Gabriela Moreira

Gabriela Moreira

Longe de acabar, caso Victor Ramos agora chama a atenção até da OAB-RS

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Mistérios e trocas de acusações ainda rondam a transferência de Victor Ramos para o Vitória e movimentam os bastidores da Justiça Desportiva. A peleja que parece estar longe do fim, chamou a atenção até da OAB do Rio Grande do Sul. No entanto, um ponto ainda não explicado, definitivamente, é porque Reynaldo Buzzoni, diretor de registros da CBF, protocolou em cartório uma série de emails nos quais as suas afirmações acabam por referendar a argumentação do próprio Internacional: de que a transferência não podia ser nacional.  

Pois é exatamente o que dizem os tão alardeados emails apresentados em cartório pela CBF. Nos documentos, que a entidade diz serem verdadeiros, o diretor deixa claro e cristalino que o departamento de registros tinha ciência de que a transferência do atleta deveria tramitar pelo México. 

"Se for fazer um novo empréstimo o clube do México tem que pedir o retorno", disse por escrito Buzzoni ao representante do clube baiano que o consultava sobre os trâmites necessários para a contratação do atleta.

O posicionamento é reforçado pelo próprio, diante de um novo questionamento do clube:

"Não, eles terão de fazer um pedido de retorno do empréstimo".

FERNANDO DANTAS/Gazeta Press
Victor Ramos Vitoria Santos Campeonato Brasilero 17/11/2016
Victor Ramos é o pivo da briga que envolve Inter, Vitória e CBF 

Em entrevistas à imprensa, Buzzoni não explica essa questão. Não deixa claro porque o futebol brasileiro não segue os procedimentos que deveriam ser seguidos e porque não exigiu que fosse seguido no caso de Victor Ramos.

"Não é irregular. Isso acontece inúmeras vezes. Não tem fundamento nenhum. Se a Fifa abrir procedimento vai abrir contra o México por não ter feito o pedido.", disse o diretor à imprensa ao ser questionado em novembro passado.

Pedidos no STJD

De lá para cá, nada se avançou para que se tente corrigir o problema. O Internacional entrou com pedidos de investigação do diretor ao STJD. O órgão não atendeu, sob a alegação de que o caso já foi investigado no passado, quando do acontecimento dos fatos, e nada ficou provado. Segundo os colorados, a conduta de Buzzoni não foi investigada à época. O julgamento teria sido do caso e não da conduta.

OAB pede para participar das investigações

No fim de fevereiro, a Comissão de Prerrogativas da OAB do Rio Grande do Sul ingressou com pedido de acompanhamento da investigação movida pelo STJD contra o Internacional, sob a acusação de falsificação de documentos. A suspeita é que o Tribunal esteja violando os direitos dos advogados, uma vez que os representantes do Inter estão impedidos de acessar as peças da investigação. O pedido da OAB ainda não foi analisado pelo Tribunal.

Auditor indicado pela CBF

O auditor sorteado para instaurar a investigação contra o Inter é Mauro Marcelo de Lima e Silva. O Inter pediu a suspeição do auditor, por ele ter sido indicado para o Tribunal pela CBF, beneficiada diretamente pela decisão que tomar o auditor. O STJD não acatou a argumentação, afirmando que a indicação não inviabiliza a atuação isenta de seus membros.

Mauro Marcelo é delegado de polícia e entrou para a Justiça Desportiva pelas mãos de Marco Polo Del Nero. Foi presidente do TJD, de São Paulo, quando Del Nero era presidente da Federação Paulista de Futebol.

O Blog tentou contato com o auditor, mas ele disse que só vai se manifestar após a conclusão do inquérito.

Até quando? 

Quanto à CBF, não é a primeira vez, pelo caminhar das negativas de investigação na Justiça Desportiva, não será a última, que o departamento de registros provoca imensa energia de clubes pelo Brasil. Um inquérito, inclusive, está aberto na Polícia Civil do Rio para investigar a conduta dos responsáveis pelo setor. Será que é tão difícil atentar para prazos e procedimentos?  Será que tanta tecnologia precisa continuar sendo tão vulnerável a erros como os que se tem visto nos últimos anos em campeonatos no Brasil?