Fernando Meligeni

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A semana gigantesca de Bia Haddad, e o que isso revela sobre o tênis brasileiro

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Getty
Bia Haddad conseguiu a maior vitória da carreira sobre Samantha Stosur
Bia Haddad conseguiu a maior vitória da carreira sobre Samantha Stosur

A gigantesca semana de Bia Hadad até o momento, com vitórias sobre Christina McHale (top 50) e Samantha Stosur (top 20), me faz debater um assunto mais do que importante.

Nos últimos dez anos o tênis brasileiro foi patrocinado pela nossa entidade maior com ajudas de viagens e, pela proximidade dos Jogos Olímpicos, a maioria dos jogadores foi ajudada por muitas empresas.

Se por um lado isso foi fundamental para que nossos melhores tenistas jogassem com mais tranquilidade - e que fique claro que é mais que merecido -, o lado negativo é que acomodou muita gente.

Vou tentar explicar melhor.

No caso da Bia, por exemplo, ela sempre foi ajudada e teve patrocinador. A entidade pagou seus treinos e foi uma promessa bem ou mal ajudada. Quando teve uma grande dificuldade, perdeu patrocínios, percebeu que não tem muito dinheiro em caixa, e o que aconteceu? Consegue seus melhores resultados. Será que isso está de alguma maneira fazendo sentido?

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Outros jogadores - sem dar nomes - são ajudados, ajudados e ajudados. Passagens, dinheiro para viajar, treinadores pagos e, lá no fundo, vejo uma falta de compromisso ou comprometimento. Aquela história que já escutamos. Se não der certo, meu papai ajuda. Tenho um plano B. É o pior. Acha que seus problemas apenas acontecem porque não tem grana pra viajar.

Outros é bem verdade, não tem dinheiro e perdemos grandes valores porque a família não tem condições e ao não viajar, treinar bem, ficam pelo caminho.

Mas então qual é a fórmula?

Sem dúvida nenhuma, é um meio termo. Não fazer política, não passar a mão na cabeça e estar próximo da verdade e do dia-a-dia do jogador. Saber se ele está fazendo por merecer. Só ajudar quem vem trabalhando, viajando e vivendo o tênis.

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Nos outros países, os jogadores chegam sem ajuda, viajando e ficando na Europa sem grana e com muito amor ao esporte. Aqui não me parece bem isso. Vejo uma dificuldade gigante de ABDICAR. Das coisas boas da vida. Da namorada. Da sua cidade. Dos amigos...

Convido os amigos tenistas, fãs do esporte, entidades e técnicos a discutirem comigo.

Viva os jogadores que lutam, amam e dão a vida pelo tênis.

Viva Bia, que teve todas as chances de desistir, desmotivar, mas consegue a cada dia se firmar e mostrar que o trabalho, o compromisso, o comprometimento e o amor ao tênis têm seu resultado - rápido ou demorado.