Gabriela Moreira

Gabriela Moreira

Chape alega 'perda de foco' para demissão de Mancini; técnico nega: 'É sacanagem'

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

A demissão de Vagner Mancini ainda não foi satisfatoriamente explicada. A saída recente do treinador levantou questionamentos sobre a Chapecoense. O Blog voltou ao clube para entender o real motivo do desligamento do profissional e falou com funcionários da área técnica e administrativa, passando por atletas e porta-vozes do clube. O diagnóstico, segundo todos eles, é que Mancini não foi demitido apenas por resultados, mas por problemas de "relacionamento" e "perda de foco". O treinador nega as afirmações levadas pela reportagem a ele.  

 "Não foi somente por resultado, mas uma série de problemas internos como perda de foco e de relacionamento com pessoas do clube que nos levaram a tomar essa decisão", disse à reportagem o diretor de futebol João Carlos Maringá. 

 "A justificativa que o presidente me deu foi resultado. Ele disse: estou te demitindo por falta de resultado. Eu questionei, porque vencemos no estadual, passamos na Libertadores, estamos vivos na Sul-Americana e no Brasileiro, estamos dentro do planejado. Eu vivi a Chapecoense 24 horas por dia", rebateu ao Blog o treinador. 

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Vagner Mancini questiona afirmações da Chape de que ele teria 'perdido o foco' após bons resultados na Chape
Vagner Mancini questiona afirmações da Chape de que ele teria 'perdido o foco' após bons resultados na Chape

A perda de foco, segundo pessoas ouvidas no clube, teria começado há cerca de dois meses. O treinador não apresentava a concentração desejada nos treinamentos e demais atividades com o time havia algumas rodadas. Segundo o clube, conversas individuais foram feitas com Mancini neste sentido. À reportagem, fontes disseram que o comandante chegava muito em cima da hora para alguns treinos na Arena Condá e sem a devida preparação. Não planejava as atividades com o grupo e parecia disperso durante os treinamentos. Além disso, o clima, que já era de tensão entre ele e demais membros do futebol, piorou bastante após a derrota para o Flamengo por 5 a 1.  Nesta ocasião, o diretor Maringá falou ao grupo antes da entrada no campo porque Mancini estaria ocupado ao telefone. A iniciativa incomodou bastante o treinador, que discutiu com o vice e vetou que o dirigente viajasse com a delegação a partir de então.  Além do diretor, foram vetadas das viagens o chefe da segurança e o massagista, funcionário mais antigo do clube.

Outra determinação que incomodou foi a proibição de conselheiros e diretores fazerem a tradicional corrente pré jogo nos corredores do vestiário da Arena Condá.

As mesmas informações foram narradas ao Blog por seis fontes distintas, entre atletas e outras pessoas que afirmam ter presenciado a discussão,  mas Mancini negou veementemente que tenha se atrasado para qualquer atividade, que tenha perdido o foco ou que tivesse algum mal estar com os diretores do futebol profissional:

 "Nunca me atrasei, não gosto de atraso. No elenco, tinha multa por cesta básica e nunca levei nenhuma. Mentira, nunca tive atraso nenhum.  Eu tinha um ótimo relacionamento com todos no futebol. Isso é uma sacanagem o que estão te contando", disse. 

Relação direta com o presidente 

Mas os problemas de relacionamento teriam começado antes das discussões públicas. Desagradava o fato de Mancini falar diretamente com o presidente Plínio David de Nês Filho, o Maninho. Nestas conversas, o treinador levaria questionamentos de outras áreas do clube.

 "Realmente eu ia ao presidente, porque ele veio até mim dizer que confiava em mim. Não vou expor a política. Eu nunca passei por cima de ninguém. O presidente pediu para eu ir até ele", disse Mancini.

 O Blog questionou a Chapecoense sobre esta questão, mas o clube disse que não iria entrar em detalhes.  

Sobre desentendimentos, sobretudo com a base, Mancini confirmou que houve "incompatibilidade":  

 "Houve realmente uma incompatibilidade. O departamento amador não estava agindo de acordo com o determinado pela diretoria de futebol. Mas eu tinha um ótimo relacionamento com todos no futebol. No amador, não me dava, mesmo. Não estou preocupado A ou B da Chapecoense estão falando", rebateu o treinador. 

 Questionamentos técnicos

 Por fim, a insistência em adotar uma postura muito ofensiva dentro de campo, na visão da Chapecoense, começou a atrapalhar o rendimento. Em alguns jogos, o técnico foi desaconselhado a jogar com três atacantes (Wellington Paulista, Rossi e Arthur Caíque) e não abriu mão desta ideia. As críticas não foram bem recebidas, o que teria acirrado o distanciamento entre o departamento de futebol e o treinador. 

 "O resultado foi importante também, em nove rodadas o time perdeu sete, empatou uma e ganhou apenas uma, mas foi um conjunto de outros problemas que prefiro não detalhar".