Elton Serra

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Carpegiani, o eterno vanguardista, usa do óbvio para fazer o Bahia evoluir no Brasileirão

Elton Serra, blogueiro do ESPN.com.br

Felipe Oliveira/EC Bahia
Paulo César Carpegiani é o quarto treinador do Bahia em 2017
Paulo César Carpegiani é o quarto treinador do Bahia em 2017

O Bahia conquistou quatro pontos em duas partidas sob o comando de Paulo César Carpegiani, e é lógico que quase todos fazem relação dos resultados com o trabalho do novo técnico do tricolor. É cedo para dizer que o gaúcho mudou a cara do time, mas algo não se pode negar: Carpegiani não pode ser colocado na galeria dos ‘ultrapassados’ do futebol brasileiro.

A discussão sobre o nível de conhecimento dos treinadores em nosso país já dura um bom tempo. Quando aparece um novo nome no mercado, a esperança é de que ele revolucione e traga novas ideias, sobretudo táticas. Porém, a cada fracasso, a frustração toma conta da maioria dos analistas. Foi assim com Roger Machado, Rogério Micale, Zé Ricardo, Rogério Ceni, dentre outros. Jair Ventura, com um bom trabalho no Botafogo, e Fábio Carille, líder do Brasileiro com o Corinthians, são as exceções. Sobram os chamados ‘medalhões’: Mano Menezes, campeão da Copa do Brasil com o Cruzeiro; Renato Gaúcho, o famoso ‘técnico boleiro’, que conquistou a mesma copa em 2016, com o Grêmio; Cuca, quase sempre ortodoxo, faturou o Brasileirão do ano passado.

Apesar de contestados, os técnicos de uma geração mais antiga seguem em alta no mercado. Não era o caso de Paulo César Carpegiani. A última vez em que Carpê treinou uma equipe do chamado G-12 foi entre 2010 e 2011, quando comandou o São Paulo. Seus últimos anos tem sido de trabalhos razoáveis, como nas passagens por Vitória, Ponte Preta e Coritiba. Desde 2009, quando foi campeão estadual com o rubro-negro baiano, não levanta uma taça. No Bahia, tem a chance de mostrar que não está superado.

Carpegiani sempre defendeu que futebol é jogo de imposição de estilos. Seus times tentam jogar de forma propositiva, independente do adversário. Paga caro, muitas vezes, por ceder espaços e sofrer com contragolpes rivais, mas não abre mão de atacar. O Bahia dois últimos dois jogos é prova disso.

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Mesmo sendo defensor da posse de bola, Paulo César Carpegiani teve que abrir mão de algumas convicções para encarar Palmeiras e Corinthians. Contra o alviverde, teve mais posse de bola no primeiro tempo (53,2%), mas jogou muito melhor na etapa final, quando teve “apenas” 46,8%. Diante do alvinegro, a história se repetiu: 58,9% de posse de bola nos primeiros 45 minutos e 43,3% na segunda metade do confronto. Dos quatro gols marcados nas duas partidas, três aconteceram nos períodos em que o tricolor teve a bola nos pés por menos tempo.

Carpegiani, em suas primeiras semanas treinando o Bahia, já mostrou que a prioridade é reorganizar taticamente a equipe, que já mostra uma compactação perdida durante a passagem de Preto Casagrande. O time oferece menos espaços aos adversários e, ao mesmo tempo, ataca em bloco. Mesmo criando poucas chances de gol contra Palmeiras e Corinthians (13 chutes, no total), foi eficiente graças ao seu posicionamento ofensivo.

O novo técnico do Bahia, óbvio, não está entre os mais badalados do país faz um bom tempo. No entanto, mostra conceitos de jogo que se encaixam perfeitamente na realidade do futebol brasileiro. Pelo seu conhecimento, poderia contribuir para a evolução tática do esporte no país, mas pode, ao menos, levar o Bahia a um patamar superior na atual edição do Brasileirão.