Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Torcedores encaram 12 mil Km de ônibus durante 11 dias para ver o Grêmio e pedem ‘liberdade para torcer’

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O blog abre espaço para a Geral do Grêmio relatar sua aventura pelas estradas, rasgando a América do Sul, até o Equador, onde foram buscar a vitória e a classificação para a decisão da Copa Libertadores da América, contra o Lanús, da Argentina. Uma aventura marcada pela paixão pelo clube. Inadmissível um jogador de futebol não deixar tudo na cancha sabendo que dezenas de pessoas fizeram tamanho esforço para apoia-los.

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Integrantes da Geral do Grêmio em parada no deserto do Atacama: 11 dias na estrada
Integrantes da Geral do Grêmio em parada no deserto do Atacama: 11 dias na estrada

"Foram 11.786 quilômetros entre ida e volta. De ônibus, enlouquecidos pelo tricolor gaúcho cumpriram uma jornada que durou 11 dias. Certamente uma das maiores viagens de torcida feitas via terrestre no futebol mundial. É preciso deixar bem claro que a Geral do Grêmio não contou com nenhum apoio financeiro da direção do clube. Fez tamanha epopeia com a força própria e com o esforço dos seus torcedores que, literalmente, deixam a vida de lado para alentar o Grêmio onde o Grêmio estiver.

Ao atravessar a Argentina, Chile, Peru e finalmente chegar ao Equador para a partida contra o Barcelona, em Guayaquil, a Geral do Grêmio percorreu as entranhas da nossa América Latina para seguir o Imortal em busca do sonho de conquistar a Libertadores pela terceira vez. Dificuldades como alimentação escassa, estradas perigosas, falta de recurso financeiro, burocracia e atrasos nas fronteiras, entre outros, foram superadas pela parceria entre os 40 sócios do clube que fizeram esta viagem histórica.

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Integrantes da Geral do Grêmio percorreram longas horas com poucas paradas
Integrantes da Geral do Grêmio percorreram longas horas com poucas paradas

As principais dificuldades que enfrentamos, além do óbvio desgaste pelo tamanho da viagem, foram nas Aduanas. Ao perceberem que se tratava de um ônibus de torcida, o mínimo que ficávamos por fronteira para realizar os trâmites era 3 horas. Em alguns casos, 5 horas, como na fronteira do Peru com o Equador. Quando entramos no país do adversário, as complicações aumentaram. Sistema fora do ar, burocracia desnecessária, mas acabou tudo dando certo.

Essas demoras fizeram com que nós cancelássemos algumas paradas para chegarmos antes da partida começar. Mas funcionou perfeitamente, com tensão, mas tudo no roteiro. Quando entramos na arquibancada, no momento em que a banda se posicionou, o Grêmio entrou em campo. 

Ao longo do caminho, outra dificuldade teve ligação com a estrutura precária dos locais que parávamos para fazer a alimentação, tomar banho, etc. Raramente algum lugar que oferecesse estrutura adequada. E foram 11 dias, então praticamente nos mudamos para dentro do ônibus por esse período. E os paradouros longe um do outro, portanto, em vários momentos, passávamos 15, 20 horas sem interromper a viagem. 

Outra questão foi a moeda. A maioria levou dólar achando que seria aceito, mas no Peru e na Argentina, raramente um estabelecimento aceitava dólar, só a moeda local. A questão de reabastecer os suprimentos do ônibus, na estrada também tivemos dificuldades em achar locais adequados para fazermos essas compras.

O dia a dia da viagem era a perspectiva da partida, a ida, depois a volta na Arena, falando sempre de Grêmio, alguns jogos, carteado, filmes, bate papo entre nós, enfim, tudo que pudesse fazer para distrair e passar o tempo. E tivemos muito tempo. Importante ressaltar que este tipo de viagem, este tipo de maratona em torno de um objetivo comum, é o que fortalece a amizade entre os torcedores e cria vínculos de irmandade entre esses loucos pelo Grêmio. 

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Geral do Grêmio no estádio em Guayaquil: chegada em cima da hora
Geral do Grêmio no estádio em Guayaquil: chegada em cima da hora

A repercussão na mídia é bacana, a viagem foi histórica e é sensacional ter este feito reconhecido, inclusive por Renato Portaluppi, que nos citou na coletiva pós jogo, e pelos demais gremistas, que nos aplaudiram ao entrarmos na arquibancada. Além de seguir o Grêmio, o que faz todos os sacrifícios valerem a pena. 

A chegada no estádio foi bem tranquia. Estávamos em cima do laço, mas a escolta policial foi importante para que chegássemos a tempo na cancha. Passamos por milhares de torcedores do Barcelona, mas nada além de xingamentos e provocações. Todo mundo se ajudando, seguindo o lema do Trago, Alento e Amizade, consagrado pela Geral do Grêmio desde a sua fundação.


Gremistas encararam 11 dias de viagem de ônibus até Guayaquil, passando por desertos e precipícios

E a vitória de 3 a 0 fechou com chave de ouro este roteiro inesquecível protagonizado pela torcida. O resultado que garantiu a equipe na final da Libertadores. A Argentina ficou mais perto depois desta peregrinação pelo continente. Estaremos ainda mais fortes na final. O Grêmio tem a nossa devoção.

Acesse a página do Grêmio no ESPN FC, com textos de Eduardo Jenisch

A Geral do Grêmio se coloca entre as mais pesadas torcidas do continente e a festa fortalece a marca do clube. A avalanche fazia parte das chamadas dos programas esportivos. Será que um dia volta? Recebimentos históricos, festas inesquecíveis, tudo isso agrega valor ao Grêmio, comprovadamente trazendo associados à instituição, ajudando a fanatizar os futuros torcedores, além de ajudar o time a conquistar as vitórias. Esta viagem histórica repercutiu em diversos veículos do continente. Pela nossa festa. Só queremos ter liberdade para torcer!

A Geral do Grêmio fez história na América Latina".

No vídeo abaixo, de Ducker, Guayaquil tomada pelos gremistas:



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