André Rocha

André Rocha

Ederson, o camisa dez possível no Flamengo - sem idealizações, pode ser muito útil

Gilvan de Souza/Fla Imagem
Ederson segura a camisa 10 do Flamengo em sua chegada à Gávea
Ederson segura a camisa 10 do Flamengo em sua chegada à Gávea

A camisa dez, naturalmente mítica (e pesada) no Flamengo por Zico, ficou reservada por quase oito meses em 2015. Seria de Conca, depois Jadson, Montillo, Quintero...Ficou com Ederson.

RS Futebol, Internacional, Juventude, Nice, Lyon e Lazio. Campeão mundial sub-17 em 2003. 29 anos, algumas lesões sérias, inclusive na estreia pela seleção brasileira em 2010. Em 278 jogos, 36 gols e 25 assistências.

Números e histórico que não animam muito. A exposição midiática, porém, foi de uma grande estrela. A solução para o problema de criação no meio-campo. A má notícia é que ele muito provavelmente não será o messias que vai redimir o Fla. A boa é que ele pode ser muito útil, se utilizado com inteligência.

Zico à parte, no Brasil o estereótipo do camisa dez no imaginário popular é Alex no Cruzeiro da tríplice coroa em 2003. Solto, sem nenhuma atribuição defensiva, à frente de uma trinca de volantes. Eles marcam, o craque pensa e decide. Carimba todas as bolas e ainda aparece para finalizar.

Outros tempos. Diante de linhas de quatro cada vez mais compactas, o meia ofensivo precisa de mobilidade. Sair para os flancos, recuar se preciso. Pensar o jogo, mas em velocidade. Não pode ser o único responsável pela quebra de linhas do adversário com passe ou infiltração. Deve fazer parte de um trabalho coletivo, também pressionando e voltando rápido na recomposição.

Éderson pode. Em um mais que provável 4-2-3-1 armado por Cristóvão Borges, a tendência é partir do centro, com Emerson e Everton ou Cirino pelos flancos atrás de Guerrero. Ou próximo ao peruano, quase como atacante. Mas o camisa dez também pode abrir e formar uma segunda linha de quatro, descansando um dos ponteiros. Ou recuar e mudar o desenho do triângulo no meio-campo: Cáceres ou Márcio Araújo plantado, Éderson alinhado a Canteros na articulação, com técnica e precisão nos passes.

ANDRÉ ROCHA - TACTICAL PAD
Em um 4-2-3-1, Ederson pode se juntar a Guerrero, trabalhar pelos lados ou recuar para articular com Canteros - mobilidade e versatilidade.
Em um 4-2-3-1, Ederson pode se juntar a Guerrero, trabalhar pelos lados ou recuar para articular com Canteros - mobilidade e versatilidade.

Mobilidade e versatilidade. Inverter posicionamento para mexer com a marcação. Mais eficiente ainda é mudar a direção com a bola, em progressão. Toca e desloca, tabela e triangulação. Em velocidade para surpreender. Criando espaços para sua melhor jogada: cortar da esquerda para dentro e finalizar. A experiência na Europa de buscar brechas entre as linhas do oponente com intensidade será de grande valia.

Reprodução Sportv
Flagrante de Ederson pelo Lyon recebendo entre as linhas de quatro, partindo da esquerda para dentro buscando a finalização.
Flagrante de Ederson pelo Lyon recebendo entre as linhas de quatro, partindo da esquerda para dentro buscando a finalização.

Sem lesões e pressão além da conta, cobrando o que o jogador não tem como entregar, Éderson pode ir bem no Flamengo. Um camisa dez real, atual. Sem idealizações.

ESPN Trumedia
Mapa de movimentação de Ederson na Lazio em 2013, último ano em que jogou com regularidade: boa ocupação de setores na intermediária ofensiva.
Mapa de movimentação de Ederson na Lazio em 2013, último ano em que jogou com regularidade: boa ocupação de setores na intermediária ofensiva.


E-mail: anunesrocha@gmail.com