Conrado Giulietti

Conrado Giulietti

Palmeiras e Santos e o (falso) poder dos jogadores

Conrado Giulietti, blogueiro do ESPN.com.br
Invertida em repórter, Levir caindo de avião e omelete de bacon: veja as pérolas de Modesto nesta sexta

Dois episódios comuns uniram Palmeiras e Santos nesta semana. Desta vez não se tratava de Lucas Lima, ou mesmo a briga para quem será o perseguidor oficial do Corinthians, numa tentativa quase nula (e, cá entre nós – insuflada por nós) de termos um campeonato.

Depois da segunda vitória no segundo jogo dirigido pelo interino, pipocaram declarações no Pacaembu dos jogadores alviverdes pedindo a efetivação de Alberto Valentim. Dudu, aliás, fez questão de se posicionar antes mesmo do 2x0 sobre a Ponte. “Na minha opinião, que eu já dei para o Alexandre (Mattos, diretor), para o presidente, para todos, desde a primeira vez que saiu o Cuca, a gente queria que ele ficasse. A gente espera que ele faça um grande trabalho nesses 10 jogos que tem, 11, que já passou um, para que, se Deus quiser, ele possa ter a oportunidade de comandar definitivamente o time no ano que vem”, discursou, ao chegar ao estádio.  Edu Dracena fez coro ao camisa 7 no dia seguinte.

Curioso é que ano passado o bastidor palmeirense insinuava declarações de alguns jogadores chamando para o grupo a responsabilidade pelo título Brasileiro, como se o trabalho de Cuca fosse menor ao que os atletas decidiam entre eles.

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A melhor postura veio, coincidência ou não, do capitão do time. Instigado a opinar sobre a continuidade do interino, Fernando Prass disse que esta é uma decisão que cabe aos diretores.

Já Levir Culpi desembarcou no CT Rei Pelé demitido. Modesto teve o dia de bizarras declarações - “se Levir tropeçar no degrau pode cair”  e a mal explicada parábola do omelete e o porco.

Lembrei na hora do simpático presidente, recém chegado ao posto, dando entrevista a ESPN comendo empadinha num bar da rua Princesa Isabel. Era a perfeita simbologia do seu nome. Um mandatário modesto. Modesto até demais para o tamanho do Santos.

Levir ficou pelas mãos da igrejinha dos atletas – aqui não há menosprezo algum pela religião, e sim referência a união dos líderes.

Os motivos por trás do pedido pouco têm relação com a capacidade do treinador. Esbarram diretamente no conflito velado entre os cardeais do elenco e o diretor de futebol Dagoberto dos Santos.

Não há santo na história.

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É inevitável refletir: os pedidos dos jogadores do Palmeiras por Valentim se dão pela qualidade do profissional, ou pela zona de conforto de quem não vai lidar com alguém maior que eles?

O fico de Levir seria pelo costumeiro (e prazeroso) hábito dos frequentes rachões ou pela certeza do trabalho correto do técnico?

Você consegue imaginar o mesmo cenário em qualquer outro ambiente profissional?

E, cá entre nós, desde quando jogador sabe o que é melhor para o clube?

"O rato come o queijo, o gato bebe leite e eu... Sou palhaço” – Selton Mello no filme “O Palhaço” (2011)

Divulgação
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