André Rocha

André Rocha

O bom empate entre Grêmio e Sport é mais uma receita simples para a evolução do futebol brasileiro

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Grêmio no 4-2-3-1 com intensidade e movimentação; Sport no 4-4-2 compacto, mas sem profundidade e rapidez na frente.
Grêmio no 4-2-3-1 com intensidade e movimentação; Sport no 4-4-2 compacto, mas sem profundidade e rapidez na frente.

Gramado em condições para a prática do esporte, dois times organizados e dispostos a marcar e jogar. Combinação básica para uma boa partida na Arena do Grêmio com 33 mil presentes, estimulados pelo futebol coletivo do time gaúcho. Para os que apreciam o jogo tanto quanto o clube de coração, o forte Sport de Eduardo Baptista também era atração.

Nem precisou do craque, do talento desequilibrante. O duelo se tornou interessante pelo embate tático e a participação de todos. Inclusive Douglas, mais lento e menos dinâmico em outros tempos e clubes, que mostra intensidade com ou sem a bola.

As equipes superaram até os desfalques. Grêmio sem Grohe e Geromel, suspensos, e Rhodolfo, vendido ao Besiktas. René foi a ausência no time rubro-negro, fazendo Baptista deslocar Wendel à esquerda para proteger Danilo. Rodrigo Mancha entrou no meio ao lado de Rithely.

Mas as duas linhas de quatro lá estavam. Compactas, coordenadas nas basculações, estreitando e pressionando no setor onde estava a bola. O problema era a falta de profundidade e a rapidez nos contragolpes com Diego Souza e André.

Reprodução Sportv
Sport em duas linhas compactas, não mais que 30 metros, e estreitando a marcação no setor onde está a bola. Organização pelo tempo de trabalho.
Sport em duas linhas compactas, não mais que 30 metros, e estreitando a marcação no setor onde está a bola. Organização pelo tempo de trabalho.

Também conter a mobilidade e o volume de jogo do time de Roger Machado. Luan abrindo espaços, Pedro Rocha entrando em diagonal, Giuliano auxiliando Douglas na articulação e abrindo espaços para as descidas de Rafael Galhardo. Maicon e Walace aproximando para dominar a segunda bola.

Por isso os 56% de posse e as sete finalizações contra uma, três a zero no alvo, no primeiro tempo. Uma de Luan na trave. A de Pedro Rocha foi às redes depois de bom passe de Walace e infiltração à direita, justamente o setor do frágil Danilo, batido com facilidade. Um prêmio à movimentação ofensiva.

Reprodução Sportv
No gol do Grêmio, a mobilidade na frente: Walace pela esquerda, Douglas chegando e Pedro Rocha infiltrando do centro para a direita antes de concluir.
No gol do Grêmio, a mobilidade na frente: Walace pela esquerda, Douglas chegando e Pedro Rocha infiltrando do centro para a direita antes de concluir.

Em pouco menos de três meses, o jovem técnico mudou a filosofia sem alterar a essência do clube. Fibra e entrega com ordem e proposta atual, apesar do elenco curto e desigual. Trabalho que merece continuidade, como o de Baptista, que já dura quase 18 meses.

Treinador que tornou o Sport mais ofensivo na segunda etapa com Élber na vaga de Mancha. Wendel voltou ao centro da segunda linha e Marlone inverteu o lado. Rithely ditou o ritmo no meio e a ocupação do campo adversário. Diego Souza estava na área para aproveitar centro de Danilo e a falha do goleiro Tiago na saída da meta e empatar.

Antes de ser expulso e explodir de irritação, Roger trocou o trio de meias. Giuliano, Douglas e Pedro Rocha por Fernandinho, Maxi Rodríguez e Braian Rodriguez, que cabeceou para a grande defesa do jogo. De Danilo Fernandes - o substituto de Magrão, ídolo do clube que não terá cadeira cativa na volta de longo período lesionado. O melhor em campo, que garantiu mais um ponto fora de casa.

Porque Baptista tirou André e Diego Souza e colocou Régis e Samuel, mas não ganhou rapidez na transição ofensiva. Tentou atacar em bloco, porém fustigou pouco a zaga reserva do Grêmio, com o jovem Rafael Thiery e Erazo.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
No final, Grêmio com Braian Rodriguez fez Danilo Fernandes trabalhar porque o Sport seguiu sem força nos contragolpes depois do empate e das mexidas.
No final, Grêmio com Braian Rodriguez fez Danilo Fernandes trabalhar porque o Sport seguiu sem força nos contragolpes depois do empate e das mexidas.

Números finais: Grêmio manteve o índice de posse e finalizou 12 vezes. Cinco na direção da meta de Danilo Fernandes. O Sport concluiu sete, duas no alvo. Também teve 15 desarmes corretos contra nove. Apenas sete faltas contra seis gremistas - poucas infrações, outra boa notícia. Só errou passes demais: 64, enquanto o rival, que teve mais a bola, só 36.

Nada que impedisse a boa disputa. Jogo agradável, que, mesmo sem vitória, fará o torcedor voltar à Arena em Porto Alegre. Também deve estimular o rubro-negro a apoiar o time em Recife. Porque o brasileiro, em geral, prefere ganhar a jogar bem. Mas sabe que o time forte, regular e consistente fica mais perto da vitória.

Receita simples para melhorar nosso futebol. Que seja mais um ótimo exemplo.

(Estatísticas: Footstats)


E-mail: anunesrocha@gmail.com