Gabriela Moreira

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STJD vai criar canal para denúncias de racismo

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

A Procuradoria do STJD vai dar tratamento especial ao acompanhamento de casos de racismo que acontecerem em jogos no Brasil. Atualmente, os episódios chegam ao Tribunal pelas súmulas das partidas ou por meio da imprensa, mas passarão a ser levados, também, pela ONG Observatório da Discriminação Racial no Brasil. As tratativas para o novo procedimento foram acordadas no encontro realizado na sede do Vasco, na tarde desta segunda-feira, quando foram divulgados os dados referentes a 2015. Ano passado, as ocorrências aumentaram 85% em relação à temporada anterior.

"O STJD através da minha pessoa se colocou à disposição para ajudar, dar suporte, investigar quando oficialmente acionado", disse o procurador Felipe Bevilacqua.

A preocupação é que os casos sejam, de fato, levados ao STJD para análise e possíveis punições. Muitas vezes, ficam apenas no âmbito das Justiças Desportivas Estaduais e o Tribunal não chega a análisá-los. Nesses casos, Bevilacqua também prometeu auxiliar.

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A ONG tem legitimidade para poder informar qualquer tipo de irregularidade. E a notícia de infração vai ter de vir com as provas necessárias, só isso, Não tem mistério nenhum. Prometi ajudar nos casos em que estiverem nos tribunais locais, criar vias de contato com os procuradores", explicou o procurador.

Conforme adiantado pelo Blog neste domingo, embora em 2015 o volume de atos de racismo no futebol tenha aumentado em 85%, apenas um caso foi punido pelo STJD. Em 2014, foram 20 situações com suspeita de racismo, enquanto em 2015 o número cresceu para 37.

26 casos em 2016

Em 2016, já são 26. Os dados são da ONG, sediada em Porto Alegre.

"A ideia é que eu repasse os casos, para que seja monitorado por eles, pois tem casos que não é de competência do STJD e sim do TJD. E ele (Bevilacqua) fez essa promessa de ser mais efetivo no combate, de forma pública", disse o diretor-executivo da ONG Marcelo Carvalho.

A ideia de procurar o Vasco para sediar o encontro se deu porque o clube foi o primeiro a lutar politicamente contra o veto a negros em competições de futebol. Além do cruzmaltino, o Internacional também já colaborou com a causa, promovendo em 2014 uma partida contra o racismo, organizada pela ONG.

Três atletas vascaínos acompanharam as discussões, Thalles, Jomar e Nezinho (do Basquete)