Tempo Real

Entrada de Dennis Rodman ao Hall da Fama foi de tirar o chapéu

Paulo Antunes, blogueiro do ESPN.com.br

undefined

Dennis Rodman discursa: um dos grandes personagens da história do esporte

As palavras não saíam. Ele engasgava, parava e começava de novo. Completamente tomado pelo momento, procurava um ombro amigo para ajudá-lo conter suas emoções. A galera presente não sabia se batia palmas ou ficava quieta respeitando um momento de pura emoção, sinceridade e humildade. Esse foi o palco ontem na cidade de Springfield, no estado de Massachussets, durante a cerimônia de entrada de Dennis Rodman ao Hall da Fama. A mesma paixão que vimos durante 15 temporadas na NBA, apareceu nessa sexta-feira em um discurso muito emocionante.

Em quadra, ele era uma máquina de pegar rebotes, e um defensor que não sabia dar menos do que 100%. Às vezes, parecia que Dennis Rodman estava ligado no 220v. Até quando o jogo estava parado, não era incomum ver Dennis batendo palmas sarcasticamente e correndo em círculos na meia quadra depois de uma marcação duvidosa do juiz (um gesto cômico, por sinal). Eleito o melhor jogador defensivo da NBA duas vezes, Rodman ajudou o Detroit Pistons chegar a dois títulos, e levantou o troféu três vezes com o Chicago Bulls.

Na tabela, o cara era uma fera. Eu nunca vi um jogador tão bom pegando rebotes. A bola saía da mão do arremessador e Rodman já sabia em que parte do aro a bola ia bater e se posicionava perfeitamente pra pegar o rebote. Nos treinos dos Bulls, não era incomum ver Rodman apanhando os rebotes de Michael Jordan ou Scottie Pippen para aperfeiçoar essa arte. Rodman teve dois anos na carreira em que superou a média de 18 rebotes por jogo. Tudo isso com apenas 1'98 de altura!!

undefined

Rodman, em ação pelo Chicago Bulls
Em quadra, um grande jogador. Fora dela, um ser atormentado.

Se tivéssemos um Hall da Fama para os atletas mais ecléticos da historia do esporte, Dennis Rodman seria o primeiro integrante. Ele pintava o cabelo de todas as cores, se tatuava, vestia-se de noiva, adorava festas extravagantes, fazia ponta como ator em Hollywood, tinha relações com mulheres famosas como, Carmen Electra e Madonna, se metia em encrencas com a lei, e até foi filmado chutando um cinegrafista durante um jogo. Dennis Rodman se alimentava dos holofotes. É quase um milagre que ele conseguia fazer tanta coisa extra-quadra e ainda produzir como atleta profissional.

Atrás de tudo isso, Dennis batalhava os demônios de uma infância sombria na periferia de Oak Cliff em Dallas. Ele foi abandonado pelo pai e vivia uma relação conturbada com sua mãe, que chegou a mandá-lo embora de casa. Como marido, ele nunca foi fiel e como pai, não dava a atenção necessária aos seus filhos, e como filho, desrespeitava sua mãe.

Nessa sexta-feira, Rodman falou exatamente sobre isso. Ele não subiu ao palco para discursar de seus momentos bons como jogador ou de se gabar (algo que Michael Jordan fez, e bem, em seu discurso no ano passado). Com lagrimas fluindo o ex-atleta refletiu sobre as pessoas que o ajudaram. Ele falou de Phil Jackson (que estava no palco ao lado dele), Jerry Buss, Chuck Daly e outras pessoas que serviram como alicerce para ele poder continuar sua caminhada na vida (ele chegou a contemplar suicido). Rodman disse que sem o basquete, poderia ter se tornado um traficante ou estar morto.

Geralmente nesses discursos, atletas professam seu amor à mãe. Esse não foi o caso ontem. Dennis falou dos momentos difíceis na relação dele com a Sra. Shirley, e não escondeu que a ressentia por muito tempo por tê-lo mandado embora de casa. Rodman admitiu que nunca pensava em ajudá-la financeiramente depois de chegar à NBA (algo que a maioria dos atletas faz). Rodman também admitiu ter sido um péssimo filho e que espera voltar a amar sua mãe como amava-a quando nasceu. Foi assim que ele encerrou seu discurso.

Esse é Dennis Rodman

Rodman não vai ganhar nenhum prêmio de melhor discurso da história. Entretanto, foi refrescante ver a sinceridade de uma pessoa que é mais do que transparente. Muitas vezes, nesses momentos, as pessoas falam "o que os outros querem ouvir". Dennis Rodman foi sincero, humilde, e íntegro. Essas qualidades cativam.

É obvio que Rodman é bem longe se ser uma pessoa perfeita. Ele já errou muito e fez as pessoas ao seu redor sofrerem bastante. Entretanto, a sinceridade e honestidade exalam dos poros desse eclético ser humano. Ele não foge de suas limitações, nega seus defeitos ou esconde seus sentimentos. Isso é especial.

Me diverti muito assistindo a carreira desse grande jogador. Pra mim, Dennis Rodman foi uma das pessoas mais envolventes e carismáticas da história do esporte. Era difícil deixar de ler alguma notícia envolvendo Dennis Rodman, seja quando anotou 34 rebotes num jogo ou quando fez participações em filmes de Hollywood. Da mesma forma que cativou fás durante sua carreira, ele cativou ontem.

Não poderia ter sido diferente. Esse é Dennis Rodman.

E você, qual é sua maior lembrança do jogador? Gostou do discurso?

Link do discurso: http://www.nba.com/video/channels/hall_of_fame/2011/08/12/20110812_hof_speech_rodman_new.nba/

undefined

O astro vestido de noiva: figura polêmica e controversa
Publicidade