Leonardo Bertozzi

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Simeone na Inter? Razões para acreditar ou duvidar

Leonardo Bertozzi
Getty
Diego Simeone, durante entrevista coletiva nesta segunda-feira
Diego Simeone é o sonho dos dirigentes da Inter

Que Diego Simeone dirigirá a Internazionale um dia, todo o mundo do futebol já sabe. O técnico argentino nunca perde a oportunidade de falar sobre sua identificação sobre a equipe italiana e o desejo de voltar a trabalhar lá. Mas qual a possibilidade de isso acontecer já na próxima temporada.

Quando Stefano Pioli substituiu Frank de Boer após o péssimo início de temporada do holandês, assinou um contrato até junho de 2018 - coincidência ou não, a mesma data do fim do compromisso de Simeone com o Atlético de Madrid, após um acordo com a direção colchonera para reduzir a duração.

A Inter encaixou uma sequência positiva com Pioli e, em determinado momento, chegou a sonhar com a classificação para a Champions League. Mas as últimas semanas foram um pesadelo, e os nerazzurri somaram apenas dois pontos nas últimas seis rodadas, passando a lutar apenas pela última vaga na Liga Europa.

Embora o discurso oficial seja de apoio a Pioli, a decisão de demiti-lo no fim da temporada já foi tomada. Presidente do grupo Suning, que comprou a Inter no ano passado, Jindong Zhang quer um nome de ponta no comando da equipe, e está disposto a abrir os cofres para consegui-lo.

Além de Simeone, também se falou na Itália sobre uma tentativa de repatriar Antonio Conte, mas não parece muito provável que o ex-treinador da seleção italiana abandone o Chelsea após uma temporada apenas, provavelmente com o título da Premier League.

E o que faria Simeone antecipar seus planos de dirigir a Inter? Analisamos fatores que podem influenciar na escolha. No lugar do argentino, qual seria sua decisão?

Muita grana
Zhang tem pronto um contrato de 10 milhões de euros para o argentino - e tem margem para aumentar a oferta se for o caso. Em seu atual contrato com o Atlético de Madrid, ele recebe 6 milhões.

Mercado
Simeone teria carta branca e plenos poderes na escolha de reforços, com um possível orçamento de 150 milhões de euros para a próxima temporada. Metade deste valor, por questões de fair-play financeiro, teria de vir de vendas, razão pela qual o clube cogita sacrificar pelo menos um jogador importante, como Perisic.

Fim de um ciclo
Depois de bater na trave em duas finais da Champions, Simeone colocou mais uma vez os colchoneros entre os quatro melhores da Europa. Se a conquista chegar desta vez, ele poderia pensar em sair por cima - como fez Mourinho na própria Inter em 2010. O clube de Milão, aliás, tem em sua história grandes técnicos que ficaram marcados pela predileção por esquemas defensivos. Basta lembrar de Helenio Herrera ou Giovanni Trapattoni.

Multa
A multa contratual é o principal obstáculo. Segundo meios espanhóis, a cláusula de liberação chega a 50 milhões de euros. Naturalmente, caso Simeone venha a público se manifestar pela saída, a Inter poderia tentar negociar o valor. Mas nada indica uma intenção do Atlético de Madrid em facilitar a saída.

Novo estádio
A próxima temporada será a primeira do Atlético de Madrid no estádio Wanda Metropolitano. A nova casa terá capacidade para 67 mil torcedores e marca um momento importante na história do clube, com perspectiva de um crescimento significativo nas receitas. Simeone já declarou em algumas oportunidades que pretende fazer parte deste ano histórico.

Champions
Apesar de toda a identificação de Simeone, interessará retornar num momento em que o time disputará, no máximo, a Liga Europa? Por outro lado, as chances de classificar um time para a Champions serão maiores a partir da temporada 2017/18, quando a Itália terá, a exemplo das ligas inglesa, espanhola e alemã, quatro vagas diretas na fase de grupos.