Gustavo Hofman

Gustavo Hofman

Com retorno de gigante e estreantes, Russão abre a temporada da Copa do Mundo

Gustavo Hofman, para o ESPN.com.br
Divulgação
Luiz Adriano está no Spartak
Luiz Adriano está no Spartak

Em 14 de junho de 2018, a Rússia entrará em campo na abertura da Copa do Mundo. Até lá, porém, os torcedores no país terão uma temporada inteira de futebol pela frente. Neste sábado começa a 26a edição do Campeonato Russo, com o retorno de um gigante e dois estreantes.

Após ter caído em 2016, o Dynamo Moscou não teve dificuldades na segunda divisão e está de volta à elite. Quem aparece pela primeira vez é o Tosno, clube da cidade com o mesmo nome localizada na região de São Petersburgo - inclusive vai mandar os jogos no antigo estádio Petrovskiy, antiga casa do Zenit. O outro caçula é o SKA Khabarovsk, localizado no extremo leste do país, a 30km da fronteira com a China.


Curiosidades à parte, na ponta de cima da tabela o Spartak Moscou vai defender o título que não conquistava há 14 anos. Inicialmente terá como grandes rivais os mesmos que lutaram em 2016-17, ou seja, CSKA Moscou e o Zenit São Petersburgo. Há quem aposte em mais times. "Acredito em Zenit, CSKA e Locomotiv Moscou. Os times fizeram grandes contratações, vai ser uma temporada mais complicada, o nível aumentou ainda mais", afirma Luiz Adriano, atacante do Spartak.

O ex-jogador de Milan e Shakhtar Donetsk chegou na metade da temporada passada na equipe treinada pelo técnico italiano Massimo Carrera. Ele será um dos 17 jogadores brasileiros espalhados por nove dos 16 clubes da primeira divisão. O único da Seleção Brasileira atualmente é o meia Giuliano, que também aposta no equilíbrio.

"O CSKA é sempre uma equipe muito forte, considerada uma equipe de título. Da mesma forma o Spartak, que venceu a competição na temporada passada, e por ter uma equipe muito forte são os favoritos também. Eu colocaria, além de nós, Zenit, Spartak e CSKA, o Krasnodar, que é uma equipe de muita qualidade técnica. No ano passado não teve um grande resultado, mas é um time que dificulta muito a vida dos outros", opina o ex-meia de Internacional, Dnipro Dnipropetrovsk e Grêmio.

A lista de jogadores nascidos no Brasil, porém, é maior. Afinal de contas, Cataguases e São Caetano do Sul seguem pertencendo a Minas Gerais e São Paulo, respectivamente, terras de Guilherme e Mário Fernandes. Porém, os atletas de Lokomotiv e CSKA já defendem a seleção russa, naturalizados, assim sendo futebolisticamente estrangeiros para nós.

Há brasileiros de menor fama, como o atacante Jonathas, do Rubin Kazan, ex-Real Sociedad, além de jovens promessas como Léo Jabá, ex-Corinthians, e Ravanelli, ex-Ponte Preta, ambos no Akhmat Grozny. E essa é outra boa história do Russão 2017-18.

Lembram do Terek Grozny? Clube tradicional, quinto colocado na última temporada? Agora se chama Akhmat em homenagem ao pai de Ramzan Kadyrov, presidente da Chechênia e manda-chuva no time. Akhmat Kadyrov foi o primeira presidente da república chechena e morreu em um atentado terrorista em 2004. O Terek, ou melhor, o Akhmat tem sido nos últimos anos uma ferramenta política de Ramzan na propaganda de seu governo totalitário e radical.

Já o estreante SKA vai reservar viagens continentais a todos os times, como já fizera em outros anos o Luch-Energiya Vladivostok. A distância de Khabarovsk para São Petersburgo, por exemplo, em linha reta, é de 6.214 km. Na cidade dos czares o Tosno, clube fundado em 2013, vai estrear também e com brasileiro no "elenco".

Michel Huff é preparador físico e trabalha há muitos anos no Leste Europeu, tendo passado por Metalist Kharkiv (Ucrânia) e Sheriff Tiraspol (Moldávia). Chegou há pouco mais de um mês para comandar o departamento físico e ajudar na contratação de sul-americanos. "O clube está construindo seu próprio centro de treinamentos, que deverá ficar pronto em setembro na região metropolitana de São Petersburgo. A expectativa é permanecer na primeira divisão e o objetivo maior tentar uma vaga na Liga Europa do ano que vem. O clube está iniciando um projeto de estruturação e inserção no futebol europeu tendo um patrocinador forte do ramo imobiliario e construção civil", explica.

Entre os treinadores, alguns nomes de peso vão aparecer nos estádios do Russão. Por exemplo Roberto Mancini, que substituiu o romeno Mirca Lucescu nesta pré-temporada no Zenit. E o italiano já promovou mudanças no cotidiano de treinamentos dos atletas.

"Com a chegada do Mancini mudou um pouco a filosofia, o método de trabalho. Ele é um treinador que gosta muito de fazer treinamentos táticos, técnicos, específicos e também muito coletivo. Estamos nos adaptando, é um início e sabemos que futebol, mais do que qualquer coisa, é resultado", sintetiza Giuliano.

Nas competições continentais, o Spartak tem a missão mais complicada, já que está garantido na fase de grupos da Champions League. "O nosso elenco é muito bom. Mas acredito que ainda precisamos de alguns reforços para nos ajudar a brigar por coisa grande na Liga dos Campeões. Vamos ter jogos praticamente a cada três dias nesta temporada, então, precisamos ter um elenco numeroso e de qualidade", garante Luiz Adriano.

O CSKA entra na terceira fase preliminar da Champions, enquanto o Lokomotiv vai para a fase de grupos da Liga Europa e Zenit e Krasnodar na terceira preliminar.

Tudo isso em alguns dos palcos da Copa do Mundo. Mais especificamente três: Otkrytiye Arena, casa do Spartak, Krestovskiy, novo e caríssimo estádio do Zenit, e a Kazan Arena, sede do Rubin. Para a próxima temporada, outros clubes terão novas arenas, como o Rostov, mas aí é assunto para depois do Mundial. Até lá, alguns, como Giuliano, alimentam os sonhos.

"Hoje, graças a Deus, me coloquei em uma posição importante para a realização de um sonho que é vestir a camisa da Seleção Brasileira, mas ainda faltam 11 meses para a Copa. O tempo está passando rápido, e muita coisa pode acontecer, muita coisa pode mudar. O Tite sempre fala que o nosso desempenho no clube é o que vai nos levar a ter chances na Seleção. Então não posso entrar na zona de conforto e achar que sou mais um jogador na Copa. Tenho que demonstrar meu trabalho no dia a dia e fazer bem no meu clube para ter oportunidade na Seleção. Claro que, desde já, é inevitável sonhar com uma Copa do Mundo vivendo no país da Copa, vestindo a camisa da Seleção e jogando nos estádios do Mundial".