André Rocha

André Rocha

Gols perdidos, erros defensivos - os pecados do São Paulo que o líder Galo de Pratto não costuma perdoar

O São Paulo tentou propor o jogo no Mineirão contra o líder do Brasileiro e neste blog não será criticado por isso. A coragem e a intenção de se impor mesmo longe de seus domínios merecem elogios.

Até porque o time de Juan Carlos Osório conseguiu por quase vinte minutos no primeiro tempo. Marcação adiantada, pressão no homem da bola, abafando o passe limpo de Rafael Carioca e tentando prender Marcos Rocha com Pato espetado à esquerda. Ou explorar as costas do ofensivo lateral.

Defensivamente, Rafael Tolói era uma espécie de lateral-zagueiro pela direita. Contra o 4-2-3-1 habitual do Atlético Mineiro, fugiria da filosofia de Osório manter três zagueiros contra apenas um atacante. O camisa dois cuidava de Thiago Ribeiro, enquanto Rodrigo Caio e Lucão ficavam com Pratto.

De início funcionou, mesmo com a opção questionável de recuar Michel Bastos e manter Ganso avançado, quase como um terceiro atacante perto de Luis Fabiano. Nem Osório arrisca posicionar o camisa dez mais atrás para armar e preferiu plantar como volante um dos melhores finalizadores do elenco, mas sem nenhum perfil de organizador.

O Atlético tentava sair aproximando os setores, mas o passe errado ou o desarme do adversário pegava a última linha de defesa avançada, com espaços às costas. Um buraco entre Marcos Rocha e Leonardo Silva. Assim Pato recebeu livre, mas praticamente atrasou para Victor. Antes Luis Fabiano havia desperdiçado uma e chegado tarde em outra, sem contar a bomba de longe que o goleiro salvou.

Reprodução TV Globo
Contragolpe do São Paulo, Pato infiltra pela esquerda contra Leonardo Silva - onde estava Marcos Rocha? Mas o atacante não aproveitou. Pecado fatal.
Contragolpe do São Paulo, Pato infiltra pela esquerda contra Leonardo Silva - onde estava Marcos Rocha? Mas o atacante não aproveitou. Pecado fatal.

Além de não transformar em gols as oportunidades contra um rival tão forte, o tricolor paulista pecou por confundir intensidade com empolgação. Com o domínio, os zagueiros começaram a se mandar ou sair para dar bote sem maiores cuidados. Suicídio.

Rodrigo Caio errou. Saiu para "caçar" à frente de Hudson e Bastos com a defesa posicionada. Decisão irresponsável que abriu o buraco que Pratto aproveitou para infiltrar, completar o passe de Marcos Rocha e aproveitar o rebote de Ceni.

Reprodução TV Globo
Flagrante de Rodrigo Caio voltando de um bote irresponsável à frente dos volantes e abrindo o buraco que Marcos Rocha acionou Pratto no primeiro gol.
Flagrante de Rodrigo Caio voltando de uma saída irresponsável à frente dos volantes e abrindo o buraco que Marcos Rocha acionou Pratto no primeiro gol.

Depois Tolói, escancarando o lado direito. Giovanni Augusto disparou às costas de Hudson, Rodrigo Caio chegou vendido na cobertura e Pratto se antecipou a Lucão. Em seguida, Hudson. Passe errado, Giovanni Augusto partiu livre contra a defesa que estava saindo. Pratto recebeu um pouco adiantado e tirou de Ceni. Argentino cirúrgico. 3 a 0, Mineirão em êxtase, vitória encaminhada.

Mesmo com Ganso mandando na trave e Pato perdendo outra chance cristalina no rebote. Ainda no primeiro tempo de 51% de posse são-paulina, apenas 12 passes errados, oito finalizações contra sete do Galo. Saldo: débito de três gols.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
São Paulo com Toloi à direita, Bastos no meio e Ganso avançado até teve bom início, mas perdeu chances e falhou atrás - Pratto não perdoou.
São Paulo com Toloi à direita, Bastos no meio e Ganso avançado até teve bom início, mas perdeu chances e falhou atrás - Pratto não perdoou.

Pato ainda diminuiu na segunda etapa completando centro perfeito de Ganso. Osório arriscou tudo com Centurión no lugar de Hudson repaginando o time num 4-2-3-1 adiantando Rodrigo Caio como volante. Depois Auro improvisado na vaga de Reinaldo e, no final, Boschilia substituiu Luis Fabiano. Não havia muito a fazer, embora a arbitragem tenha errado em um impedimento inexistente de Centurión que poderia ter servido Luis Fabiano.

Por isso Levir Culpi foi conservador. No intervalo, Cárdenas, sem as melhores condições físicas, deu lugar a Carlos. Para administrar, Danilo Pires na vaga de Thiago Ribeiro e Giovanni Augusto saiu para a entrada de Josué.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
No segundo tempo, São Paulo ofensivo no 4-2-3-1 com R.Caio no meio e Centurión à direita; Galo manteve osistema, mas controlou o jogo negando espaços.
No segundo tempo, São Paulo ofensivo no 4-2-3-1 com R.Caio no meio e Centurión à direita; Galo manteve osistema, mas controlou o jogo negando espaços.

Números finais: 52% de posse do São Paulo, mas 27 desarmes certos do time mineiro contra 18. 13 finalizações para cada time. Nove do Galo no alvo contra sete. A diferença no placar. De Pratto para Pato. Cinco conclusões de cada um. O argentino mandou quatro na direção da meta de Ceni. Três gols. Pato até acertou o alvo em três, mas só foi eficiente no tento único de sua equipe.

Três a um. Nos detalhes. Nos pecados capitais em ataque e defesa do time de Osorio, que não foi mal. Na eficiência e na eficácia do líder Galo, que não costuma perdoar.

(Estatísticas: Footstats)


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