Gabriela Moreira

Gabriela Moreira

Fluminense quer modelo do Flamengo para jogar no Maracanã, mas pagando menos por aluguel

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Tiago Leme/ESPN
Torcedores do Flu fizeram mosaico nas arquibancadas
Fluminense é o único clube com contrato vigente com o Maracanã. Condiçõe são favoráveis aos tricolores 

Único clube com contrato válido para jogar no Maracanã, o Fluminense começou esta semana a negociar com a Odebrecht para voltar a atuar no estádio. Para isso, teria algumas mudanças na forma de uso, prevista no acordo. A operação seria idêntica a que o Flamengo usou nas últimas partidas, mas pagando um aluguel muito menor: de R$ 100 mil, além de uma taxa de administração. O clube avalia a possibilidade, mas somente para jogos em que tiver certeza de casa cheia. 

Em troca, os tricolores ficariam com todas as rendas possíveis: bilheteria, bares, lanchonetes e patrocínio durante o jogo. Mas a operação seria feita e custeada pelo Fluminense. Os dirigentes estão avaliando esta proposta. Ela é diferente do que eles têm direito por contrato. Nele, a Odebrecht custeia toda a operação, sem que o clube gaste nada, sequer aluguel. E ambos dividem as receitas de bilheteria, com o Flu ficando com a renda dos setores Norte e Sul, enquanto a concessionária fica com os valores arrecadados em camarotes e arquibancadas centrais. 

O rubro-negro alugou o estádio na primeira partida da Libertadores, contra o San Lorenzo, pagando mais de R$ 1,3 milhões para o uso. O valor foi usado para pagar as contas de luz em atraso. Nesta semana, Botafogo e Vasco também tentaram negociar para fazer o clássico no estádio e a concessionária cobrou a mesma quantia, o que fez a dupla desistir. 

Ação na Justiça

Em paralelo, o departamento jurídico do clube acena com a possibilidade de acionar a empresa na Justiça, para fazer valer o contrato, vigente ainda por 33 anos. Em matéria publicada nesta quinta-feira, o Blog do Rodrigo Mattos calcula que o clube pode pedir R$ 340 milhões caso o estádio não abra as portas. Há quem diga, também, que uma ação na Justiça pode acabar não sendo tão favorável ao clube, pois há a possibilidade de se entender em juízo que o contrato é tão desfavorável à concessionária que inviabiliza o seu cumprimento.

Quando da assinatura, na gestão de Peter Siemsen, as negociações tiveram participação decisiva do então secretário de desenvolvimento econômico de Sérgio Cabral, Júlio Bueno. Atualmente, o filho dele, Diogo Bueno, é o atual vice de finanças do clube e tem dito nos bastidores que fará de tudo para manter de pé o acordo em prol das Laranjeiras.