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O 'batismo de fogo' da seleção brasileira que ganha maturidade, mas precisa evoluir além dos resultados

André Rocha, blogueiro do ESPN.com.br
Efe
Companheiros vibraram com defesa de Júlio César
Companheiros vibraram com defesa de Júlio César no pênalti de Forlán.
A tensão de um jogo eliminatório em clássico sul-americano com favoritismo e mando de campo atrapalhou a seleção brasileira nos primeiros minutos no Mineirão.

Tanto quanto a marcação uruguaia, encurtando o campo em um 4-1-4-1 que iniciava a marcação por laterais e volantes, deixando os zagueiros livres. Cavani e Suárez voltando com Daniel Alves e Marcelo, Forlán batendo com Luiz Gustavo. A Celeste tinha a sobra na zaga com Lugano ou Godín e também no meio, com Arévalo Rios.

Neymar começou centralizado, com Hulk à esquerda e Oscar pela direita. Depois voltou ao lado esquerdo, mas sempre encaixotado pela marcação duplicada, às vezes triplicada. Resultado prático: time nervoso, circulando a bola entre Thiago Silva e David Luiz sem iniciar as jogadas até rifar a bola ou errar o passe armando o contragolpe rival.

O pênalti para o campeão sul-americano não saiu no contra-ataque, mas no escanteio que David Luiz, tresloucadamente, quase tirou a camisa do Lugano. Silêncio no estádio até Julio César se adiantar e espalmar o chute de Forlán.

Com a torcida de novo acesa, a expectativa era que a seleção se acalmasse e, enfim, começasse a jogar. Mas Hulk pecava pela ansiedade e Oscar pouco participava. Com Neymar bem marcado, Fred apareceu primeiro tentando a finalização que Godín salvou, depois indo às redes completando meio sem jeito rebote de Neymar em lançamento primoroso de Paulinho. Mero espasmo no final de um primeiro tempo ruim, quase inócuo.

 

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Seleção brasileira encaixotada no primeiro tempo com a marcação uruguaia que deixava os zagueiros livres e fechava laterais e volantes com sobra dupla
Seleção brasileira encaixotada no primeiro tempo com a marcação uruguaia que deixava os zagueiros livres e fechava laterais e volantes com sobra dupla

Cenário que não mudou no segundo tempo e ficou ainda mais complicado com o gol de Cavani. Falha de Thiago Silva na saída de bola. Simplismo dizer que o chutão era a solução. Ainda mais para um dos melhores zagueiros do mundo, repleto de recursos. O toque certo para Marcelo ou um corte para a lateral resolveria o problema.

O Uruguai manteve a estratégia sem a bola, mas passou a arriscar mais na frente. Cavani se multiplicava em campo, marcando Marcelo e aparecendo na área para concluir. Os brasileiros seguiam sem coordenação, trabalho coletivo e começavam a espaçar os setores.

Até Scolari tirar Hulk, mas não colocar Lucas.O atleticano Bernard era o fato novo para incendiar o estádio e despertar o time. Felipão também foi bem ao trocar Oscar por Hernanes e liberar Paulinho. Com o cansaço e a falta de opções na reserva, o Uruguai foi recuando e perdendo a transição ofensiva, mas ameaçava nas jogadas aéreas. Tabárez só fez uma substituição: González, provocado por Neymar, saiu para a entrada de Gargano. Nitidamente apostava na prorrogação.

Paulinho não deixou. No escanteio cobrado por Neymar, mais um gol decisivo na carreira do volante. No final do jogo, lembrando muito o marcado sobre o Vasco no Pacaembu que classificou o Corinthians nas quartas-de-final da Libertadores de 2012. Prêmio ao melhor brasileiro. Ou o mais decisivo, porque ninguém foi melhor que Cavani no Mineirão.

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Com apenas uma substituição, o time uruguaio cansou e deu espaços para a seleção que se impôs com Bernard, Paulinho e na fibra.
Com apenas uma substituição, o time uruguaio cansou e deu espaços para a seleção que se impôs com Bernard, Paulinho e na fibra.

Rumo ao Maracanã. Com fibra, uma dose de sorte e maturidade depois deste "batismo de fogo". Mas sem organização, consistência e segurança. Se a finalista for a Espanha, até sem o favoritismo. Vencer a Copa das Confederações talvez nem seja o melhor no momento - vide 1997, 2005 e 2009. Na frieza dos resultados, a missão no torneio já está cumprida. Agora é evoluir, de fato.

A começar pela decisão de domingo.

 



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