Como brasileira que brilhou na WNBA ‘deu cascudos’ e ajudou primo a virar candidato a campeão brasileiro

Bianca Daga, do espnW.com.br

Arquivo pessoal
Iziane, ex-ala da seleção brasileira, é prima de Pablo, zagueiro do Corinthians
Iziane, ex-ala da seleção brasileira, é prima de Pablo, zagueiro do Corinthians

O Corinthians pode ser campeão brasileiro já nesta quarta-feira, caso vença o Fluminense, pela 35ª rodada. O título será no futebol, mas também terá comemoração de uma ex-atleta e agora dirigente do basquete. Iziane Castro Marques, que defendeu a seleção brasileira como ala, é prima de primeiro grau de Pablo Nascimento Castro, zagueiro do clube paulista.

E o curioso é que até ele se transferir para o time do Parque São Jorge, no início deste ano, ela era flamenguista. “Aqui no Maranhão, torço para o Sampaio Corrêa. Nacionalmente, era para o Flamengo. Mas a família toda virou corintiana, não teve jeito (risos). O sucesso do Corinthians é o dele também. Vai ser campeão, né... então, já pedi minha camisa autografada do título!”, contou Iziane ao espnW.

A prima mais velha já ganhou uma camisa para seu instituto, autografada por todos os jogadores, quando o clube foi campeão paulista, em maio. Agora, quer a sua. Com nove anos a mais que Pablo – 35 contra 26 –, Iziane foi conselheira quando Pablo decidiu ‘seguir seus passos’ e sair de São Luís (MA), cidade natal dos dois, para seguir carreira no esporte. E até hoje, ele ouve as opiniões dela.

“É primo de eu pegar no colo e dar cascudo quando precisava. Ele era danado (risos). Como toda família nordestina, a nossa sempre foi unida, todos na casa da avó. Quando ele começou a jogar e quis ir embora, aos 14 anos, conversei com o meu tio para convencê-lo a deixar, mas que ele não foi sozinho, porque no futebol tem muito empresário mau caráter. Sempre estive presente na carreira dele. Quando mudava de clube, discutíamos a melhor opção. Até hoje é assim. Todo dia torcendo, trocando mensagem no grupo da família.”

Pablo está em busca de seu primeiro título de grande expressão na carreira e pode se inspirar na prima para alçar voos ainda mais altos. Maior nome do basquete no Maranhão, Iziane mudou-se para São Paulo aos 15 anos, jogou em Osasco e ganhou o mundo. Morou 11 anos fora do Brasil, tendo defendido clubes na WNBA – se tornou a jogadora mais nova da liga norte-americana, com 21 anos –, na Espanha, na França, na Rússia, na Polônia, na República Tcheca e na Letônia.

Com três mundiais na bagagem (7º lugar na China-2002; 4º no Brasil-2006 e 9º na República Tcheca-2010) e dois Jogos Olímpicos (4º em Atenas-2004 e fase de grupos no Rio de Janeiro-2016), a ala voltou para casa para disputar a Liga de Basquete Feminino (LBF) pelo Sampaio Corrêa e ajudou a equipe a conquistar o título inédito na temporada 2015/2016, tendo sido eleita MVP nos playoffs finais.

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Iziane, agora, é diretora técnica do Sampaio Corrêa, que disputa a LBF
Iziane, agora, é diretora técnica do Sampaio Corrêa, que disputa a LBF

Depois de comemorar a conquista, disputa a Olimpíada do Rio, no ano passado, e se aposentou. Mas logo foi convidada pelo Sampaio Corrêa para trabalhar nos bastidores. No mês passado, assumiu o cargo de diretora técnica de seu clube de coração, que disputará a LBF pela terceira vez, a partir de janeiro. Iziane trabalha na montagem da equipe, pensando nas jogadoras com quem quer contar.

“O treinador já está definido. Será o Virgial, frânces marido da Adriana Santos (ex-seleção), que foi assistente técnico quando fomos campeões da LBF. As jogadoras, já tenho alguns nomes, mas ainda estamos captando recursos para conseguir um bom orçamento. Quero montar o elenco até o fim deste mês e começar a treinar logo depois do Natal, para ter um mês de pré-temporada.”

Iziane tem outros projetos também. Sua ideia é formar ligas regionais de basquete entre o Norte e o Nordeste para que o Sampaio Corrêa tenha mais calendário e não precise se reformular todo ano. Além disso, assim como trabalha no instituto que leva seu nome, quer que o clube seja instrumento de educação e inclusão social, aproximando as jogadoras de meninas e meninos em escolas e hospitais. E não descarta, no futuro, trabalhar como dirigente na LBF, na Confederação Brasileira de Basquete (CBB) ou no Comitê Olímpico do Brasil (COB).