Gustavo Hofman

Gustavo Hofman

O Vitória de Guimarães não escalou europeus como titulares na Liga Europa

Gustavo Hofman

Assista aos gols do empate entre Vitória de Guimarães e RB Salzburg em 1 a 1!

Douglas Jesus (BRA), Víctor García (VEN), Jubal (BRA), Pedrão (BRA) e Ghislain Konan (CMR); Paolo Hurtado (PER), Alhassan Wakaso (GAN) e Guillermo Celis (COL); Sebastián Rincón (COL), David Teixeira (URU) e Raphael (BRA). Esse foi o time que o Vitória de Guimarães mandou a campo na estreia pela Liga Europa, diante do Red Bull Salzburg, na quinta-feira.

Foi a primeira vez que um clube não escalou ao menos um jogador nascido na Europa nas fases decisivas das competições continentais  - o Beveren, da Bélgica, fez isso em dois jogos pelas fases preliminares da Copa Uefa de 2004-05, contra Levski Sofia e Vaduz. Quatro brasileiros, dois colombianos, um venezuelano, um peruano, um uruguaio, um marfinense e um ganês formaram o 11 titular definido pelo técnico Pedro Martins, que não se importou muito com o fato inédito. Sebastián, inclusive, é filho de Freddy Eusebio Rincón.

"Não vejo as coisas dessa forma. São jogadores que vestem e honram a camisa do Vitória, se têm qualidade merecem estar aqui. Não jogaram portugueses ou europeus, mas muitos deles fazem parte da formação do Vitória", explicou o treinador na coletiva de imprensa depois do empate em 1 a 1 no estádio Dom Afonso Henriques.

Pelo Campeonato Português, onde o Vitória é o sétimo após cinco rodadas, a escalação chegou perto de ficar seu europeus. No domingo, o triunfo por 1 a 0 sobre o Boavista contou com apenas dois portugueses entre os titulares, Kiko e Sturgeon. O primeiro, inclusive, entrou durante o empate com o Salzburg - assim como mais um brasileiro, Rafael Miranda, e um cabo-verdiano, Héldon.

O Vitória de Guimarães está no grupo de times considerados a quarta força de Portugal. Foi campeão da Taça de Portugal em 2013 e na temporada passada ficou atrás apenas dos três grandes do país na classificação do Campeonato Português - por isso joga a Liga Europa agora. Vinte e nove jogadores aparecem na lista do plantel disponibilizada pelo site oficial do clube. São 12 portugueses, além de toda comissão técnica, também oriunda de Portugal. Todos os demais nasceram na América do Sul ou na África. Essa é uma realidade comum no país, onde a maioria dos clubes tem muitos estrangeiros, principalmente brasileiros. Já houve casos de times que disputaram partidas pela primeira divisão sem atletas portugueses.

"O impacto dos estrangeiros em Portugal já foi mais positivo. Tivemos uma primeira onda de jogadores brasileiros de nível muito alto que deram muita qualidade ao nosso jogo. Depois, pelos anos 90, começaram as ondas de jogadores de leste, da Bulgária, Romênia, mais tarde também da ex-Iugoslávia. Uma vez mais esse impacto foi positivo, criando maior competição pelos lugares nos plantéis e maior capacidade de escolha. Hoje em dia, o número de estrangeiros estará já um pouco influenciado pela forma como os empresários olham para Portugal, como porta de entrada para outros campeonatos. Por haver menos capacidade financeira, a qualidade dos jogadores também baixou. E vivemos uma situação em que a classe média de jogadores portugueses sai para outras ligas europeias médias, como Chipre, Romênia, Bulgária, enquanto a nossa Liga tem um número muito elevado de estrangeiros", avalia o comentarista da Eurosport Portugal, Luís Cristóvão.

A natural preocupação que surge envolve a formação de atletas. Recentemente, porém, as seleções portuguesas menores obtiveram bons resultados. Em 2015 foi vice-campeã europeia sub-21, no ano passado ganhou o Mundial sub-17 e em julho deste ano ficou com o vice no Europeu sub-19. Além disso, nomes importantes surgem desse trabalho de base, como o meia Renato Sanches, por exemplo.

"O número de estrangeiros na Liga é uma consequência da profissionalização e do mercado. As equipes querem ter as melhores opções possíveis e procuram por todo o mundo. Acho essa competição saudável para o jogador português. O problema é termos visto nos últimos anos um número muito grande de estrangeiros também no Campeonato Nacional sub-19. Muitos jovens africanos e brasileiros aparecem nessas equipas. Aí, talvez já possamos falar de um entrave à competição de jovens jogadores nacionais em formação. E sim, por aí, poderá haver um problema maior para encontrar jogadores em termos de futuro. Ainda assim, no plano atual, Portugal continua a ter muitas e boas escolhas para as suas seleções jovens. Apesar de haver essa preocupação, a maioria das pessoas ainda não vê isso como algo que precisa ser mudado", alerta Cristóvão.