Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Cuca deveria fazer a viagem prometida em 2016, e pode até embarcar de calça vinho

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Cuca deixou o Palmeiras em 2016 prometendo viajar. Iria à Itália, se reciclaria, veria técnicas de treinamento e de montagem de equipes que pudessem enriquecer seu repertório. Voltou ao clube meses depois e nunca mais falou a respeito.

Em campo não apresentou ideias diferentes das que levaram ao título brasileiro. Era um time competitivo, mas de futebol pobre, campeão em meio à mediocridade que costuma imperar em nossos times e que era acentuada ano passado.

Apenas 55% de aproveitamento em 33 jogos, nenhum título, duas eliminações (Copa do Brasil e Libertadores), distância imensa do líder da Série A. Em momento algum o Palmeiras desafiou o Corinthians no atual campeonato brasileiro.

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Cuca já foi um técnico ousado, que arriscava e encontrava soluções criativas. Hoje tem repertório curto e não mais consegue achar saídas com o que tem, pelo contrário, fala em formação de elenco como se apenas assim pudesse dar certo.

O mau futebol da temporada atual é reflexo da falta de algo prometido em 2016, quando o treinador recorria à pressão por títulos brasileiros para justificar o "vencer de qualquer jeito" que então imperava. É pouco para o Palmeiras.

Claro, há gente de pensamento pequeno, esses só olham o resultado e não percebem que o bom futebol aproxima das vitórias. As muletas habituais para esses são frases como "de que adianta jogar bonito e não ganhar?"

Raciocínio tacanho, por que não é a subjetiva beleza do jogo que se discute aqui, mas sua eficiência, o jogar bem, praticar bom futebol. E obviamente não há relação entre atuar mal e vencer, algo que ocorre eventual e circunstancialmente. 

Nesse mercado no qual a dança das cadeiras dos treinadores não para, Cuca se encaixará cedo ou tarde. Mas seria ótimo se antes disso ele fizesse a tal viagem à Itália, quem sabe com algumas escalas e bons livros sobre futebol na bagagem?!

O futebol brasileiro precisa urgentemente de técnicos que consigam fazer a caminhada percorrida por Tite. Não é fácil, é preciso vontade, inteligência, humildade e fé. Pouco importa se ao entrar no avião estará vestindo calça vinho.  

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