Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira

Decepção com Rogério Ceni

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Foi em 17 de março de 2014 que, em Seminário do Bom Senso Futebol Clube, Rogério Ceni surpreendeu ao, com a palavra, discursar com veemência contra a estrutura do futebol brasileiro. Ele clamou por mudanças, organização e emprego para os atletas.

Até então não havia se manifestado de tal forma. Pelo peso que tem, foi animador vê-lo voluntariamente envolvido em movimento tão importante para melhorar o futebol no país, mesmo discordando de um ou outro ponto, algo absolutamente natural.

Críticas duras às Federações, principalmente a Paulista, então sob a presidência de Marco Polo Del Nero, hoje à frente da CBF. Queixas contra os regulamentos dos Estaduais, ao afastamento de clubes do interior das competições regionais.

Ceni há pouco mais de dois anos: 'Até para o mensalão arrecadam mais do que para o esporte'

Defesa da sobrevivência de agremiações menores e ataque à prioridade dada a uma minoria. Críticas à estrutura do futebol brasileiro, seu calendário e jogos inúteis, especialmente em São Paulo, da Federação que Del Nero ainda comandava na época.

Críticas ao mensalão e à arrecadação de dinheiro "até para nego condenado na cadeia". Não se referia a dirigentes da CBF, José Maria Marin estava em liberdade e os nomes de Marco Polo e Ricardo Teixeira ainda não haviam sido citados pelo FBI.

"Confederação Brasileira de Futebol, que trabalhe pelo futebol brasileiro independentemente de quem seja o presidente. Temos que fazer alguma coisa em prol do futebol brasileiro", foi uma das frases enfáticas durante a longa explanação.

Ceni em março de 2014: 'Não estamos aqui pedindo Bolsa Atleta, estamos aqui pedindo emprego'

Em seguida, críticas aos políticos e à política vigente, defesa do futebol e ataques ao uso do esporte para tais fins. "Não estamos aqui pedindo Bolsa Família, Bolsa Atleta. Aqui nós estamos pedindo emprego. Geração de emprego, que é completamente possível, não estamos nem pedindo dinheiro da CBF".

"Não entendo porque tudo tem que passar pela CBF", acrescentou o então goleiro do São Paulo. Difícil entender porque Rogério Ceni precisa passar pela CBF (vídeo abaixo). Aprender com a comissão técnica de Dunga? Improvável. Cobrar pessoalmente mudanças ao presidente da Confederação? Lá, nos Estados Unidos, impossível.

Contraditório. Decepcionante. Pena.