Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

São Paulo encontra o adversário ideal, o Flamengo freguês de paulistas, apático, banana, perdedor e caro

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Em tese o São Paulo seria o adversário ideal para o Flamengo na tarde chuvosa do Pacaembu. Na prática, foi justamente o inverso. Fragilizado pela ameaça de rebaixamento, vindo de uma derrota para o Fluminense em péssima atuação e jogando fora de sua casa, o Morumbi. O time são-paulino seria, na teoria, um rival menos complicado do que costuma ser para quem o visita. E como tem ocorrido em tantos jogos nesta que é a pior campanha tricolor em campeonatos brasileiros por pontos corridos. Nada disso, na realidade aconteceu o contrário.

Covarde, o Flamengo entrou em campo sem centroavante, '"falso 9" ou seja lá o que fosse, sem alguém capaz de preencher espaços na área inimiga. Uma escalação bizarra de Reinaldo Rueda, somada à estratégia inadequada, jogar em contra-ataques contra um grupo em crise. O time carioca mal ficava com a bola, não ameaçava e chamou o São Paulo. Levou 1 a 0 na bola parada, gol com ajuda do braço de Lucas Pratto, sim, mas nem o erro de arbitragem minimiza a passividade de uma equipe rubro-negra frouxa, incapaz até de reclamar do lance polêmico.

Veja os gols de São Paulo 2 x 0 Flamengo

Tomou o segundo gol em excelente trama do São Paulo. Um contra-ataque! Quatro toques na bola até a fulminante cabeçada de Hernanes, que veio lançado, na corrida, para testar sem ser incomodado após o cruzamento de Cueva. O peruano fez ótimo lance pela direita às costas do seu compatriota, Trauco. O outro conterrâneo, Guerrero, nem saiu do Rio de Janeiro, com “desconforto muscular”. Por sinal, na rodada não só Pratto o superou na tabela de artilheiros como até o Júnior Dutra, do Avaí. Os dois têm sete gols cada, o 9 do Flamengo só seis.

O segundo tempo foi de administração do São Paulo e pressão sem resultado de um visitante que cruzou 42 vezes na área, 39 erradas! Não houve um que chegasse perto daquele que resultou no segundo tento tricolor. Mais um vexame desse Flamengo... banana. Sim, banana pela definição do dicionário, ou seja, "covarde, sem iniciativa".  A vitória são-paulina amplia o retrospecto horroroso dos flamenguistas atuando na cidade de São Paulo, onde residem alguns de seus principais rivais nesse mundo sem distâncias com a integração pela web.

Veja, abaixo, o vídeo publicado pelo perfil @notavel no Twitter, com a luta (praticamente perdida) de Lucas Paquetá, inconformado com os 2 a 0, tentando fazer algo, e os demais, como Arão e Gabriel observando. Toalha jogada. Derrota assimilada, tolerância e intimidade com o fracasso. Uma rotina nesse Flamengo de hoje. 


O quadro abaixo, que foi ao ar no programa Bate-Bola da noite de sábado, na ESPN Brasil, não inclui, evidentemente, o cotejo deste domingo. Mas não é difícil
atualizar os números e perceber a freguesia do Flamengo na Paulicéia. Algo constrangedor se lembrarmos que o atual elenco está entre os mais caros do
país. A relação com o Corinthians diante de tantas derrotas e surras sofridas em solo paulistano é tão grande que parecem números de um confronto dos
corintianos com uma equipe pequena do interior. Um Catanduvense da vida.

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Números vergonhosos do Flamengo jogando na cidade de São Paulo contra times paulistas
Números vergonhosos do Flamengo jogando na cidade de São Paulo contra times paulistas

Nos confrontos com os considerados maiores e mais tradicionais adversários, o campeão do Rio bateu apenas Vasco e São Paulo no turno. Não venceu Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, Atlético, Palmeiras, Corinthians, Santos ou Grêmio. O Flamengo segue colecionador de derrotas, de vexames, e incapaz de se indignar. DNA perdedor, fragilidade psicológica, desordem tática, estratégia incompreensível. Uma mescla ruim que envergonha o torcedor.

No caso do rubro-negro que vive em São Paulo, onde o clube tem a quinta maior torcida, é uma rotina humilhante. Que se acentuou no sofrimento de horas sob chuva para comprar ingressos  — milhares voltaram para casa sem conseguir. Uma série de fracassos que parece não incomodar os responsáveis. Mesmo se vencer todos os oito jogos que restam, o Flamengo só poderá chegar a 70 pontos. Fez 71 em 2016 sem Diego Alves, Rhodolfo, Trauco, Renê, Rômulo, Conca, Éverton Ribeiro, Geuvânio, Berrío, Vinicius Júnior e Rueda. Elenco mais caro, recheado, aparentemente forte, mas time frouxo. Há alguém no clube capaz de consertar?

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