Fernando Meligeni

Fernando Meligeni

Amizade no circuito

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br

Existe muita história sobre amizade no circuito. Será que os jogadores são amigos? Se toleram? São politicamente corretos?



Vi e vivi muitas histórias. Fiz amizades verdadeiras, sou amigo de 'oi e aí' de muitos, fui amigo e me distanciei, nem tentei ser amigo...

Realmente a palavra amigo é complexa, mais ainda quando você luta pelos mesmos ideais e espaço. São poucos que tem estômago e inteligência para entender que jogo se ganha na quadra, e espaço se conquista pelo seu caráter e verdade.

No circuito fiz amigos. Poucos de verdade, poucos que se preocupam com você durante e após a carreira. Conto nos dedos, mas fiz. A amizade pode acabar por uma discussão em quadra ou uma atitude fora dela.

O mais normal é que, se a discussão ou problema foi normal, dentro da ética do jogo, a briga fica só no jogo. Caso o problema for 'de sacanagem', atitude antidesportiva, então o 'bicho pega' e a discussão vai para o vestiário. Neste caso, provavelmente, a amizade acaba.

Como no escritório ou na vida, nós também temos códigos e respeito ao outro. Quem passar fica marcado. Poderia marcar muitos nomes de amigos, desafetos, brigas, caras éticos que conheci.

1 - Amigo André Sá. Por ter jogado na mesma época e ter disputado vaga em time, jogos contra, poderíamos ter nos confundido. Mas tenho a maior admiração pelo querido amigo.

2 - Grande parceiro Guga. Vivemos muitas coisas. Aprendi demais com ele e tenho certeza que algo ensinei também. Nos separamos, mas somos amigos. Respeito demais o que ele fez e faz pelo tênis. Somos diferentes, mas verdadeiros parceiros.

3 - Amigo de circuito que virou amigo de verdade. Podemos fazer uma lista. Amigos que nos apoiaram, nos ajudaram em treinos e momentos duros. Amigos que nos surpreenderam. Aqui vou colocar o Fábio Silberberg. Quase morri quando entrava na quadra para jogar a semi de Roland Garros e vejo o Fábio lá sorridente. Não poderia perder este momoneto, então, de um amigo tão querido. Que sensibilidade. Que atitude maravilhosa.

4 - Técnicos. Edu Faria. Aqui posso colocar muitos. Ou melhor, todos que trabalharam comigo e deram o sangue. Mas o Edu é especial. Meu preparador físico que me fez mudar de estágio, mudar de patamar. Me colocou no ponto. Não era o que mais ganhava, não era o que mais viajava, mas era um gênio. Deu o sangue, deu a vida pelo meu objetivo. Nunca poderei retribuir. Nunca poderei dizer o quanto ele foi e é incrível.

5 - Por último, imprensa. Aqui coloco André Kfouri. Tão complicada a relação. Tão difícil para o jornalista ficar próximo do atleta e ser ético, ser correto. André Kfouri é o que eu simplesmente admiro de um jornalista. Teve todas as notícias na mão. Teve furos incríveis, fotos comprometedoras, viu coisas que um jornalista qualquer poderia esquecer em uma amizade. André é ético, é verdadeiro, é correto, é humano e é incrível. Sou fã desse incrível jornalista que virou amigo, que virou da minha família e hoje é um verdadeiro irmão.

Espero ter mostrado a relação de amizade do circuito. Com ela, faço uma singela homenagem a pessoas que eu admiro. Pessoas que eu até hoje me relaciono.