Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Micale, o 'estudioso', tira nota baixa e fracassa no Atlético do presidente cada vez mais atrapalhado

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
Gazeta Press
Rogério Micale, demitido do Atlético após 13 partidas na temporada 2017
Rogério Micale, demitido do Atlético após 13 partidas na temporada 2017

Rogério Micale tem sua trajetória no futebol escrita nas divisões de base. Foi parar na CBF e, com a demissão de Dunga, ficou encarregado de comandar a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Foi sofrível o desempenho nos primeiros cotejos diante de adversários risíveis. Com um grupo de jovens, mas experientes e integrantes de elencos profissionais, o treinador ainda tinha Neymar à disposição. Era imperativo mostrar mais.

 Enfim o time se ajeitou, sofreu para bater a Alemanha C na final, ficou com o ouro olímpico, mas não convenceu. Perdeu o emprego meses depois, quando o Brasil (5º entre seis seleções no sul-americano) não se classificou para o Mundial Sub-20.

Mesmo assim, não demorou a reaparecer o Atlético no caminho de Micale. Desta vez não para treinar a base, mas o time profissional. Foram apenas 13 pelejas e a demissão após a derrota (mais uma) em casa: Vitória 3 a 1.

Veja os gols de Atlético-MG 1 x 3 Vitória

 

Lá atrás, pelo perfil "estudioso", Micale arrebatou a simpatia de padre da mídia antes mesmo dos Jogos Olímpicos. Houve quem apostasse forte no treinador, que simplesmente não fez por merecer tal apoio, quase incondicional em alguns casos.

Futebol é muito mais do que a tática e o estudo, por mais que sejam vitais. Apenas não bastam. É preciso liderança, capacidade para administrar egos, tirar da preguiça os acomodados e carisma a ponto de dar segurança a meninos.

Independentemente disso, o Galo de Micale é frágil. O "estudo" não resolveu. No segundo turno do Campeonato Brasileiro, só Abel Braga (Fluminense), Renato "Gaúcho" Portaluppi (Grêmio), Marcelo Oliveira (Coritiba) e Vanderlei Luxemburgo (Sport) têm resultados piores do que os do ex-atleticano.

Os dois gols do Vitória no Horto a partir de lançamentos do goleiro escancararam uma equipe exposta. Um Galo que mais assustou nos chutes de Otero do que em jogadas que mostrem um trabalho em andamento. É um time desorganizado.

Sim, foi pouco tempo para Micale ajustar tudo, mas ele poderia (e deveria) mostrar evolução, progressos, um caminho. Não conseguiu. Já havia sido fraco o desempenho nos empates com Palmeiras, apenas cruzando na área, mesmo atuando em casa contra dez homens e depois nove; e Avaí, no Sul.

Não fosse o gol no final sobre a Ponte Preta, em Campinas, o Atlético estaria sem vencer há cinco partidas. Em casa não ganha desde a estreia no returno, contra um Flamengo que acabara de mandar seu técnico embora.

 

Bruno Cantini/Atlético-MG
Roger Machado não se sustentou à frente da equipe e foi demitido
Roger Machado não se sustentou à frente da equipe e foi demitido

Roger Machado caiu com 44% de aproveitamento no Brasileiro, seu sucessor cravou 36%. Mas quem seria o principal culpado? Enquanto o caro elenco coleciona vexames, quem contrata e dispensa o faz como se não fosse sua responsabilidade o ano absolutamente pífio do Galo.

Nos últimos dias a torcida ficou inebriada com a perspectiva de um estádio. Algo obviamente discutível, pelo investimento e numa avaliação sobre a real necessidade. Mas raros querem refletir a respeito. Por instantes esquecem o time. Enquanto isso, o presidente segue atrapalhado à frente do futebol.

Trocar o treinador não será a solução, caso siga a mesma mentalidade. Até porque foi Daniel Nepomuceno quem buscou Micale e no ano passado Marcelo Oliveira, dispensado entre o primeiro e o segundo jogos finais da Copa do Brasil. Escolhas estranhas de quem não entende o futebol.

 

Nepomuceno cobra classificação para Libertadores de 2018: 'É obrigação. Acabaram as desculpas'

O vídeo acima mostra como faltam predicados futebolísticos ao cartola. Ele age como se cobranças públicas fossem o bastante. Claro que em qualquer ambiente profissional são cobradas metas, resultados, mas como fazer para chegar até eles?

Pior, o presidente sequer tem o perfil "estudioso" para arrebatar apoio de alguns setores da imprensa esportiva, como ocorreu com Rogério Micale. Ainda mais depois de despacha-lo. Se é que o treinador ainda tem prestígio com quem nele apostava. Há motivos? É possível que alguém ainda os veja.

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