Guardiola o deixou 'arrogante'; agora, De Bruyne ensina técnico da Bélgica e dá pitaco no esquema tático da seleção

Jonathan Smith, do ESPN FC
Jimmy Bolcina/Photonews via Getty Images
De Bruyne durante entrevista coletiva da seleção da Bélgica
De Bruyne durante entrevista coletiva da seleção da Bélgica

Em entrevista exclusiva ao ESPN FC na semana passada, o técnico da seleção da Bélgica, Roberto Martínez, elogiou o também treinador Josep Guardiola, do Manchester City, por ter transformado o meia Kevin De Bruyne em um jogador mais "arrogante", com auto-confiança elevada e menos temor dos adversários. Os efeitos dessa tal "arrogância", porém, agora começam a ser experimentados pelo próprio comandante dos "Diabos Vermelhos"...

Em entrevista no último final de semana, na qual comentou diversos detalhes do empate por 3 a 3 com o México, em amistoso realizado em Bruxelas, De Bruyne questionou a formação tática usada por Martínez contra os mexicanos, e criticou publicamente o treinador, dizendo que a Bélgica "não pode ficar dependendo dos talentos individuais" se quiser ganhar a Copa do Mundo. 

Além disso, ele comparou o empate contra os aztecas com um "despertador tocando".

Martínez, que assumiu a seleção em agosto de 2016, após a saída de Marc Wilmots, tem em suas mãos uma das equipes mais talentosas do Mundial, com titulares de algumas das mais poderosas equipes da Europa, como Eden Hazard, Romelu Lukaku, Dries Mertens, Yannic Ferreira-Carrasco, Thibaut Courtois e Jan Vertonghen, além do próprio De Bruyne. 

EFE/EPA/STEPHANIE LECOCQ
De Bruyne foi substituído no 1º tempo
De Bruyne foi substituído no 1º tempo

O atleta do Manchester City, porém, diz que a seleção ainda precisa melhorar muito se quiser conquistar o inédito campeonato mundial, e aproveitou para dar uma "aula de tática" para Martínez.

"O México foi taticamente melhor que nós. O sistema deles fez nossos cinco defensores ficarem 'afundados' atrás, e nós ficamos 'nadando' no meio-campo. A todo o momento nós nos víamos em situações de cinco contra sete", analisou De Bruyne, ao jornal Het Laatste Niewus.

"Nós ainda colocamos muita ênfase em nossos talentos individuais. Enquanto não tivermos um bom sistema tático, teremos dificuldades contra adversários como o México. É uma pena que ainda não encontramos a solução para isso", disparou. 

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E o meia não parou por aí, pedindo mudanças e dando vários pitacos sobre a tática.

"Nós jogamos em um sistema que a princípio é bastante defensivo, mas também está cheio de jogadores ofensivos, que querem a bola a todo o momento. Só que, em partidas como contra o México, isso vira um problema. Foi um jogo em que tivemos pouca posse e vários jogadores  dentro de um sistema em que não se encaixam", detonou.

"Sabemos que algo deve ser mudado em partidas contra esses times. No fim das contas, a decisão é de Martínez. Acho que o treinador tem que encontrar as soluções, de forma que a gente consiga evitar situações como as que vimos contra o México nas partidas futuras", encerrou. 

Jimmy Bolcina/Photonews via Getty Images
De Bruyne pediu mudanças na tática da Bélgica
De Bruyne pediu mudanças na tática da Bélgica

Na partida em questão, o treinador espanhol armou os "Diabos Vermelhos" no 5-4-1: Courtois; Meunier, Ciman, Boyata, Vermaelen e Chadli; Tielemans, Witsel, De Bruyne e Hazard; Lukaku. Depois, fez modificações colocando Mertens no lugar de De Bruyne, Dembélé no de Tielemans, Thorgan no do irmão Eden Hazard e Origi no de Lukaku. 

Apesar de De Bruyne ter ficado frustrado pela substituição logo no intervalo, a alteração de Martínez acabou dando resultado, ao menos ofensivamente, já que Lukaku fez dois gols com assistências de Mertens. No entanto, a zaga belga levou dois gols de Lozano e viu a partida terminar em 3 a 3 (Hazard e Guardado haviam marcado no 1º tempo). 

A Bélgica agora volta a campo nesta terça-feira, às 17h45 (de Brasília), para encarar o Japão em mais um amistoso.

Resta saber se a formação tática será definida por Martínez ou De Bruyne...

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À Sky Sports, De Bruyne ainda comentou outra declaração de Roberto Martínez sobre seu futebol: a de que ele pode em breve alcançar o mesmo nível de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, donos dos 10 últimos títulos de melhor do mundo da Fifa (cinco para cada).

"Eu não me importo. Simplesmente não me importo. As pessoas ficam comparando um jogador com o outro e acho que não faz sentido, pois há muitos bons jogadores no planeta, em várias posições diferentes", opinou.

"No final das contas, só irei ganhar prêmios individuais se conseguir vencer também coletivamente o City. Tentarei seguir jogando da forma que estou jogando agora, e a maneira como nós estamos jogando como time é muito positiva. Todos estão no mesmo espírito e querem seguir jogando esse futebol de agora", encerrou.