Gian Oddi

Gian Oddi

O problema é de Rodrigo Caio. E só dele

Gian Oddi
Daniel Vorley/ Agif/Gazeta Press
Rodrigo Caio se destacou pela honestidade em campo
Rodrigo Caio, no fatídico clássico contra o Corinthians


Era previsível e até compreensível a irritação de parte da torcida do São Paulo com o que fez Rodrigo Caio no clássico contra o Corinthians. Afinal, a partir do momento em que a atitude do zagueiro está muito longe do padrão, a tendência é o torcedor considerar seu time prejudicado por dar ao adversário uma vantagem que o adversário jamais lhe daria.

Com exceção do ônus pessoal para o jogador, porém, é impossível encontrar qualquer motivo para criticar sua atitude. Não só pela nobreza do gesto em si, mas pela postura que o são-paulino teve ao não exaltar ou buscar louros pelo próprio ato. Sua entrevista ao sair do campo, breve e séria sobre o tema, foi prova disso: "Fiz o que tinha que fazer".

Escolher o caminho da crítica, no meu ponto de vista, significaria a resignação de que nada pode melhorar no aspecto ético e moral dentro de um campo de futebol. A partir do momento que as críticas possíveis a Rodrigo Caio, todas elas, partem do fato de sua atitude ser incomum, não há como criticá-lo. É o que escreveu Fernando Meligeni em seu blog: se todos fizessem o que fez Rodrigo Caio, por que a torcida reclamaria?

De fato. Se a atitude do zagueiro do São Paulo se tornasse padrão por aqui, no que não acredito, o benfeitor de hoje seria o beneficiado de amanhã. Os árbitros errariam menos, que é uma coisa que todos querem, e os resultados seriam mais condizentes com o que ocorreu dentro de campo, que é outra coisa que todo mundo quer.

Reprodução ESPN
Gian elogia atitude de Rodrigo Caio: 'Ele não quis ser exaltado por isso'
Gian elogia atitude de Rodrigo Caio: 'Ele não quis ser exaltado por isso'


Lamentavelmente, não acredito que atos como o de Rodrigo Caio passem a acontecer rotineiramente. Mas se sua atitude servir para pelo menos inibir e constranger atitudes absolutamente opostas como as simulações bizarras que a gente vê em todas as rodadas, jogos e times do futebol brasileiro, já terá sido um ganho imenso. E nisso me parece possível acreditar.

A argumentação de que o futebol não é uma ilha de honestidade no mundo não deveria ser usada para reprimir atos como o do zagueiro. Porque o esporte é sim, ou pelo menos deveria ser, um meio que não precisa reproduzir todas as mazelas do mundo. Não fosse assim, qual seria o motivo da existência do termo "espírito esportivo"?

Parece lógico que, em relação a outros segmentos da sociedade, o esporte conte com mais espírito esportivo. Ou não?