Gabriela Moreira

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Racismo no futebol cresce e punições diminuem

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br

Os casos de racismo no futebol cresceram 85% em 2015, comparados a 2014, enquanto as punições no STJD caíram drasticamente. É o que mostra o relatório do Observatório da Discriminação Racial no Brasil. De um total de 37 ocorrências no ano passado, houve apenas uma punição no Tribunal. O estudo completo será lançado pelo instituto nesta segunda-feira, na sede do Vasco. 

"Chama a atenção a diminuição de punições do STJD. Queremos entender o motivo. Quando há um episódio de racismo, o juiz deve colocar na súmula, mas a Justiça Desportiva também pode oferecer denúncia mesmo sem o registro. Por que tantos casos não foram julgados?", questiona o diretor-executivo da ONG, Marcelo Carvalho. 

O caso que foi punido ocorreu com o jogador Alberto, à época no Tocantinense. Ele foi chamado de "macaco", de "Vera Verão" e de "Zeca Urubu". Após julgamento, o Guaraí foi condenado a pagar multa no valor de R$ 500. O clube não recorreu da decisão e prometeu realizar campanhas anti-racismo entre seus torcedores. Os agressores não foram identificados à época. A punição ocorreu porque as ofensas foram registradas na súmula da partida. E um registro de ocorrência policial foi feita.

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"Queremos chamar a atenção da sociedade e dos clubes. Temos tentado contato com a CBF para levar os casos, mas não temos conseguido retorno", diz Carvalho.

Em 2016, 26 casos já foram registrados

Neste ano, as ocorrências de racismo também têm se mostrado frequentes, com 26 casos. Faltando apenas 11 para igualar o ano de 2015.

Desde que o estudo passou a ser feito, apenas dois clubes mostraram efetiva intenção em colaborar. O Internacional, que realizou em 2014 uma partida contra a intolerância racial e o Vasco, que abriu as portas do clube para a divulgação do relatório de 2015, que será lançado nesta segunda.

O Vasco foi o primeiro clube a lutar politicamente pela permanência de negros e pobres no time.

"Mário Filho no livro ´O negro no futebol brasileiro´ mostra que o Bangu já havia aceitado negros no time, mas sabemos que antes disso a Ponte Preta já contava com negros na equipe. O Vasco foi o primeiro clube que lutou pela permanência, o primeiro que teve coragem de resistir em relação ao racismo quando veio a proibição", disse o diretor-executivo do Observatório.

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