Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Palmeiras x Corinthians, o dérbi e uma lição: dinheiro não compra tudo no futebol

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

A avassaladora campanha do Corinthians desperta curiosidade e incredulidade. Explicar o que se passa virou desafio para muitos de nós. Mas o entendimento do fenômeno alvinegro não é tão difícil. O diferencial entre o campeão paulista e líder absoluto da Série A é algo raro no futebol brasileiro, dentro e fora de campo: organização.

Se na administração os últimos anos foram terríveis para os corintianos, com a dívida crescendo, jogadores saindo e o estádio se transformando num problema além da casa do bilhão de reais, na cancha ocorre o inverso. O ex-auxiliar Fábio Carille pautou seu primeiro trabalho solo na estrutura da equipe, começando pela defesa. E avançou.

Nos (fáceis) 2 a 0 sobre o rival, a solidez de sempre na retaguarda e o conjunto que faz jogadores questionados brilharem. Mesmo ofuscado pela noite especial de Guilherme Arana, Romero foi decisivo. No primeiro gol (vídeo abaixo) ele espera a chegada do lateral e faz o passe entre dois palmeirenses. E por elevação acionou Arana no segundo tento.

Brasileiro: Gols de Palmeiras 0 x 2 Corinthians 


Atuasse num time desorganizado, provavelmente o paraguaio cruzaria a bola na área aleatoriamente quando a alcançou perto da linha de fundo. No organizado Corinthians, esperou, passou e criou a situação que gerou o pênalti. Jogasse no Palmeiras, dificilmente Romero brilharia. O destaque individual nesse Corinthians nasce do jogo coletivo.

O contraponto esteve de verde. Campeão brasileiro jogando um futebol muitas vezes rudimentar, mas que se mostrou competitivo, ajudado por talentos não mais disponíveis (Gabriel Jesus, negociado; e Moisés, contundido), o Palmeiras involuiu. O jogo de pressão e briga pela segunda bola após ela cumprir trajetórias aéreas, não funciona mais.

Falta a defesa forte de 2016, com imensa entrega. Também falta eficiência nas pelotas alçadas. Nem mesmo as tramas ensaiadas, têm encaixado. O reflexo foi a desorganização, ampliada pelas confusas mudanças feitas por Cuca. O técnico não apresentou, até aqui, qualquer proposta de jogo diferente, segue tentando repetir o que vimos em 2016.

Poucos treinadores no futebol brasileiro são capazes de realmente organizar seus times, a mescla de uma defesa eficiente, capacidade de controlar o jogo (com posse de bola, ou não), e um mínimo repertório ofensivo. Carille é capaz, e os resultados ampliam a confiança do Corinthians, o que resulta num time equilibradíssimo. O Palmeiras de hoje, pelo contrário. E isso o dinheiro não pode comprar.

Carille comemora desempenho e vitória do Corinthians: 'Tudo o que tínhamos planejado, aconteceu'

20 itens que ajudam a decifrar o Corinthians
1. Time que menos cruza, 18,3 vezes por jogo. Os que mais levantam a bola na área adversária são Atlético Goianiense (26,3) e Flamengo (26,2).
2. 4º que mais defesas faz, 5,2 por jogo, enquanto a Chapecoense aparece no outro extremo da lista, com 2,4.
3. 14º em desarmes certos, 15 por cotejo, enquanto o Cruzeiro lidera o ranking com 18,4.
4. Equipe que mais faz interceptações (recupera a bola interrompendo o passe adversário) certas, 5,6 de média. O pior é o Atlético Paranaense, com 2,0.
5. Time que mais tenta o drible, ao lado de Palmeiras e Santos, 5,5 por partida, o que menos arrisca é o Cruzeiro, média de 2,6.
6. Equipe que menos escanteios tem a favor, 4,4 por cotejo, o Flamengo está no outro lado da lista com 6,8.
7. 7º que mais sofre escanteios, 6,0, enquanto o Atlético Paranaense é o que mais escanteios tem contra, 7,4; e a Chapecoense menos, 2,8.
8. 5º time que menos sofre faltas, 13,7. Já o Vitória tem 11,3 e Fluminense, o que mais leva faltas, 18.
9. Equipe que menos comete faltas, 12,2. O mais faltoso, Palmeiras, soma 18,2 por partida.
10. 2º time que menos finaliza, 10,1 por jogo. Avaí é o que menos arremata, 9,5, com a Chapecoense aparecendo como líder do ranking, 16,3
11. 2º melhor média de gols marcados, 1,8. Grêmio 1,9 e Avaí 0,6 nos extremos.
12. Melhor média de gols sofridos, 0,4. Pior é a da Chapecoense, 1,9.
13. Menor número de finalizações por gol marcado, 5,7. A maior é a do Atlético Goianiense, 16,7.
14. Time que mais fica em impedimento, 2,8. Avaí e Cruzeiro os que menos registram impedimentos, 1,3 por jogo.
15. Equipe que mais faz lançamentos certos, 16,8, ao lado do Atlético Goianiense. O que menos usa tal recurso é o Grêmio, 9,8.
16. 6º que mais faz lançamentos certos 37,7. Vitória (43,5) e Atlético Goianiense (43,0) os que mais usam a bola longa, com Bahia aparecendo como o que menos lança, 29,1.
17. Time que mais acerta passes, 394,8 por jogo. O que menos passa corretamente é o Atlético Goianiense, 265,4.
18. 5º que mais erra passes, 43,9 por partida. Sport é o que mais falha no fundamento, 47,7; e o Fluminense o que menos passes erra, 33,0.
19. 4º com mais posse de bola - São Paulo, Santos e Palmeiras são os primeiros da lista.
20. 2º time com mais rebatidas, 34,7 por peleja, atrás do Avaí, com 36,3 por partida. No outro extremo o São Paulo, 23,8.

Mauro: 'Acho quem nem todos os técnicos têm condição de montar seus times como gostaríamos de ver'