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LeBron e técnico dos Celtics: os 'injustiçados' na lista final dos prêmios da temporada da NBA

Gustavo Faldon, do ESPN.com.br
Ninguém conseguiu parar LeBron James no jogo 1 das finais do Leste; veja

Não há dúvida de que LeBron James é o melhor jogador da NBA atualmente. Ninguém tem seu impacto e ele talvez seja o único capaz de pegar um time qualquer e transformá-lo em "contender". E, claro, liderou sua equipe a uma inédita virada na final do ano passado contra um adversário que venceu 73 jogos na fase regular.

Porém, é de certa forma surpreendente, mas compreensível, que ele tenha ficado de fora do Top 3 da votação para MVP.

Se pegarmos os números dele em sua última temporada de MVP, em 2012-13, são bem similares aos de 2016-17: 26,8 pontos, 8 rebotes e 7,3 assistências há quatro anos e 26,4 pontos, 8,6 rebotes e 8,7 assistências agora. Mas talvez seja justamente isso que prejudique o camisa 23.

O que LeBron faz agora é o que vem fazendo durante sua carreira nos últimos anos, não é mais "novo". E pelo menos os jornalistas que votam nas premiações da NBA mantêm um padrão quanto a isso.

No fim da última década, Kobe Bryant tinha o mesmo status de LeBron, conduzia os Lakers a títulos, mas não ganhava o prêmio. Muito disso porque do outro lado dos Estados Unidos havia um jovem garoto com "James" escrito nas costas que estava elevando o patamar de uma franquia pequena e dando indícios de que estávamos vendo uma carreira digna de Hall da Fama.

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Por isso, LeBron está sofrendo a mesma coisa que Kobe sofria em 2009, 2010. Os números e campanha do time podem ser ótimos, mas os jornalistas preferem já mudar o foco para outra direção.

E façamos justiça: o que James Harden fez nesta temporada é digno de um candidato forte ao MVP. Ele pegou um desacredito Houston Rockets, mudou de posição, teve os melhores números da carreira e terminou numa surpreendente terceira posição no competitivo Oeste.

Russell Westbrook, então, nem se fala. 42 triple-doubles, média de dígitos duplos em pontos, rebotes e assistências, algo histórico, jamais visto antes na NBA.

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Kawhi Leonard provavelmente foi quem "tirou" LeBron da votação final. A temporada do San Antonio Spurs foi como costuma ser: no topo do Oeste, atrás apenas dos Warriors. Mas Kawhi, antes conhecido apenas por fazer a diferença na defesa, está cada vez mais se tornando numa arma letal no ataque.

É provável que num futuro bem próximo, talvez até no ano que vem, Kawhi seja eleito o MVP pelo "conjunto da obra". E será merecido. Mas agora, não.

Não dá para dizer que essa forma de pensar nos caras que votam no MVP esteja errada. No futebol, por exemplo, vimos a Bola de Ouro ficar "bipolarizada" entre Messi e Ronaldo mesmo com ambos não ganhando um título expressivo ou tendo alguém, às vezes no mesmo time, que talvez merecesse tanto quanto eles o prêmio.

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O caso de LeBron, dá para entender os motivos. Mas o de Brad Stevens não.

O técnico do Boston Celtics merecia um lugar no "pódio". Stevens tirou o "monopólio" do Cleveland Cavaliers e classificou seu Boston Celtics, quinto ano passado no Leste, em primeiro. Além disso, Boston não tem um time de encher os olhos, tem suas limitações e defeitos. No papel, certamente não estava cotado para liderar a conferência na pré-temporada.

Os finalistas para técnico do ano são Gregg Popovich - que deveria concorrer todo ano por ser o melhor da NBA, possivelmente o maior da história -, Mike D'Antoni, dos Rockets, e Eric Spoelstra.

Eric Spoelstra é um excelente técnico, que eu honestamente acho desvalorizado pelo trabalho que fez e faz no Miami Heat, comandando o time em quatro finais, ganhando duas, e quase o levando aos playoffs em 2017.

É verdade que o Miami Heat era tido como saco de pancadas antes do início da temporada e ter ganhado 41 jogos, batendo na trave por uma vaga nos playoffs, foi algo inesperado. Mas ainda assim, o time nem foi aos playoffs.

Os prêmios da NBA sempre são muito discutíveis, especialmente o de melhor técnico. Phil Jackson, que ganhou mais títulos do que qualquer outra pessoa como "coach" (11) foi eleito o melhor da profissão apenas UMA vez, mesmo número de Mike D'Antoni, Mike Brown...