Gabriela Moreira

Gabriela Moreira

Basquete: nova gestão, mas sem perdão de dívidas. Credor ameaça bloquear contas

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) ainda vai demorar para se ver livre das milionárias dívidas acumuladas na antiga gestão, de Carlos Nunes. No cargo há pouco mais de dois meses, o novo presidente Gui Peixoto vê credores se acumularem à porta da entidade: um deles, o banco Itaú-Unibanco, que cobra da CBB um empréstimo feito há quatro anos e que ainda não foi pago. Reparcelado, a nova gestão não pagou nenhuma parcela desde que assumiu, em março. O valor atual da dívida está em R$ 1,750 milhão. 

Dívidas bancárias são, geralmente, as que têm menor importância em situações de falência, como a que chegou a CBB, deixando de pagar até salários de funcionários. Porém, como a dívida com o Itaú já foi reparcelada, com compromisso assumido na Justiça, o banco ameaça penhorar os saldos bancários da Confederação. A dívida cobrada foi contraída em 2013 num valor total de R$ 3,3 milhões. No acordo judicial, a CBB se comprometeu a pagar o montante em 60 parcelas. Algumas foram pagas, mas desde março não vem sendo quitada. Nesta segunda-feira, venceu mais uma, a terceira seguida.

Giovanni Kleinübing/CBB
CBB quer retomar a credibilidade no cenário do basquete nacional e internacional
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A CBB foi questionada pelo Blog, antes da publicação, sobre os atrasos de salários e sobre a dívida bancária que pode penhorar suas contas. No fim da tarde, após a postagem, os questionamentos foram respondidos:

"Os salários dos funcionários estão em dia. Quando assumimos a gestão da CBB, eles estavam com três meses de salários atrasados. A situação da CBB, deixada pela gestão anterior era de total desequilíbrio financeiro. Diante deste cenário, iniciamos uma reforma para adequar o plano de cargo de salários à realidade financeira da CBB.

Sobre a dívida da gestão anterior, infelizmente esse é mais um legado deixado por eles. Nosso setor financeiro está à frente disso e estamos em negociação. O débito existe e temos total interesse que seja quitado. Contratamos uma empresa de renome mundial para realizar uma auditoria, que está sendo feita, o que nos dará um mapeamento real de todo o cenário deixado. Temos a responsabilidade de colocar o basquete brasileiro novamente no seu devido lugar. A gestão da CBB volta a reafirmar o seu compromisso com a transparência e com o cumprimento das leis."

À espera da Fiba 

A CBB terminou 2016, ano olímpico no Brasil, completamente sem crédito e dinheiro. Após oitoc anos da gestão de Carlos Nunes, a entidade acumulou dívidas que chegaram a somar mais de R$ 17 milhões. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, os salários dos funcionários ao fim do ano passado só foi pago com auxílio do Comitê Olímpico do Brasil.

A situação de penúria da CBB levou o Basquete brasileiro a ser desfiliado da Federação Internacional (Fiba). Sanção que ainda está valendo. Devido à suspensão, os dois clubes brasileiros melhores colocados na Liga Nacional, Bauru e Flamengo, foram cortados da Liga das Américas. A expectativa era que a situação fosse reavaliada ainda neste mês.

Para entender os problemas da gestão esportiva que levaram o basquete brasileiro à essa situação, recomendo a leitura de algumas matérias feitas pelo colega Lúcio de Castro (hoje na agência Sportlight): 

https://olimpiadas.uol.com.br/colunas/lucio-castro/2015/11/25/jantares-em-paris-e-cancun-a-farra-do-basquete-que-eletrobras-nao-aprovou.htm

https://olimpiadas.uol.com.br/colunas/lucio-castro/2015/11/05/como-paulo-schmitt-do-stjd-ganhou-invencivel-no-basquete-brasileiro.htm

https://olimpiadas.uol.com.br/colunas/lucio-castro/2015/10/30/como-a-cbb-foi-terceirizada-e-pagou-duas-vezes-por-um-contrato-publico.htm

*Nota: a publicação foi atualizada para incluir a resposta da Confederação.