Gustavo Hofman

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A Copa do Mundo com 48 seleções é fruto de ganância e politicagem

Gustavo Hofman
STRINGER/AFP/Getty Images
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento
Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante evento

Quarenta e oito seleções, 80 jogos, 32 dias, renda de R$ 21 bilhões. Esses podem ser os novos números da Copa do Mundo a partir de 2026. Números que indicam ganância e politicagem.

Gianni Infantino assumiu a presidência da Fifa com a ideia de expansão da principal competição entre países no futebol. Inicialmente, confirma sua força entre as federações nacionais.

De acordo com o companheiro Jamil Chade, a divisão de vagas pode ficar assim: América do Sul 6.5, Concacaf 6.5, África 9.5, Ásia 8.5, Europa 16 e Oceania 1. Na prática, aumento de três para os europeus, quatro para os asiáticos, quatro para os africanos, duas para os centro-americanos e uma para os sul-americanos, além da manutenção de dois postos via repescagem (por isso o 0.5).

O própio Jamil divulgou em seu Twitter como seria a nova fórmula de disputa, que manteria o limite de sete partidas para a campeã, mas alteraria a fase de grupos para três seleções por chave.

A perda técnica é inegável, tanto que a federação alemão já vinha reclamando há tempos. Aumentar para 48 equipes resulta em mais times fracos ou medianos em uma competição que deveria reunir a nata de cada continente.

Há, ainda, a questão prática sobre o formato atual simples e que funciona com 32 seleções.

Alguns podem defender a "democratização" da Copa, mas na prática a Fifa quer agradar seus eleitores e aumentar seus ganhos. A projeção de R$ 21 bilhões de renda é 35% superior ao alcançado no Brasil em 2014.

O discurso da entidade de promover a evolução do jogo em regiões periféricas com essa alteração não se sustenta. Não é com a participação de uma seleção na Copa que o país vai evoluir, e sim a partir de trabalho de base, fortalecimento dos clubes locais e investimento em infra-estrutura.

Talvez a única boa notícia envolvendo a Fifa neste domingo tenha sido a possibilidade de união da América. Poderia haver uma única eliminatória americana, com países da Concacaf e Conmebol. Se isso gerar uma Libertadores da América grande, com fase eliminatória e bem planejada para toda temporada, o continente ganhará com certeza.