Gabriela Moreira

Gabriela Moreira

Tá na Área: escritório americano estuda ação contra a Chape; Veja mais

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Mais uma ação será movida contra a Chapecoense por familiares de vítimas. Dessa vez, por um escritório americano. Localizado em Miami, na Flórida, o Podhurst Orseck vai cobrar que o prêmio do seguro pela queda do avião seja efetuado no valor de U$ 300 milhões (cerca de R$ 950 milhões), que é praxe de mercado, e não em U$ 25 milhões (R$ 79 milhões), como anunciado. O escritório afirma já ter assinado com 14 familiares.

"Estamos tentando acessar o contrato de seguro e o contrato firmado entre Chapecoense e a LaMia, mas o clube não mostra. Alega questões de confidencialidade, mas as famílias têm esse direito", disse ao Blog o advogado Fabiano Emery, representante do escritório americano no Brasil.

Segundo ele, o escritório americano é especializado neste tipo de causa e teria condições de atuar no Brasil pelo fato de a fabricante da aeronave, a British Aerospace, ter modelos em atuação nos Estados Unidos. A inicial, no entanto, ainda não foi movida.

Leon Monsalve/LatinContent/Getty Images
Chapecoense Acidente Avião Bombeiros 29/11/2016
Bombeiros nos destroços do avião da Chapecoense, na Colômbia

 

Membros de conduta ilibada

Um dos delatores do esquema que levou à prisão 5 dos 7 conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE), do Rio, fazia parte do STJD até outro dia. Jonas Lopes de Carvalho Neto renunciou ao cargo em dezembro, após ter sido levado à sede da Polícia Federal para depor nas investigações. Ele era presidente da 5ª Comissão Disciplinar do Tribunal. Para a sua vaga, foi nomeado Flávio Boson, auditor do TJD/MG, e atuava como procurador do STJD.

O ex-membro do STJD, juntamente de seu pai, Jonas Lopes de Carvalho Júnior, ex-presidente do TCE, são acusados de receber propina para aprovar obras do Governo, entre elas a do Maracanã. Um dos delatores do esquema diz em depoimento que pagou R$ 1 milhão de propina (de um total de R$ 4 milhões que ainda seriam pagos) ao próprio Neto, em seu escritório de advogacia, no centro do Rio.

Neto atuou em pelo menos duas decisões polêmicas, enquanto auditor. Em 2012, foi responsável por punição a Ronaldinho Gaúcho quando o meia jogava pelo Atlético-MG. Punido com um jogo de suspensão, a ação foi motivada sem que o árbitro do jogo (contra o Grêmio) tivesse apontado o fato na súmula. Ao levantar o histórico do auditor, internautas revelaram que ele é torcedor do Flamengo, tendo feito posts contra Ronaldinho em momentos anteriores.

Ele seu pai, Jonas Lopes de Carvalho Filho, ex-presidente do TCE, conseguiram autorização para deixar o país por 40 dias, conforme publicou a coluna Justiça e Cidadania, do jornal O Dia. Neto também era membro do Conselho Federal da OAB, de onde também renunciou.

Reprodução / Twitter
Jonas Lopes Neto, auditor-relator do STJD
Jonas Lopes Neto, está fora do país com autorização da Justiça

 

Laços também na Ferj

Não somente no STJD, mas pelo menos um membro da Ferj tem estreita relação com os presos da operação O Quinto do Ouro. Era no gabinete de Domingos Brazão, um dos presos, que o atual presidente da federação, José Luiz Martinelli, prestava serviços de assessor da Coordenadoria de Prevenção a Incêndios.

Conforme publicado aqui no Blog, Martinelli e seu filho, Anderson da Silva Martinelli, tiveram cargos no gabinete de Brazão em 2015, recebendo cerca de R$ 13 mil, entre comissão e auxílios. Martinelli ocupa a presidência da Ferj enquanto Rubens Lopes está de licença médica. A família do dirigente é dona de diversas empresas, entre elas uma imobiliária e uma construtora (a mesma que reformou o prédio da federação). Eles também são sócios de Brazão, em um posto de gasolina no Rio, de acordo com publicações da imprensa.

ESPN.com.br
Martinelli
Atual presidente da Ferj, José Luiz Martinelli, teve cargo de assessor no gabinete de conselheiro preso 

 

As cadeiras do Maracanã 

O advogado rubro-negro Ilan Levacov conseguiu na Justiça o direito de ser indenizado em R$ 49.920 mil (além de juros e multa) pelo Governo do Rio pelo uso de suas três cadeiras cativas durante a Copa, a Olimpíada e a Paralimpíada no Rio. Não se fala nisso na ação, mas teriam o mesmo direito os donos das cadeiras que estão sem usar o bem durante todo o fechamento do estádio? Suderj e Governo já recorreram.

"Trata-se apenas de uma decisão de 1ª instância em que reconhece o direito do autor de receber a quantia correspondente aos valores dos ingressos contados na Copa do Mundo, Olimpíadas e Paralimpíadas", explica o advogado Bruno Barki, que representou o proprietário no processo.

A decisão é da juíza Márcia Cristina Cardoso de Barros e corre no 2º Juizado Especial Fazendário.

Marcelo D'Sants
Cadeiras das arquibancadas agora como entulho no Maracanã
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