Gabriela Moreira

Gabriela Moreira

O gol mais valioso do mundo

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Caros leitores, neste Natal presenteio vocês com uma crônica da vida real sobre o nosso futebol. Ou o que eu gostaria que ele fosse em 2017.

Feliz Natal a todos! Que a bola sempre possa reconciliar.

*O texto foi escrito pelo colega Leo Aversa, autor do blog http://tontomundo.com.br/


Na escolinha de futebol a algazarra de sempre, imaginem vinte garotos de seis e sete anos juntos tentando ser Messi e Neymar. Os craques e os fanfarrões, Martín entre eles, fissurados para marcar gols. Os tímidos e os mais novos à deriva.

Na platéia o habitual grupo de babás conversando e alguns pais. Hoje no canto da quadra tem um cara que nunca vi no clube, parece um daqueles que assistem o jogo das crianças para lembrar da própria infância. Tem também uma mulher do outro ...lado, com cara tensa, deve ser mãe de um dos jogadores.


A partida segue na correria habitual, chutões para todo lado, um sofrido zero a zero. Quase no final o professor-juiz marca um pênalti. Todos querem bater, vira uma confusão, Martín e sua turma aos berros pedindo a bola. Para minha surpresa um dos meninos mais tímidos também está lá gritando desesperado que quer chutar. O professor não vê e dá a bola para um dos craques. O tímido vai chorando para a beira do campo. Está desolado. O professor percebe e o consola, diz que futebol é assim mesmo, o próximo pênalti ele é que bate. Mas o jogo vai acabar, diz soluçando o garoto, enquanto olha para a platéia. O jogo segue, o craque chuta e é gol. Os vencedores comemoram. Não valeu diz o juiz e professor, eu não tinha apitado. Chama o menino que estava chorando.

Vai lá, agora é a sua vez.

O menino chuta fraco mas faz o gol.

Acaba o jogo.

Ele sai do campo. A mulher do outro lado vai na sua direção. O homem que estava no canto também. Os dois se cumprimentam meio sem jeito, com um aperto de mãos. O menino entre eles continua sorrindo e comemorando.
Na saída passa por mim de mãos dadas com os dois. Dou os parabéns pelo pênalti convertido

- Esses são meu pai e minha mãe, me apresenta o menino sem largar as mãos. Falei pra eles que se os dois viessem juntos eu ia fazer um gol.

Martín me pergunta se o certo não seria quem bateu primeiro repetir a cobrança. Jogo adulto não é igual ao de criança, respondo sem muita convicção enquanto vejo os três indo embora, ainda de mãos dadas.

 

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