ritmo de jogo... Tudo que poderíamos fazer, nós fizemos.

Mudaria algo nessa caminhada?

Não faria nada diferente do que fiz até então. E domingo, contra o Santos, vou segurar 15 a 16 jogadores comigo, os reservas imediatos que jogavam sempre já estão com ritmo de jogo. Ao invés de 11, vamos segurar 15 jogadores, estão todos com ritmo e seria um risco muito grande colocá-los em campo, podemos precisar de um deles logo no começo da partida de quarta-feira.

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Faixa que o pai de William fez para agradecer aos jogadores pela homenagem ao filho
Faixa que o pai de William fez para agradecer aos jogadores pela homenagem ao filho

Quando quer motivar os atletas, qual a importância de torcedores como os que foram de ônibus a Guayaquil e do rapaz com câncer que conheceu o time?

Ontem mesmo peguei a faixa que o pai dele mandou de agradecimento, e falei para o grupo: 'O pai dele não tem condições de comprar um quilo de pão e mandou fazer a faixa agradecendo. Eu falo para eles, vocês têm que olhar para o lado e para trás, para lembrar as dificuldades. Se olhar pra frente e só reclamar esquece o que passou. O grupo ficou muito sensibilizado com o episódio do garoto e no Equador também elogiei nossa torcida que foi de ônibus. Mal viram o jogo e já tiveram que voltar para ver o jogo aqui em Porto Alegre. Temos que valorizar isso e dar uma alegria a eles.

Você tem uma equipe que o ajuda no trabalho de observação dos adversários e um auxiliar técnico, Alexandre Mendes. Como você utiliza as informações, a ajuda desses profissionais?

É sempre importante esse trabalho e ter uma pessoa assim ao lado. Ele é meu braço direito, conheci no Fluminense em 1995, levei pro Vasco e sempre trabalhou comigo. A gente conversa bastante e troca muitas ideias antes durante e depois dos jogos. Duas cabeças pensam melhor do que uma.

Renato está estudando o Lanús?

A gente já viu vários jogos do Lanús. Agora, nesse momento, não estão jogando, mas os dois jogos contra o River já assisti, basicamente é aquilo ali, dificilmente terá uma mudança drástica e conheço muito bem o time deles e eles a nós. Não tem hoje em dia como esconder, a TV a internet mostram tudo. Conosco não é diferente, daqui não escapa nada.

 

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