André Rocha

André Rocha

Com bola parada, mas sem 'Muricybol', a vitória consistente do São Paulo sobre o ainda favorito Cruzeiro

André Rocha, blogueiro do ESPN.com.br

O São Paulo não jogou "Muricybol" no Morumbi. Terminou com menos posse que o Cruzeiro (48%) e construiu a vitória com duas bolas paradas: pênalti bem cobrado por Rogério Ceni e Alan Kardec completando escanteio da direita. Logo na jogada aérea que é o forte do time mineiro.

Mas trabalhou dentro de seu estilo. Com Ganso e Kaká voltando para colaborar pelos lados e Kardec bloqueando a saída de Nilton, liberando Pato no ataque. Um 4-4-2 que na prática se reconfigurava no 4-2-3-1 na recomposição. No ataque, porém, a movimentação novamente foi intensa. Quarteto ofensivo se procurando para as tabelas. Sempre com bola no chão.

Talentos em função da equipe. Marcação adiantada que ajudou na bola roubada que terminou no pênalti de Dedé em Ganso que Ceni converteu. Pressão que abafou a saída do time cruzeirense, prendeu Mayke mais que o habitual, não permitiu o passe limpo de Lucas Silva. Foram 23 desarmes certos do São Paulo contra 15.

A equipe de Marcelo Oliveira também avançou a marcação e buscou os contragolpes com Ricardo Goulart se juntando a Marcelo Moreno e Everton Ribeiro indefinindo a marcação dos volantes Denilson e Souza e de Alvaro Pereira quando infiltrava por dentro. Transição rápida e intensidade, como de costume, criando boas oportunidades. Pelo menos duas grandes defesas de Ceni.

Olho Tático
São Paulo com Ganso e Kaká pelos lados e Kardec voltando com Nilton; Cruzeiro no 4-2-3-1 que indefinia a marcação quando Everton Ribeiro centralizava.
São Paulo com Ganso e Kaká pelos lados e Kardec voltando com Nilton; Cruzeiro no 4-2-3-1 que indefinia a marcação quando Everton Ribeiro centralizava.

O líder do campeonato fez jogo igual até o treinador arriscar Dagoberto no lugar de Lucas Silva. A posição na tabela dava margem à ousadia, mas a troca não funcionou. O São Paulo controlou o meio-campo e Ganso e Kaká passaram a inverter o posicionamento e encontrar ainda mais espaços, muitas vezes fazendo com Kardec um triângulo contra Nilton. Expondo a retaguarda que perdeu Dedé por precaução, já que tinha o cartão amarelo e poderia ter sido expulso no pênalti. Entrou Manoel no intervalo. O tricolor paulista subiu o número de finalizações para 16, metade no alvo.

Olho Tático
Kaká e Ganso inverteram de lado em vários momentos e, junto com Kardec, envolveram Nilton, que ficou sozinho com a mudança ousada de Marcelo Oliveira.
Kaká e Ganso inverteram de lado em vários momentos e, junto com Kardec, envolveram Nilton, que ficou sozinho com a mudança ousada de Marcelo Oliveira.

O gol de Kardec definiu o bom jogo, manteve os 100% de aproveitamento do São Paulo em sete jogos com o quarteto reunido e mantém aberta a disputa pelo título. O Cruzeiro segue favorito pelos quatro pontos de vantagem, mas agora tem um oponente real que comprovou sua força em partida decisiva.

Competitivo e consistente, sem o estilo vistoso de outras vezes. Mas só levantou dez bolas na área, contra 12 do Cruzeiro. Bem distante do velho estilo de Muricy. Melhor assim.



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