Gustavo Hofman

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Luan tem futebol para jogar em uma liga forte da Europa, mas não pode perder a oportunidade russa

Gustavo Hofman

Gazeta Press
Luan, no empate entre Grêmio e Cruzeiro no Mineirão pelo Brasileiro
Luan, no empate entre Grêmio e Cruzeiro no Mineirão pelo Brasileiro

O atual campeão russo não começou bem a temporada. Após quebrar jejum de 16 anos sem o título nacional, o Spartak Moscou sonha em conquistar o bicampeonato, só que o cenário não é tão favorável. Sem nenhuma grande contratação, viu o rival Zenit São Petersburgo movimentar o mercado e ficar ainda mais forte.

A prova concreta disso veio no último final de semana com a goleada sofrida por 5 a 1, fora de casa. Enquanto Roberto Mancini troca argentinos por brasileiros na cidade dos czares, o treinador italiano Massimo Carrera busca justamente no Brasil sua nova estrela.

Se concretizada a negociação, Luan se tornará o primeiro reforço de peso do Spartak nesta temporada. Até aqui o clube investiu um milhão de euros no jovem lateral Georgi Tigiev, ex-Anzhi Makhachkala, acertou o empréstimo do meio-campista crota Mario Pasalic, que jogava no Milan cedido pelo Chelsea, e contratou a custo zero o lateral-direito sérvio Marko Petkovic, ex-Estrela Vermelha.

Carrera escala o time no 4-4-2 com dois brasileiros na formação inicial: Fernando, ex-Grêmio e Sampdoria, é um dos meio-campistas centralizados e Luiz Adriano, um dos dois atacantes. A história com o Brasil já rendeu nomes com passagens marcantes pelo clube, como Alex (ex-Guarani e Internacional) e Welliton (ex-Goiás), mas houve também Alexandre Lopes (os corintianos se lembram...).

Taticamente, se o esquema for mantido, Luan teria dois cenários para jogar: aberto pelos lados, com a necessidade de fazer a recomposição defensiva na segunda linha - só que pela direita, já que na esquerda Quincy Promes tem sido o melhor do time; como segundo atacante/meia central, próximo de Luiz Adriano - acho mais provável e certamente teria rendimento melhor.

Financeiramente, não dá para recusar uma proposta superior a 20 milhões de euros (70% para o Grêmio) por um jogador de 24 anos, cujo contrato termina no ano que vem. Isso vale para os dois lados, clube e atleta: no caso gremista, por pior que isso seja para a sequência de uma temporada tão boa e com perspectiva de título(s); E para Luan, que não sabe se terá outra oportunidade tão lucrativa quanto essa.

Esportivamente, trata-se de mudança para uma liga que não está entre as melhores da Europa. O Campeonato Russo faz parte do segundo escalão no continente e, inclusive, já esteve melhor. Na década passada os investimentos eram maiores e os times melhores, com boas participações em competições continentais - CSKA Moscou e Zenit venceram a Liga Europa em 2005 e 2008, respectivamente. Nesta década as grandes contratações diminuíram e o nível do torneio caiu.

Em termos de estrutura, vai encontrar as melhores condições possíveis de treinamento, sem dúvida alguma. Atuará na Otkrytie Arena, um dos palcos da Copa do Mundo de 2018 e belíssimo estádio. Aliás, o Mundial é algo que, certamente, está no radar de Luan.

Nesse caso específico, não vai se prejudicar muito. Tite afirma para todos atletas que o mais importante é estarem jogando bem pelos seus clubes. Como Luan já faz parte da lista de atacantes observados pela comissão técnica, caberá a ele subir o nível para conseguir mais convocações - não é uma figura frequente. De maneira alguma ficará escondido e ainda terá seis jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões para "aparecer".

Acredito, sinceramente, que Luan tem futebol para jogar em uma das cinco grandes ligas europeias - Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França. No entanto, as propostas que chegaram desses centros ao Grêmio não alcançaram o valor oferecido pelos russos, e quanto a isso não há muito o que fazer.  Apenas compreender a realidade.