Gabriela Moreira

Gabriela Moreira

Carteira assinada é coisa rara e salário máximo de R$ 5 mil: ser profissional no futebol feminino no Brasil é para poucas

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Hoje no Brasil existem 5 mil mulheres adultas que praticam futebol. Mas apenas dois times têm atletas com carteira assinada: o Santos e o América-MG. São os únicos considerados profissionais pela CBF, que fez o levantamento do número de praticantes. No time paulista, a jogadora que ganha mais, recebe R$ 5 mil de salário por mês. Já no América-MG, o teto é R$ 3 mil.

Arquivo Pessoal
Gabriel Moreira Juventus
Time do Juventus que vai disputar o Campeonato Paulista de 2017 foi acompanhado para série especial 

Uma diferença assustadora e que explica porque ainda não somos e estamos muito longe de ser a potência que se espera, e se cobra de quatro em quatro anos, na modalidade. Um menino que sonhar virar jogador de futebol no Brasil, além do amor ao esporte, joga porque sabe que se der certo, ele mudará sua vida para sempre. Meninas que têm o mesmo sonho, não encontrarão um pote de ouro no fim do arco-íris. Se chegarem ao pote, ele sempre estará meio cheio, meio vazio.  

"E já é muito, viu", me disse um dirigente de um dos times citados acima ao me responder sobre o teto salarial.

O tema desta semana no espnW é futebol feminino; Quarta-feira, às 18:00 

E o dirigente tem razão. Santos e América-MG são os heróis da resistência num cenário em que quem investe em futebol feminino o faz por filantropia. Os campeonato paulista Sub-17 promovido pela Federação Paulista de Futebol é uma novidade a ser comemorada, mas que mostra com clareza quem se preocupa com a formação das meninas.

Base atrasada

Dos 17 clubes que vão participar, oito (mais da metade) são os chamados clubes vinculados, ou melhor, não são os clubes de futebol como conhecemos, os grandes. Equipes como o Centro Olímpico, o Guarujá, o Embu das Artes e tantas outras que não trabalham o futebol com objetivos meramente comerciais. São esses os formadores e mantenedores do futebol feminino no Brasil.

E é na base que reside o maior problema. Dados do consultor de gestão esportiva e marketing Amir Somoggi mostra que as meninas começam a jogar futebol muito tarde (a praticar esportes no geral) no Brasil. Segundo ele, dados do Ministério do Esporte mostram que enquanto os meninos começam a prática esportiva entre os cinco e dez anos de idade, as meninas iniciam após os 11.

Nessa idade, toda a base motora de uma criança já está formada. E é somente aí que as meninas começam a jogar futebol. Tarde demais para quem vai aos 17 tentar entrar na profissão.

Para entender estas dificuldades, eu e equipe da ESPN nos "infiltramos" numa equipe de futebol feminino que vai disputar o paulista deste ano, o Juventus. Para produzir a série "Sangue, Suor e Filantropia", eu, o produtor Marcelo Gomes, o cinegrafista Marcelo D´Sants, o assistente Leandro Liendo e o motorista Edison Luiz passamos sete dias com elas, na Mooca.

Repórter da ESPN treina durante uma semana para entender o momento do futebol feminino

O material vai ao ar esta semana, de terça à quinta, nas edições do Sportcenter. Espero que gostem.