Fernando Fleury

Fernando Fleury

Lição mineira

Reprodução/Twitter
Trazer novos públicos deve ser objetivo da gestão de qualquer espaço esportivo no mundo
Trazer novos públicos deve ser objetivo da gestão de qualquer espaço esportivo no mundo

Por Fernando Fleury e Anderson Dias

Já é de conhecimento público que as arenas construídas para a Copa do Mundo de 2014 se tornaram, em grande parte, um problema. O que muitos especialistas apontaram com antecedência infelizmente se confirmou: temos elefantes brancos em algumas cidades brasileiras. Pior, esses espaços são, majoritariamente, mantidos com dinheiro público, um total absurdo quando se pensa no momento financeiro vivido pelo País. Ainda assim, parece que temos um bom caminho sendo trilhado nesse setor: o Mineirão.

O tradicional estádio de Belo Horizonte passou por uma modernização visando o Mundial e teve um dos menores custos entre as 12 arenas: R$ 695 milhões (embora, como todos, tenha concluído as obras acima do valor planejado inicialmente, que neste caso era de R$ 400 milhões). Após litígios judiciais e problemas principalmente com Atlético Mineiro e Cruzeiro, a arena mineira começa a apresentar bons números e melhor compreensão do conceito multiuso, ainda mais quando comparado à maioria dos estádios brasileiros.

Sobre público total, em 2016, o Mineirão recebeu 1.067.150 pessoas, contra 1.037.086 da Arena Corinthians. Todos os outros ficaram abaixo de 1 milhão. Foram 54 partidas realizadas na arena de BH, o que, na média, significa mais de um jogo por semana. O estádio tem recebido diversos eventos culturais, gastronômicos, de entretenimento, além de utilizar sua esplanada de forma aberta, inclusiva e convidativa para a cidade. São mais de 80 mil metros² disponíveis diariamente das 7 às 22 horas. O espaço já se tornou ponto de encontro para praticantes de skate, bike, corridas e caminhadas.

A administração também tem tratado com atenção total o chamado match-day (dia do jogo), com diversas ações além da partida. No duelo da volta entre Cruzeiro e São Paulo pela Copa do Brasil (19 de abril) foi inaugurado um espaço para que torcedores levassem seus cães ao Mineirão, com capacidade para até 60 cachorros. Além de ter garantido retorno financeiro e sucesso de público, a ação gerou notícia até mesmo no jornal El País, da Espanha.

O Mineirão tem sido exemplo também na geração de conteúdo em seu site e redes sociais, com material exclusivo e de boa qualidade.

Enfim, o próprio espaço mineiro e todas as arenas brasileiras têm desafios e problemas, porém, o antigo estádio Governador Magalhães Pinto (nome oficial do Mineirão) demonstra um bom caminho: atração de cada vez mais jogos, foco no match-day muito além das partidas, interação com a cidade e região, além de eventos e empreendimentos dos mais variados setores.

É provável que o balanço de 2016 a ser publicado pela Minas Arena também confirme o bom exemplo vindo de Belo Horizonte. Enquanto isso, todos esperam soluções para arenas como as de Manaus, Brasília, Cuiabá e até mesmo para o Maracanã. A gestão de arenas (campo de atuação ainda novo no Brasil), quando bem feita, gera empregos, renda e transforma a realidade local.