Bernardinho acertou em deixar seleção de vôlei. Renan foi a escolha da continuidade

MauricioJahu,blogueiro do ESPN.com.br
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Bernardinho deixou a seleção masculina de vôlei
Bernardinho deixou a seleção masculina de vôlei

Foi uma decisão difícil para Bernardinho. Afinal de contas, 22 anos é um tempo bem longo. Muitas conquistas e, mais que isso, um estilo vitorioso de conduzir suas equipes no decorrer deste longo período à frente da seleção.

É um dos técnicos mais vitoriosos do vôlei brasileiro e mundial, mas confesso que acreditava na continuidade dele no comando da seleção brasileira masculina de vôlei. Porém, no final das contas, Bernardinho fez a escolha certa. Para ele e sua família.

Vai aliviar sensivelmente sua carga de trabalho na seleção e terá muito mais tempo para curtir a vida e ficar ao lado das filhas e da esposa Fernanda Venturini. Bernardinho estava precisando desse tempo. Estava sendo muito cobrado pela família por suas longas ausências.

Viveu anos incessantes de trabalho com poucas folgas. Não é fácil. O vôlei brasileiro deve muito a ele. É um dos melhores técnicos que já vi. Aliás, o vôlei brasileiro é privilegiado por ter à disposição o trabalho de Bernardinho e José Roberto Guimarães, duas referências no vôlei mundial.

Renan Dal Zotto, o novo treinador, foi a escolha da continuidade do trabalho. Renan atuou nos últimos dois anos como diretor técnico de seleções, um cargo muito próximo dos dois treinadores. Mas Renan não dirige uma equipe há 8 anos.

Renan teve um bom trabalho na Cimed, de Florianópolis. Foi campeão da Superliga masculina em 2006 num time que tinha Bruninho e Lucão como protagonistas. Um ano depois foi para a Itália. Foi campeão da Supercopa Italiana com a Sisley de Treviso.

Também pesou na escolha da CBV a proximidade de Bernardinho com Renan. Eles são amigos de longa data. Desde os anos 80 quando jogaram juntos na seleção e na extinta Atlântica Boavista, do Rio de Janeiro.

Bernardinho confia muito no trabalho de Renan Dal Zotto. E o fato de ser o início de um ciclo olímpico tira um pouco o peso por vitórias porque as comparações serão inevitáveis.

Renan certamente terá algumas dificuldades no começo até pelo longo tempo longe da beira das quadras. Mas é um estudioso e tem boas relações, especialmente na Itália onde também atuou como atleta pelo Parma no final dos anos 80.

Tive o prazer de jogar com o Renan por duas temporadas no clube e em algumas ocasiões na seleção. É uma das pessoas mais íntegras que conheço no meio do voleibol. Mas fiquei surpreso com o convite porque estava há bastante tempo sem dirigir uma equipe.

Bernardinho e toda a sua comissão técnica ajudarão muito nessa transição. Foi apostando nisso também que a CBV optou por Renan Dal Zotto como novo técnico da seleção masculina. Uma escolha que garante a continuidade do trabalho maravilhoso que Bernardinho deixa.

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