Opinião: Como equipes de 'League of Legends' podem evitar armadilhas comuns ao formar suas escalações

Kelsey Moser/ESPN.com

Riot Games
A Samsung Galaxy foi uma das equipes que decidiu manter sua escalação intacta de 2016 para 2017
A Samsung Galaxy foi uma das equipes que decidiu manter sua escalação intacta de 2016 para 2017

Análise originalmente publicada em ESPN Esports.

O período de "entressafra" de League of Legends começou e, com o sistema de franquias chegando à League Championship Series da América do Norte, ele promete ser um dos mais caóticos da história do competitivo.

O caster chinês Xu "Joker" Fei disse aos fãs durante uma transmissão no ano passado que as equipes de América do Norte superariam a liga chinesa em ofertas salariais para começar a temporada de 2017. Mas enquanto várias equipes demonstraram isso na temporada passada, o dinheiro nem sempre pode comprar grandes vitórias.

Com o sistema de franquias e as novas organizações entrando em jogo, alguns dos erros da offseason do passado podem se repetir.

Pensando nisso, aqui estão alguns dos erros mais comuns a se evitar na formação de escalações durante esse período. Muitos conselhos podem parecer diretos, mas a história mostrou que o bom senso nem sempre é fácil de se encontrar no esporte eletrônico..

A armadilha de dinheiro

Quando a Immortals comprou uma vaga na LCS NA, o CEO Noah Whinston defendeu a ideia de que algumas organizações tiveram que pagar salários mais altos para compensar o que carecem de reputação. A Team SoloMid, disse ele, pagou salários de base mais baixos do que a Immortals porque os jogadores queriam entrar na TSM, mas tiveram que ser persuadidos de que Immortals não era um erro.

Os jogadores da Flash Wolves optaram por ficar junto ao longo dos anos, apesar das ofertas de altas, porque são amigos e gostam de jogar juntos. Alguns jogadores são mais atraentes como companheiros de equipe. Isso que dizer que, às vezes, as organizações com investimento extensivo de capital ou de terceiros esquecem que os jogadores podem não apenas querer o maior pagamento. É importante saber o que os jogadores querem além do dinheiro, e esse será um dos maiores obstáculos para as novas organizações.

Riot Games
Immortals se concentra durante a grande final do Summer Split 2017 da LCS NA
Immortals se concentra durante a grande final do Summer Split 2017 da LCS NA

Falta de pesquisa

Se os times caem no primeiro erro, serão presas fáceis de qualquer um dessa lista. A falta de pesquisa geralmente significa que, na formação de escalações, uma equipe não conseguiu se familiarizar com os jogadores na SoloQ. Isso envolve saber quem se dá bem com quem, quais campeões utiliza e, ainda, quais talentos procurar.

É impressionante que, no passado, as organizações não ligavam para jogadores importados de própria liga. Jogadores que você não está observando no dia a dia se tornam uma variável ainda maior, especialmente quando você não tem como saber como podem se encaixar com o resto de uma escalação. Uma pesquisa adequada não só permite que as organizações criem equipes que melhoram ao longo do tempo por menos, mas também reduz a concorrência pelos grandes nomes e diminui a dependência das normalizadas importações internacionais.

O meme da super equipe

Com o fracasso da KT Rolster em se qualificar para o Mundial o meme da super equipe deve estar bem e verdadeiramente morto. Ele foi tentado em todas as grandes regiões, exceto talvez na League of Legends Masters Series (LMS). Organizações buscaram construir equipes de jogadores que costumam carregar e falharam porque eles não conseguiram sair do “quadrado” que dera certo.

Uma super equipe de verdade leva em consideração os pontos fortes e fracos dos jogadores experientes. Um jogador como Andrei "Odoamne" Pascu, por exemplo, costuma gostar de matchups ruins e poderia se dar bem com uma rota do meio ou inferior mais carregadora. Ter uma imagem de como um time pode jogar junto enquanto a escalação se encaixa é importante. Se isso for difícil de visualizar, mudanças provavelmente precisarão ser feitas.

Agentes de jogadores

A maioria dos agentes auto-estabelecidos em League of Legends tentam fazer com que os jogadores consigam as melhores oportunidades e ofertas para equipes no exterior. Muitos deles não são qualificados, e pior, alguns proprietários no passado aceitaram recomendações de agentes de jogadores em valor nominal sem reconhecer que o principal objetivo deles é vender seus clientes.

Os agentes de jogadores sul-coreanos, em particular, têm recebido uma confiança cega na cena porque as organizações têm um conhecimento limitado da LCK, da SoloQ e da série Challenger. A cada offseason, um agente venderá os mesmos nomes, como Kim "Mightybear" Minsu ou Kim "Nagne" Sang-moon, para qualquer organização que escutará a proposta, e esses mesmos nomes reaparecerão de novo e de novo sem contexto. Os bons agentes, embora poucos e distantes, podem conectar jogadores e organizações, mas nunca são um substituto para se fazer pesquisas primárias sobre o jogador.

KT Rolster
A KT Rolster montou um 'dream team' em 2017, mas não conseguiu vaga no Mundial
A KT Rolster montou um 'dream team' em 2017, mas não conseguiu vaga no Mundial

Venda em excesso da Coreia do Sul

Não existe uma maneira delicada de falar isso. Durante anos, a noção de que os jogadores sul-coreanos são "simplesmente melhores", ou de que um jogador sul-coreano aleatório da SoloQ quase sempre superará um jogador aleatório de qualquer SoloQ de outra região, prosperou.

Entretanto, com a Royal Never Give Up chegando longe no Mundial com uma equipe inteiramente chinesa e jogadores ocidentais continuando a trabalhar bem nas rotas, essa noção está se dissipando, mas mais dinheiro e novos competidores podem fazer com que os hábitos velhos e preguiçosos voltem a surgir.

Comprando por "nome"

Às vezes, os grandes nomes são atraentes porque, teoricamente, trazem mais patrocinadores. As equipes estão dispostas a sofrer um pouco no desempenho ao escolher um jogador mais antigo com uma base de fãs maior e que pode não funcionar tão bem quanto um novato. Especialmente com os incentivos à audiência chegando à LCS EU, a "armadilha do nome" é uma preocupação.

A realidade da situação é que os jogadores com grandes nomes são cada vez mais numerosos. Com a primeira geração de estrelas de League of Legends quase completamente aposentada e movimentos de marketing superficiais avançando, há espaço para construir um nome para quase todos os jogadores que uma equipe assina. Com o LoL tão jovem como ainda é, é quase melhor contratar por desempenho e encontrar maneiras de criar um nome para os jogadores junto com a organização.

Ignorando testes

Os dois meses entre o Mundial e as ligas regionais são mais do que tempo suficiente para entrevistas, testes e realmente entender um jogador em potencial. Mas, no passado, os jogadores foram assinados por equipes sem sequer uma ligação via Skype com outros membros da organização ou comissão técnica.

É claro que, por vezes, são necessárias contratações de risco, mas com um bom planejamento, uma equipe pode minimizar esse problema. Como com qualquer outra coisa nesta lista, a equipe tem que fazer o trabalho de mão-de-obra, por mais tedioso que seja. Não há atalhos quando se trata de criar escalações bem-sucedidas.