Gustavo Hofman

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Jogai por nós, Renato Augusto

Gustavo Hofman
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Renato Augusto em ação contra a seleção paraguaia
Renato Augusto em ação contra a seleção paraguaia

No segundo tempo contra os paraguaios, houve uma jogada em que Miranda interceptou um passe e avançou pela esquerda. Como um atacante veloz, quebrou as linhas de marcação adversárias e só foi impedido de avançar já na intermediária ofensiva. Enquanto isso, distante das câmeras de transmissão e visível somente para quem estava no estádio, Renato Augusto organizava o time. Orientou Casemiro a guardar posição e fez a cobertura para o zagueiro, completando a linha de quatro jogadores na defesa.

Esse foi apenas um de tantos lances nos dois últimos jogos da Seleção em que foi possível constatar a importância de Renato Augusto no Brasil de Tite. Naturalmente, Neymar ganha mais destaque do que qualquer outro jogador porque é craque; Philippe Coutinho está jogando em nível altíssimo; Gabriel Jesus, antes da lesão, era a estrela; Casemiro é um dos melhores meias defensivos do mundo; Paulinho virou artilheiro; o setor defensivo é praticamente perfeito; e assim, poucos citam o jogador do Beijing Guoan. No entanto, Renato Augusto é o atleta mais inteligente taticamente desta Seleção.

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Saída de bola em três, com Thiago Silva, Miranda e Casemiro; Laterais pressionados; Renatol volta e Paulinho avança com Coutinho e Neymar
Lance comum: saída de bola em três, com Thiago Silva, Miranda e Casemiro; Laterais pressionados; Renato volta e Paulinho avança com Coutinho e Neymar abertos

Aos 29 anos, o meio-campista passa por um excelente momento na carreira. Surgiu como meia-atacante habilidoso e com visão de jogo no Flamengo, um camisa 10. Foi negociado por cerca de 10 milhões de euros e, no Bayer Leverkusen, teve sua evolução técnica interrompida por lesões. Mesmo assim, rendeu na Alemanha quando pôde jogar e aprendeu muito sobre leitura de jogo. Ao retornar para o Brasil e ter a carreira recolocada nos eixos pela nossa medicina esportiva, provou ter se tornado um jogador bem mais completo.

Na partida contra o Paraguai, foi fundamental no balanço defensivo ao lado de Casemiro e para dar tranquilidade a Paulinho jogar como meia-atacante. Por mais que a Seleção tenha sido pouco atacada, Tite exige esse equilíbrio entre os setores. Renato acertou todos os 33 passes que tentou e perdeu a bola somente duas vezes nos 90 minutos. Nos desarmes foi tão efetivo quanto Casemiro, cada um com quatro.

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Destino final: para onde foram os 33 passes de Renato Augusto contra o Paraguai
Destino final: para onde foram os 33 passes de Renato Augusto contra o Paraguai; Pouca presença no ataque, forte na distribuição e fundamental na movimentação sem a bola

Porém, o que mais se destaca no camisa 8 é o "jogar sem a bola". Na fase defensiva, coordena e orienta os companheiros, além de possuir ótimo posicionamento para cortar as linhas de passe. Ou seja, mesmo sem conseguir um desarme ou um roubo de bola, força o adversário ao erro. Esse tipo de estatística, "erro forçado", é muito bem trabalhada em outras modalidades esportivas, como basquete e tênis.

Já na fase ofensiva, Renato preenche muito bem os espaços e tem colaborado demais, como escrito acima, para fazer de Paulinho um meia avançado por dentro, que aproveita demais a movimentação de Roberto Firmino para aparecer no último terço do campo com eficiência, assistências e arremates. Ele próprio tem atuado pouco no último terço, o que passa a impressão de estar jogando mal para quem não observa outros aspectos do jogo que não sejam gols e passes para gol.

Muito longe de afirmar que Renato Augusto seja o jogador mais importante da Seleção Brasileira. Não é. Ele é, porém, uma engrenagem fundamental para toda máquina funcionar. Como Tite bem fala, o coletivo potencializa o individual.