Fernando Meligeni

Fernando Meligeni

A morte da mais nobre e interessante competição no tênis

Fernando Meligeni
Getty Images
Tsonga comemora a vitória na Copa Davis deste ano
Tsonga comemora a vitória na Copa Davis deste ano

Rumores existiam desde os tempos em que eu jogava. Falava-se que a Copa Davis mudaria de formato para preservar atletas, porque era muito longa e por motivos que poucos entendiam, mas ganhava força ano a ano.

Na semana passada depois de muitas idas e vindas a Federação Internacional de Tênis decidiu a meu ver acabar com qualquer emoção na competição... 

A partir de 2018 nos grupos 1 e 2 os jogos da Davis serão realizados em dois dias, em melhor de três sets e com um jogo de duplas antes do quarto e quinto decisivo ponto. Como dizem eles, um teste para rapidamente colocá-lo no grupo mundial em breve.

Vocês podem imaginar o que eu acho...

  • Aspecto técnico
 

Joguei 10 anos a competição e afirmo que ela só é tão interessante por ser dramática, longa, cansativa e emocionante. Uma competição diferente do que vivemos no dia a dia. Em um jogo arrastado por causa do barulho, pressão e provocações, a Davis em melhor de 5 sets tira do atleta o seu melhor. 

Jogos estratégicos e zebras impressionantes acontecem. Estratégia de colocar jogadores em confronto direto, Jogos decididos no físico e preparação de uma semana fazem parte de um evento. Não apenas de um jogo!

Jogar Davis para o atleta é algo maior que jogar tênis. Jogar Davis te prepara para a vida no circuito, mentalmente e fisicamente falando.

 

  • A derrota para para o dinheiro e o pouco patriotismo
 

 Vivemos uma nova sociedade sem valores. Vivemos uma sociedade onde o dinheiro manda. Vivemos uma sociedade com pouco engajamento patriótico. Representar seu país virou um saco para muitos ou simplesmente nem um pouco interessante financeiramente.

Na nova geração onde se ganha muito mais que antes, representar o país traz prejuízos ao próximo torneio e com isso se deixa de ganhar uma garantia ou se cansa demais. Na nova geração não se tem mais aquele prazer para representar este ou aquele país. Ser patriota virou demode. Ao invés das nossas entidades darem exemplo e pressionarem os atletas a terem prazer em representar o país eles sucumbem a pressão e abrem a porta para daqui a dois ou três anos todos perceberem que a competição não é mais interessante. Com isso a morte da Davis é evidente

Jogar Davis desde a época de Koch, Mandarino, McEnroe, era como jogar uma Copa do Mundo, ter a maior honraria que um atleta podia ter. Hoje, com essa mudança, o tênis vira mais um esporte que não respeita seus países e vira um esporte totalmente comercial, que só pensa em quanto o torneio e o atleta vai ganhar. 

Se isso é o certo, me desculpem, mas eu quero descer desse ônibus o mais rápido possível!

Que saudade dos países fortes, clubes competentes, atletas patriotas e competições de verdade...