Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Palmeiras e parceiro discutem contrato. Patrocínio movido por paixão e sonhos políticos

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Maurício Galiotte, novo presidente do Palmeiras, e os donos da Crefisa e da Faculdade das Américas (FAM), José Roberto Lamachia e Leila Pereira, conversarão nos próximos dias. Em pauta, a renovação do contrato de patrocínio, um acordo que foge do padrão e não segue pura e simplesmente motivações mercadológicas. Vamos lá:

1- A Crefisa não começou a patrocinar o Palmeiras só por questões de mercado, a parceria teve início em função da paixão de seu dono pelo clube. Ele é fanático torcedor alviverde e quando decidiu colocar dinheiro lá, o fez para realizar o sonho de ver os palmeirenses novamente campeões. A primeira iniciativa foi ligar para o clube e dizer: "Quero patrocinar o Palmeiras". Do outro lado da linha bateram o telefone imaginando que não passava de um trote. Obviamente Lamachia não desistiu.

2- O casal é dono da financeira e outras 10 empresas do grupo, como a FAM, e vê o Palmeiras de maneiras diferentes. Se José quer ajudar o clube a ser mais forte, Leila sonha presidi-lo. Virou maior ambição fora dos negócios do grupo, entre os quais a Faculdades das Américas é sua menina dos olhos.

Reprodução
José Roberto Lamachia, o então presidente Paulo Nobre e Leila Pereira: donos da Crefisa e FAM
José Roberto Lamachia, o ex-presidente Paulo Nobre e Leila Pereira: Crefisa e FAM

3- A viagem do casal em janeiro, de férias, atrasou as conversas sobre renovação de patrocínio, mas é muito improvável que ele não aconteça. A exposição da marca deu resultado para a Crefisa. Os desejos políticos dela, somados à paixão de ambos pelo clube, pavimentam o caminho da ampliação dessa parceria.

4- Se Leila e o ex-presidente Paulo Nobre não se entendiam bem, com Maurício Galiotte a tendência pelo diálogo é muito maior. O novo mandatário palmeirense é calmo e hábil para negociar, capaz de não perder o equilíbrio sequer quanto alguém sai do trilho das boas maneiras e o ataca. O próprio patrocinador presenciou essa postura fria e cerebral de Galiotte certa vez, num camarote do Allianz Parque.

5- Feliz com o retorno dado pela exposição dos logos de suas empresas no uniforme alviverde, surgiu a possibilidade de patrocinar rivais do Palmeiras. A ideia nasceu morta ante a possibilidade de, com eventual rejeição de palmeirenses em função disso, a chance de Leila na política do clube desaparecer. Fica claro que não é o mercado que define para onde vai a verba das empresas do casal destinadas a propaganda via futebol. A paixão pelo clube e sua política pesam bem mais.

Guga Gerchmann/Ag Eleven/Gazeta Press
Mauricio Galiotte, novo presidente do Palmeiras: perfil conciliador
Mauricio Galiotte, novo presidente do Palmeiras: perfil conciliador

6- Com a FAM iniciando cursos de ensino à distância, times de fora de São Paulo passam a ser possíveis alvos de patrocínio. Os que têm boa penetração no Norte e no Nordeste a princípio têm, em tese, mais chances. Contudo, para o ano de 2017, inicialmente a verba do grupo voltada à propaganda em times de futebol deve continuar concentrada apenas no Palmeiras.

7- Se renovado, provavelmente o patrocínio da Crefisa e FAM ao Palmeiras envolverá cifras maiores do que as do anterior, podendo bater os R$ 100 milhões por ano.

8- Não é absurdo imaginar que em meio às negociações os patrocinadores queiram discutir, além da renovação da parceria, a entrada de Leila no conselho do clube.

9- Dificilmente alguém falará a respeito, mas os donos de Crefisa e FAM gostariam de sentir-se parte integrante na gestão do futebol, e não apenas quem desembolsa milhões de reais pelo espaço no uniforme e eventualmente banca reforços. Caso de Lucas Barrios. "Presente" dado em 2015, o argentino naturalizado paraguaio tem todo o custo pago pelos patrocinadores.

10- O maior obstáculo que encontram é o diretor de futebol Alexandre Mattos. Ele barra qualquer tentativa de interferência externa no departamento. Resta saber como será na nova, e provavelmente mais política, administração alviverde.

Mauro Cezar vê Palmeiras pronto e vinda de novo atacante ligada a renovação de patrocínio