NBA na ESPN

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Sérvio dos Nuggets supera problemas com peso e 'preguiça' para revolucionar função de pivô

Matheus Zucchetto, do ESPN.com.br
Getty
Jokic revoluciona a função de pivô com os Nuggets
Jokic revoluciona a função de pivô com os Nuggets

Junho de 2003. Nova York recebia o draft da NBA mais uma vez, mas poucos sabiam o que estava prestes a acontecer. Na segunda escolha, logo após LeBron James, o Detroit Pistons "ignorou" Carmelo Anthony, Dwyane Wade, Chris Bosh e, com a segunda escolha, selecionou Darko Milicic.

Na época, o sérvio de 18 anos era uma das grandes promessas do basquete mundial, mas sua carreira nunca deslanchou. Com dificuldades logo no início em Detroit, Milicic ganhou a "ajuda" de um antigo companheiro de Sérvia: Nemanja Jokic.

Os dois jogavam juntos desde os 16 anos de idade, e Jokic deixou a Europa para tentar ganhar seu espaço no basquete universitário dos Estados Unidos. Quando se mudou para Detroit e começou a morar com Darko, Nemanja deixou dois irmãos em solo europeu. Strahinja é o mais velho, que atuava profissionalmente na Sérvia. Nikola, de apenas 10 anos, começava sua trajetória nos esportes.

Uma década depois, as carreiras de Milicic e Jokic nos EUA chegavam ao fim. O primeiro nunca teve média de pontos maior que 8.8. O segundo admite seus erros com o basquete. "Fiz besteira. O basquete não era minha prioridade. Sair, me divertir, beber, garotas, isso era minha prioridade. Eu decidia que nem iria treinar. Mas precisava de apoio da minha família", disse Nemanja para a Sports Illustrated.

Quando voltou para a Europa, ele encontrou seu irmão mais novo em situação muito diferente. Nikola já era maior, com 2,08m e quase 140kg. Apesar de não dar tanta atenção ao basquete - também gostava de futebol, vôlei, polo aquático e corridas de cavalo -, seu talento em quadra já chamava atenção.

"A primeira vez que vi jogando, ele estava dando passos por trás das costas que ninguém sequer tentava. E nunca diziam que ele não poderia. Todos sabiam de suas habilidades únicas", lembra Nemanja.

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"The Joker", como ficou conhecido, quase desistiu do draft de 2014 apenas dez dias antes do evento. Seu agente, Misko Raznatovic, chegou a afirmar que Nikola voltaria ao Mega Basket, na Sérvia. Ele havia sido duramente criticado por sua forma física e costumava dizer que era um "fat point guard" ("armador gordo").

"Feche seus olhos e imagine que você está jogando contra minha filha por bolachas de chocolate", falava Raznatovic para "motivar" Jokic antes de jogos e treinos. Em um evento-teste feito pela Nike antes do draft, Nikola mostrou do que era capaz ao lado de Karl-Anthony Towns. Era o bastante para o Denver Nuggets e, em 26 de junho de 2014, enquanto dormia, Jokic teve seu nome chamado na 41ª escolha.

Mesmo assim, ele ainda não pensava em se mudar para os Estados Unidos. Ele já estava próximo de um acordo com o Barcelona. "Estava quase tudo certo. Faltavam apenas detalhes. Mas em um outro jogo que eles [Barcelona] assistiram, ele foi horrível. Você nem imagina como ele foi mal, e eles pediram mais tempo", disse Raznatovic.

"Tive quatro pontos, três rebotes e não joguei na defesa. Acho que foi um sinal. Sem aquele jogo, eu estaria no Barcelona agora", lembra o próprio Jokic.

O sérvio teve seu primeiro triple-double em vitória sobre os Bucks

Enquanto isso, os Nuggets pensavam em como convencê-lo a deixar a Europa. Representantes da franquia foram até a Sérvia oito vezes. Denver contratou o treinador sérvio Ognjen Stojakovic, selecionado o bósnio Jusuf Nurkic. Mas a diferença foi Arturas Karnisovas, lenda do basquete da Lituânia que trabalhava como gerente-geral assistente. Jokic chegou a recusar um contrato para entrar na NBA durante a temporada, mas, eventualmente, ele disse sim.

Quando se mudou para Denver, Nikola foi acompanhado de seus dois irmãos. Mas os primeiros meses foram ruins. Ele chegou a ser chamado de "jogador regular" pelo treinador Mike Malone durante a pré-temporada.

Com o tempo, Jokic "aprendeu" e, ao lado do preparador físico Steve Hess, perdeu mais de 20kg."Um dia ele será como DeAndre Jordan? Não. Ele terá grande impulsão? Não. Ele ainda pode ser o melhor pivô criando chances na NBA? Claro", garante Hess.

"Acredito que os únicos músculos que você precisa no basquete são os do cérebro", diz Jokic. "Gosto de diminuir o ritmo dos adversários, deixá-los no meu ritmo. Posso ver meus companheiros e sei onde eles estarão no momento seguinte. Não preciso vê-los novamente."

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Jokic tenta dois dos 40 pontos que marcou sobre os Knicks
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Em sua segunda temporada de profissional, Jokic impressiona. Após um começo irregular, ele aproveitou a virada do ano para assombrar toda a liga.

Em dezembro, teve médias de 17 pontos, 8.9 rebotes e 4.9 assistências. Mas, em 2017, seus números melhoraram ainda mais: são 21 jogos, 22.7 pontos, 11 rebotes, 5.6 assistências. Além disso, ele acerta 59% de seus arremessos e teve três partidas que ficarão marcadas.

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Vitória com 40 pontos no Madison Square Garden sobre os Knicks e dois triple-doubles: em massacre contra os Warriors (17 pontos, 21 rebotes e 12 assistências) e os Bucks (20 pontos, 12 rebotes e 11 assistências).

Com o pivô, Denver finalmente conseguiu espaço entre os oito primeiros da conferência Oeste. São 25 vitórias e 31 derrotas e, por enquanto, uma vaga nos playoffs pela primeira vez desde 2012-13.