André Rocha

André Rocha

Vasco não acha o Palmeiras intenso e veloz, que começa a aprender a desacelerar e vai brigar pelo titulo

A Copa América na reserva tirou o ritmo de jogo de Martín Silva e a atuação catastrófica ajuda a explicar os 3 a 0 no primeiro tempo em São Januário. O inacreditável gol perdido por Herrera foi a pá de cal em termos psicológicos.

Mas o Vasco não foi goleado apenas por seus erros. Simplesmente não achou o Palmeiras que teve sua atuação mais consistente sob o comando de Marcelo Oliveira.

Em pouco tempo, o técnico bicampeão brasileiro colocou duas marcas de suas equipes: todos participam da construção das jogadas, com apoio alternado de volantes e laterais, e a velocidade nas transições.

Essa combinação constrói um volume de jogo que complica o rival. Há ataques pelos dois lados, com jogadas trabalhadas pelo chão e também aéreas. Com a bola parada, os zagueiros se lançam à frente. Assim saiu o gol de Victor Ramos na última falha de Martín Silva.

Rafael Marques e Dudu, pelos lados, entram em diagonal se juntando a Leandro Pereira, artilheiro da "Era Marcelo" com seis gols. Dois em São Januário, o único no segundo tempo dos 4 a 1.

Robinho se junta ao trio com muita movimentação, apoiado por Gabriel e Arouca, os volantes de qualidade na condução e no timing para aparecer na frente. Bem diferentes de Anderson Salles e Guiñazu no Vasco. O massacre também passa por este abismo no meio-campo.

Reprodução PFC
Palmeiras atacando com sete jogadores - Robinho aberto à direita, lateral Lucas por dentro, Arouca chegando: volume e movimentação que sufocam o rival
Palmeiras atacando com sete jogadores - Robinho aberto à direita, lateral Lucas por dentro, Arouca chegando: volume e movimentação que sufocam o rival

Lucas e, principalmente, Egidio disparam. Por dentro ou em direção à linha de fundo. Impressionante como o lateral esquerdo rende nas mãos do treinador. Assim como o time, que teve 53% de posse e 17 finalizações - oito no alvo.

No passeio em São Januário, a evolução nítida foi no controle do jogo. No Cruzeiro, Marcelo contava com Lucas Silva para ditar o ritmo no meio e Everton Ribeiro "escondendo" a bola e tirando velocidade.

O Palmeiras era só intensidade. Tem posse de bola mais por conta do volume. Por dominar os rebotes, recuperar rápido e continuar atacando. Porém com a bola batendo e voltando, sem administrar. Foi assim, principalmente, nos 2 a 2 com o Sport.

Mesmo descontando as muitas fragilidades do rival, houve uma melhora no trabalho de Gabriel, Arouca e Robinho na troca de passes sem pressa, aprendendo a desacelerar. Um pouco de calma, até para descansar um time que corre demais.

Está voando. Em oito jogos, seis vitórias, um empate e derrota para o Grêmio na estreia de Marcelo. 18 gols marcados e quatro sofridos. Aproveitamento de 79%. Resultados e desempenho. De campeão. Por enquanto, colocou o Palmeiras no G-4, quatro pontos atrás do líder Atlético-MG. Mas vai brigar pela taça.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Vasco não conteve o 4-2-3-1 intenso e móvel do Palmeiras de Marcelo Oliveira em São Januário.
Vasco não conteve o 4-2-3-1 intenso, móvel e rápido do Palmeiras de Marcelo Oliveira em São Januário.

(Estatísticas: Footstats)


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