Paulo Vinícius Coelho

Paulo Vinícius Coelho

Sem liberação do dinheiro do BNDES, Corinthians calcula pagar R$ 80 milhões de juros à Odebrecht

Paulo Vinicius Coelho

O estádio do Corinthians, em Itaquera, tem 89% da obra concluída. O mais polêmico estádio da Copa do Mundo contará com Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento da Prefeitura de São Paulo e empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES. 

Acontece que dois anos e meio após o início das obras, o dinheiro do BNDES ainda não foi liberado. Havia uma pendência envolvendo o banco repassador, teoricamente solucionada quando Corinthians e Odebrecht fizeam acordo com a Caixa Econômica Federal para repassar o dinheiro -- o Banco do Brasil não aceitava as condições do consórcio.

O acordo com a Caixa foi formalizado em março deste ano ea expectativa era que no mês seguinte fosse feita a liberação dos R$ 400 milhões do BNDES. Ainda não foi

Enquanto o empréstimo não é liberado, a Odebrecht faz a obra com sua própria verba, para mais tarde cobrar o Corinthians. Pelos cálculos corintianos, os juros devem bater em R$ 80 milhões.

Nesse caso, o Corinthians terá de pagar R$ 400 milhões ao BNDES no prazo de treze anos -- dez anos de pagamento e três de carência a partir da liberação do dinheiro. E outros R$ 80 milhões, aproximadamente à Caixa.

Até o ano passado, o Corinthians estimava pagar a totalidade -- ou pelo menos a maior parte -- do empréstimo com a venda dos naming rights. Para conseguir isso, teria de vender o nome do estádio por R$ 400 milhões por dez anos. Assim, poderia pagar anualmente R$ 40 milhões ao BNDES. Essa lógica mudou. Será necessário vender os naming rights por R$ 480 milhões por dez anos.

Os dirigentes já falam mais abertamente na possibilidade de os naming rights não serem responsváveis pela totalidade do pagamento do empréstimo, mas por uma porcentagem na casa dos 70%. Mês passado, circulou a informação de que a empresa aérea Emirates estaria interessada no nome do estádio. A Emirates desmente ter interesse. Hoje, não há acordo próximo.