Leonardo Bertozzi

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"Escapar da Argentina aumentou a confiança". Brasileiro que atua na Nova Zelândia conta como o país vive a repescagem

Leonardo Bertozzi
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Guilherme Finkler atua na Nova Zelândia, no Wellington Phoenix
Guilherme Finkler atua na Nova Zelândia, no Wellington Phoenix

Desde que a Austrália se mudou para a Confederação Asiática, a Nova Zelândia viu suas chances de chegar às Copas do Mundo aumentarem. Afinal, as outras seleções da Oceania têm um nível bem inferior. Mas não basta derrotar os vizinhos. Pela ausência de uma vaga direta para o continente, os All Whites sabem que é necessário superar uma repescagem para estar no Mundial. O adversário por um lugar na Rússia será o Peru, quinto colocado nas eliminatórias sul-americanas.

Os neozelandeses sabem que não será fácil encarar Paolo Guerrero e os demais comandados de Ricardo Gareca. Mas a sensação é de um certo alívio, já que havia o risco de duelar com a Argentina, que chegou à última rodada ameaçada, mas acabou conquistando a vaga direta. O brasileiro Guilherme Finkler, meia do Wellington Phoenix, falou ao ESPN.com.br sobre a expectativa no país.

"Tenho colegas de time que atuam na seleção", conta Finkler, de 32 anos. "Na repescagem passada, deram azar de enfrentar o México. Agora, o melhor que poderia vir seria o Peru. As outras opções eram Chile, Argentina, Colômbia... Teoricamente o Peru é o mais fraco. Claro que não é como enfrentar as seleções da Oceania, mas consideram que dá para fazer resultado em casa, no mínimo não perder, e viajar para jogar fechadinho".

O Wellington Phoenix é o único time profissional da Nova Zelândia e disputa a A-League, liga australiana. Finkler se transferiu para lá em 2016, depois de quatro anos atuando pelo Melbourne Victory. Natural de Caxias do Sul e revelado pelo Juventude, o meia afirma que um de seus companheiros de clube, o zagueiro Andrew Durante, luta contra uma lesão para estar no confronto de novembro.

"Duas rodadas atrás ele sofreu uma lesão no adutor e recebeu um diagnóstico de dois ou três meses parado. Mas ele foi ver um especialista e começou um tratamento intensivo. Pode ser que ele tenha chance de ir. É uma luz no fim do túnel. Somos bem próximos e estou torcendo por isso. Para ele seria a cereja do bolo", conta o brasileiro sobre Durante, nascido na Austrália e naturalizado neozelandês.

As vendas de ingressos para o jogo de ida contra o Peru, dia 10 de novembro, explodiram. A expectativa é de bater o recorde de 2009, quando 35.179 pessoas viram o jogo contra o Bahrein. Na ocasião, a vitória por 1 a 0 garantiu a classificação para o Mundial da África do Sul - competição da qual o país saiu invicto, com três empates, incluindo um com a Itália.

No país em que o rugby é tratado como religião, o futebol tem conquistado mais adeptos, especialmente entre as crianças. Mas a pressão que há sobre os All Blacks não existe sobre a seleção da bola redonda.

"Na Austrália, onde eu joguei, já é um pouco diferente" explica Finkler. "Depois de irem à Copa no Brasil, ganharem a Copa da Ásia, ficaram com uma certa obrigação de conquistar a vaga. Vão disputar a repescagem com Honduras, acho que vão se classificar. Aqui na Nova Zelândia há esperança, mas se der certo, deu. Se não der, sabem que perderam pra um time melhor. Se no Brasil o futebol é o primeiro, segundo e terceiro esporte, aqui é o rugby".

Por jogar um campeonato de outra confederação, o Wellington Phoenix não pode se classificar para torneios continentais. Quem acompanha os Mundiais de Clubes da Fifa se acostumou a ver o Auckland City, que já disputou oito vezes o torneio, com um terceiro lugar em 2014. Razão pela qual o brasileiro acredita que seu time poderia fazer um bom papel: "Já fizemos amistosos com eles, são amadores, o nível é bem diferente. Se pudéssemos levar nosso time, poderíamos dificultar para os adversários".

A experiência na A-League não é a primeira de Guilherme Finkler no exterior. Na temporada 2006/07, após ser aprovado num teste, ele foi contratado pelo Wolverhampton, da Inglaterra, mas não chegou a fazer partidas oficiais. Voltou ao Brasil depois de uma passagem pelo Mouscron, da Bélgica. Nada que o desanimasse quando surgiu a oportunidade no Melbourne, em 2012.

"Havia um certo receio, mas para a Inglaterra fui muito novo, pensamento diferente. Ir para a Austrália não foi só uma decisão pelo futebol. Era um país que me interessava pela qualidade de vida. Deu tudo certo", festeja Finkler, até hoje lembrado por um gol de falta nos acréscimos contra o Western Sydney Wanderers, na temporada 2013/14.

Os times da liga australiana podem contratar dois "marquee players", jogadores que recebem acima do teto salarial. Inicialmente, a estratégia foi levar jogadores de renome internacional para atrair público. No Sydney FC, por exemplo, passaram Dwight Yorke, Juninho Paulista e Alessandro Del Piero. Mas, segundo Finkler, este perfil está mudando. Hoje, um dos destaques do Sydney é o atacante Bobô, revelado pelo Corinthians.

"Jogadores como o Del Piero têm uma qualidade absurda e fazem a diferença, mas também têm dificuldade para acompanhar o ritmo físico dos jogos. Hoje os clubes pensam duas vezes antes de contratar jogadores com idade avançada. Preferem pegar jogadores mais novos, mesmo com menos nome", justifica.

As amizades construídas na Austrália resultaram em convite para acompanhar a seleção do país na última Copa. Ele esteve na derrota australiana por 3 a 2 para a Holanda, em Porto Alegre: "Ganhei ingressos e pude levar a família. Hoje tenho amigos na Nova Zelândia e seria ótimo vê-los num Mundial. Mas é mais difícil..."