Fernando Meligeni

Fernando Meligeni

Os acertos e os erros da última gestão da CBT, e os desafios do novo presidente

Fernando Meligeni, blogueiro do ESPN.com.br
Jorge Lacerda deixa CBT; Rafael Westrupp assume e, para Meligeni, precisa passar confiança

Uma nova era no tênis vem aí?

A pergunta que a grande maioria dos tenistas se fazem hoje é essa.

Em meio a pedidos de aplausos e desconfiança, a gestão do Jorge Lacerda termina e vai deixar lembranças boas e ruins. Tenistas que não podem sob nenhum aspecto criticar, tenistas descontentes e a turma que corre para o lado que vale a pena.

Vou tentar colocar os prós e contras. Juro que tentarei ser o mais profissional e menos passional possível.

Não há dúvidas que a gestão foi positiva comparada a do Nelson Nastás. Não digamos que isso é um elogio, até porque o ex-presidente foi sacado da entidade, com a triste imagem da polícia federal entrando e recolhendo computador e tudo que tinha lá e no âmbito esportivo pouco produziu. O último presidente trouxe a expectativa e apoio dos jogadores. Fez promessas grandiosas e algumas ele conseguiu, outras, nem perto disso.

Positivo na gestão é o equilíbrio das contas e trazer a vida a confederação que nem conta tinha. Devia para todo mundo e tinha muitos processos.

Fez muitos torneios futures e ajudou as promotoras com juízes, fez outras coisas. Teve uma boa política nesse aspecto

Conseguiu o patrocínio de uma estatal e com isso turbinou o tênis. O Correios botou muito dinheiro por muitos anos.

Lutou por um centro de treinamento em SP. Reclamou, pediu, implorou mas não conseguiu. Teve atitude.

Ajudou os profissionais e com isso houve resultados. Ajudou Bruno, Marcelo, Sá, Bellucci, Monteiro, Bia, Orlandinho, Rogerinho entre outros.

Do lado que eu não gostei (minha opinião).

Seu discurso foi separatista e não aproveitou a união que se fez para colocá-lo no poder. Sua pergunta era: "De que lado você está?" Para mim foi seu maior erro

Entrou em muitas divididas com patrocinadores e atletas. Não foram duas ou três vezes que via mídias sociais, jornal ou o que for, brigou. Como presidente pecou nesse aspecto. Alguns exemplos. Brigou com o Banco do Brasil, com o Itaú,Thomaz Koch, comigo, Acioly, Larri e muitos outros.

Guga brinca com Meligeni e afirma não pensar em ser treinador

Presidiu sem tenistas. Nenhum dos grandes nomes está ajudando a CBT. Alguns como eu passaram e tentaram. Todos se foram. Hoje nem Guga, Koch, Meligeni, Oncins, Mattar, Saretta, Mello, Dada, Patricia Medrado, Acioly, Larri,

Sua meta era fazer diferente do antigo presidente (palavras dele), mas para mim foi mais do mesmo. Melhor mas da mesma maneira

Ficou muito tempo no poder. Quando entrou, prometeu ficar quatro anos para arrumar a casa e sair. Ele prometeu aos jogadores e a mim com um forte aperto de mão no restaurante Don Curro em SP. Não cumpriu. Ficou 12 anos. Mudou o estatuto duas vezes.

Não conseguiu incentivar nossos jovens. Claramente temos menos gente jogando os torneios. Menos interesse.

E por último... não julgo até porque quem faz isso é quem o acusa. Infelizmente seu nome e o nome da entidade mais uma vez foi parar no jornal com várias acusações. Em reunião anterior dizíamos que isso não poderia mais acontecer e que o novo presidente tinha que ser 100% admirável nesse quesito. Não foi. Ele pode ter razão. Ele pode não ter nada a ver e ser absolvido de todas as acusações, mas infelizmente mais uma vez o tênis foi machucado.

Neste cenário para mim é uma sensação amarga. Não que ele fez pouco ou muito. Gostar ou não de mim. Simplesmente porque ele entrou com uma missão. Missão essa assinada e estudada com tenistas. Muitos deles que nunca tiveram chances de ajudar. Muitos deles que foram escanteados. Na minha opinião. Ele não conseguiu o objetivo.

Nesse quadro o novo presidente Rafael Westrup assume. De positivo tem que é uma nova cara que quase todos conhecem e jogaram com ele.

De negativo tem que estava na CBT como superintendente nesta gestão. Se os tenistas hoje não estão felizes ele terá que provar que é diferente e que não é mais do mesmo.

Terá a dura missão de tentar trazer os descontentes para perto ou fará uma gestão sem dinheiro e sem apoio. Com o agravante que os atletas do passado estão cansados e os do presente não estão mais recebendo salário e com isso pensarão duas ou mil vezes antes de falar qualquer coisa

Torço de coração para que ele consiga e faça acontecer. Depende dele. Só dele.

Que o deus da prepotência e da síndrome de ser dono do tênis não esteja com ele também.