André Rocha

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O Cruzeiro na vitória sobre o Tombense, por Christiano Candian

André Rocha, blogueiro do ESPN.com.br
ESCREVE CHRISTIANO CANDIAN (http://constelacoes.candian.com.br)

Vipcomm/Divulgação
Everton Ribeiro fez o segundo gol do Cruzeiro
Everton Ribeiro fez o segundo gol do Cruzeiro
Com dois tempos distintos, o Cruzeiro venceu o Tombense por 3 a 1 no Mineirão e manteve a liderança do Campeonato Mineiro. A vitória foi sofrida, apesar do placar, e mostrou que o time celeste ainda precisa evoluir em alguns aspectos.

Marcelo Oliveira mandou a campo o habitual 4-2-3-1, mas desta vez com Luan na vaga de Dagoberto, compondo a linha de três meias pela esquerda. Já o técnico Marcelo Cabo armou a estreante Tombense num 4-3-2-1, a famosa "árvore de natal", tendo somente o atacante Adeílson à frente.

A formação do adversário congestionava o centro do campo e forçava o jogo do Cruzeiro pelas laterais. Ceará e Éverton eram sempre procurados pelos zagueiros Paulão e Thiago Carvalho, já que os volantes Nilton e Leandro Guerreiro estava marcados pelo meia Joílson e o atacante recuado Eder Luiz. 

Porém, Ceará foi pouco acionado, não só porque tinha pouco suporte pelo lado direito devido à tendência de centralização de Éverton Ribeiro - um ponteiro de "pé invertido", ou seja, canhoto na direita - mas também porque o resto do time tinha uma tendência a procurar o lado esquerdo com Éverton e Luan, que se posicionava bem aberto no ataque, quase como um ponta.

Com Diego Souza, o meia central, se movimentando pouco, era natural que as principais jogadas ofensivas saíssem pelo flanco esquerdo. As estatísticas publicadas na seção Tempo Real do site da ESPN Brasil comprovam: o Cruzeiro gastou 43% de sua posse de bola daquele lado, contra apenas 30% do lado direito. Não é de se espantar, portanto, que o gol que abriu o placar tenha saído justamente em jogada por aquele setor: Éverton Ribeiro, que naquele momento do jogo havia trocado de lado com Luan, tabelou com Éverton, que concluiu forte em cima do goleiro Glaycon, proporcionando o rebote que o garoto Vinicius Araújo, jovem promessa da base do Cruzeiro e que havia entrado em lugar do lesionado Anselmo Ramon, aproveitou com muito oportunismo.

Mas a falta de amplitude no campo ofensivo, somada à falta de movimentação do trio de meias - aspecto vital para um 4-2-3-1 funcionar bem - fazia o Cruzeiro ficar previsível, facilitando a marcação do Tombense. E foi a isso que se resumiu o primeiro tempo.

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Marcelo Oliveira manteve o 4-2-3-1 no primeiro tempo mesmo após a saída do lesionado Anselmo Ramon
Marcelo Oliveira manteve o 4-2-3-1 no primeiro tempo mesmo após a saída do lesionado Anselmo Ramon

Após o intervalo, Marcelo Cabo reconfigurou sua equipe em um 4-2-3-1 com a entrada de Tiago Azulão como ponteiro esquerdo na vaga do volante Mateus Silva, jogando o meia Joílson para o lado direito. Com isso, dobrou a marcação dos lados do campo e o Cruzeiro passou a ter ainda mais dificuldades de penetração, dando espaços para contra-ataques do time de Tombos. 

Em um deles, uma ligação direta deixou o centro-avante Adeílson sozinho e cara a cara com Fábio -- até então um espectador privilegiado do jogo -- mas o goleiro cruzeirense mostrou porque é frequentemente lembrado para a seleção brasileira.

Marcelo Oliveira tentou dar velocidade ao time sacando Luan para a entrada de Dagoberto. O camisa 11 entrou bem mais avançado, e o time ficou mais leve e vertical, porém com mais vulnerabilidade defensiva. O jogo foi ficando mais franco, e a Tombense começou a sair de trás, avançando aos poucos e começando a incomodar Fábio.

O Cruzeiro se aproveitou e em jogada de contra-ataque, Vinicius Araújo foi acionado pelo lado esquerdo e avançou sozinho para dentro da área. Quando a marcação chegou, cruzou rasteiro para o outro lado, onde estava Everton Ribeiro, que já tinha passado da linha da bola. Com muita tranquilidade, o camisa 17 recuou dois passos e finalizou com calma no cando direito, sem chances para Glaycon.

Com a desvantagem aumentada, o Tombense tratou de tentar atacar o Cruzeiro, que, ao contrário do primeiro tempo, não marcava de maneira avançada. O time de Tombos chegou ao primeiro gol em lance de bola parada, em cabeçada de Adeílson, e só não chegou ao empate porque Tiago Azulão mandou um rebote frontal para fora.

Diego Souza deixou o campo para a entrada de mais uma prata da casa, o jovem meia Élber. Reconfigurado num 4-2-2-2 com o avanço definitivo de Dagoberto para a direita do ataque, o Cruzeiro agora tinha bastante movimentação do quarteto ofensivo, mas continuava deixando espaços na defesa. A tranquilidade só veio em um passe de Dagoberto, aberto na direita, para Élber, que entrava em velocidade, matando a cobertura adversária. O garoto fuzilou no cando esquerdo alto e definiu a partida.

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O 4-2-2-2 cruzeirense do segundo tempo com Elber e Dagoberto nas vagas de Diego Souza e Luan.
O 4-2-2-2 cruzeirense do segundo tempo com Elber e Dagoberto nas vagas de Diego Souza e Luan.

Talvez a folga prolongada de 15 dias, em razão da antecipação do clássico para a reinauguração do Mineirão, tenha contribuído para que alguns jogadores sentissem a falta de ritmo de jogo, principalmente Diego Souza, que ficou encaixotado na marcação e pouco se oferecia como opção de passe no meio-campo.

Se os resultados do início do ano animaram o torcedor cruzeirense, a sequência de jogos mostra que só com o tempo é que poderemos ver o time com mais entrosamento. A falta deste foi a principal causa para a variação do time durante a partida. Marcelo Oliveira ainda tem muito trabalho pela frente.

ESCREVEU CHRISTIANO CANDIAN (http://constelacoes.candian.com.br)


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